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O que é palmitar? Entenda termo que se usa para casais inter-raciais

Django/iStock
Imagem: Django/iStock

Nathália Geraldo

De Universa

29/07/2019 18h00

Escolher uma pessoa para se relacionar é uma questão pessoal. Mas, há alguns termos dentro de grupos sociais que definem de que maneira acontecem esses relacionamentos; e um deles é um verbo que vem sendo usado na internet para classificar a escolha de alguém que está dentro de uma relação inter-racial: "palmitar".

"Palmitar" e suas derivações "palmitagem", "palmiteiro", "palmiteira" são neologismos criados para interpretar o ato de uma pessoa negra se envolver de forma romântica com uma pessoa branca.

Mas, o significado não se encerra aí. Na internet, há vários relatos e interpretações dentro do contexto de relacionamento, considerando, principalmente, o recorte de gênero - ou seja, as vivências diferentes entre mulheres negras, mulheres brancas, homens negros e homens brancos, no Brasil.

Para dar conta de tamanha controvérsia, o Twitter é um dos grandes murais de opiniões (e críticas) sobre quem palmita ou não. É na rede que os usuários trazem discussões e comentários sobre relacionamentos inter-raciais ou afrocentrados, quem "pode" ou "não pode" palmitar, entre outras falas.

Palmitar: polêmica nas redes

A expressão "palmitar" vem do palmito mesmo, relacionado a cor da pele branca. Acontece que, para muitas pessoas, ela está associada a outra questão que faz parte da vida de muitas mulheres negras: a solidão.

É comum que mulheres negras que falam sobre suas experiências na vida amorosa citem um trecho do texto "Vivendo de Amor", da autora estadunidense bell hooks, para explicar sentimentos de preterimento.

"Muitas mulheres negras sentem que em suas vidas existe pouco ou nenhum amor. Essa é uma de nossas verdades privadas que raramente é discutida em público. Essa realidade é tão dolorosa que as mulheres negras raramente falam abertamente sobre isso", escreve a teórica.

São elas, aliás, que ouvem frases racistas em apps de encontro, sofrem e relatam mais casos de assédio no trabalho, entre outras experiências decorrentes do racismo. Nesse sentido, há questionamentos sobre a existência de "palmiteiras".

"Mulher negra tem que palmitar mesmo"

A solidão da mulher negra faz parte de algumas linhas de pensamento e depoimentos que circulam pelas redes. "Mulher negra tem que palmitar mesmo", escreveu uma mulher negra na rede social.

"Essa solidão da mulher negra que contribui pra você palmitar né, você não pode ficar esperando pra afrocentrar sendo que tudo que você quer no fim das contas é ser amada um pouquinho igual a todo mundo", comentou outra.

"Pra mim palmitar é negro ficar com branco, independentemente do sexo...Porém, se você pesquisar um cadinho vai saber que existe um bagulho pesado chamado 'solidão da mulher negra' que se arrasta por séculos...Enquanto o homem negro nunca tava tão sozinho assim, né...", escreveu um usuário, homem, negro no Twitter.

"Famosa Palmitagem: Ficar com a branca só pela sua imagem de padrão social desejado. Não julgo os manos, relacionamento é deles, acho que fodace (sic) palmitar quando se ama. Essa é uma parada imposta que atinge não só esses manos", escreveu outro homem negro, no Twitter.

A "palmitagem" também é especialmente avaliada no caso de celebridades e na mídia, inclusive na produção pornográfica. "Pior ainda quando o preto rico exalta mulher preta pra ganhar grana e fama e depois vai palmitar", escreveu uma mulher, negra, na rede social. "Os pornôs sempre incentivam a hipersexualização dos negros e a palmitagem mds", escreveu outro.

Emojis "palmiteiros"

Reprodução/Tinder Swipe Life
Imagem: Reprodução/Tinder Swipe Life

A relação amorosa entre negros e brancos virou até motivo de um abaixo-assinado criado pelo Tinder, aplicativo de relacionamentos, em 2018. A empresa alegou falta de representatividade de um grupo de pessoas nos emojis e, em março deste ano, a Unicode - empresa responsável pela criação dos emojis - finalmente atendeu a demanda, com vários tons de pele entre os casais.

A relação entre essas pessoas, segundo a empresa, era uma das poucas que não tinham uma forma de ser representada nas redes sociais e mensagens virtuais.

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