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Direitos da mulher


Mulheres são obrigadas a fazer exame pélvico antes de abortar no Missouri

Estado norte-americano restringe ainda mais o acesso ao aborto; especialistas são contra - Getty Images/iStockphoto
Estado norte-americano restringe ainda mais o acesso ao aborto; especialistas são contra Imagem: Getty Images/iStockphoto

Da Universa, em São Paulo

08/06/2019 14h56

Com a recente onda antiaborto nos Estados Unidos, cada vez mais as mulheres encontram dificuldades para interromper uma gravidez indesejada. No Missouri, onde só há uma clínica de aborto em funcionamento, em St. Louis, o Estado tem obrigado essas mulheres a passarem por exames pélvicos considerados desnecessários antes do procedimento.

Atualmente, o Missouri proíbe a interrupção da gravidez após oito semanas de gestação, e criminaliza profissionais de saúde que desrespeitarem a lei. Além disso, a única clínica Planned Parenthood, especializada em planejamento famíliar e que fornece serviços de aborto, do estado enfrenta uma batalha judicial para não ser permanentemente fechada. O governador Mike Parsons alega que a Planned Parenthood no Missouri "performa em condições insalubres", o que justificaria a revogação da licença de funcionamento do local.

Para se fazer um aborto no Missouri, é exigido que a gestante passe por um aconselhamento e aguarde 72 horas antes de realizar o procedimento. Agora, também exigem que ela se submeta a um exame físico dos órgãos pélvicos femininos externos e internos, que só são necessários para mulheres com histórico ou sintomas de problemas na região.

"O que eu percebi foi que me tornei um instrumento de abuso de poder pelo Estado", disse o médico David Eisenberg, da Planned Parenthood St. Louis, em entrevista ao "Los Angeles Times". "Como médico licenciado, sou obrigado pelo estado do Missouri a colocar meus dedos na vagina de uma mulher quando não é clinicamente necessário".

Na semana passada, o Colegiado Americano de Obstetras e Ginecologistas se opôs à obrigatoriedade do exame pélvico antes de realizar um aborto. "A segurança do paciente é de fundamental importância para o CAOG. É inaceitável que legisladores e burocratas estejam tentando ditar como os médicos praticam a medicina sem considerar a ciência médica e tratando-os como criminosos", afirmou a entidade ao site "Refinery29". "Embora os exames pélvicos possam ser apropriados para pacientes em certas condições, os exames pélvicos de rotina para mulheres que procuram o procedimento de aborto são injustificáveis, invasivos e não apoiados por evidências. A tomada de decisões compartilhadas na área da saúde deve ser entre um paciente e seu médico -- não entre burocratas do governo".