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Mais que friends: mulheres contam como amigas mudaram suas vidas

"Já celebramos com uma tatuagem nosso aniversário de amizade", conta Regiane sobre sua amiga Juciane - Arquivo pessoal
"Já celebramos com uma tatuagem nosso aniversário de amizade", conta Regiane sobre sua amiga Juciane Imagem: Arquivo pessoal

Roseane Santos

Colaboração para o UOL

04/02/2019 04h00

Esqueça aquele papo de que, em matéria de amizade, os homens são mais leais do que as mulheres.

Três mulheres contaram à Universa histórias de amigas que dividiram muito mais do que confidências: foram fundamentais para que elas mudassem de vida.

"Ela penhorou suas joias para eu abrir minha empresa"

"Conheci a Renata no colégio, com apenas 11 anos de idade. A irmã dela era da minha turma e logo surgiu uma amizade daquelas em que uma não se desgruda da outra. Só que uma das maiores provas dessa amizade foi quando já éramos adultas. Eu tinha me formado há alguns anos em Comunicação Social, mas em 2014, resolvi ter uma empresa.

Juliana Palmer e a amiga Renata - Arquivo pessoal
Juliana Palmer e a amiga Renata
Imagem: Arquivo pessoal

Eu queria abrir meu próprio negócio e precisava de um capital para investir. Não tinha nada, nem um real. Foi aí que Renata teve a ideia de juntarmos as nossas joias na Caixa Econômica Federal. Ela deu tudo que tinha no cofre, sem dor nenhuma no coração, para realizar o meu sonho. Graças a Deus deu tudo certo!

No mês seguinte eu conseguir quitar tudo. Eu sempre ajudei e ajudo até hoje muitas pessoas, mas quando se trata de dinheiro ninguém quer emprestar. A pessoa tem que ser muito sua amiga para fazer algo assim. O contrato das joias ficou no meu nome. Se eu não pagasse poderíamos perder tudo, mas ela confiou em mim."

Juliana Palmer, 35, empresária, sobre sua amiga Renata Carrilho, 42, advogada.

"Ela me acolheu, enquanto achavam que eu estava abandonando meus filhos"

"Eu já passei por muitas dificuldades. Sou mãe solteira de um casal de gêmeos, hoje com 14 anos de idade. A minha amizade com a Juciene começou quando eles ainda eram bebês. Depois que os meus filhos nasceram, tive problemas com a minha família e lembro que uma vez saí correndo depois de um aborrecimento e quase fui atropelada na rua.

Decidi sair de casa, mas nem fazia ideia de onde ficar. Sabia que as pessoas me julgariam por deixar o lugar onde os meus gêmeos estavam sendo criados. Julgar é fácil, mas ninguém sabe como é complicado tomar uma decisão dessas.

Lembro que nesse dia fui para a academia onde trabalhava com a Ju e era plantão dela.  Na época, ela também morava com os pais e me convidou para ir para a casa dela. Não me julgou, não fez milhões de perguntas. Esse é o verdadeiro sentido da amizade, acolher quando for preciso, sem ficar questionando a razão de todas as coisas que acontecem. 

Já estava tudo muito difícil para mim, imagina ficar justificando. Sendo julgada por muitos de ter abandonado meus filhos, sem nem saberem da minha história. A Ju me entendeu e o seu apoio me fez seguir em frente. Nem sei o que seria de mim se ela não tivesse me oferecido um lar. Já celebramos com uma tatuagem o nosso aniversário de amizade de 11 anos -- agora já são 14."

Regiane Lambert, 38, blogueira, sobre sua amiga Juciene Lemos, 33, estudante de Pedagogia.

"Ela fez campanha para eu refazer minha casa"

"O meu marido saiu de casa no dia do meu aniversário de 43 anos. O relacionamento estava muito ruim e digo até que foi um presente ele ir embora nessa data. Já havia concordado em dividir os bens, mas resolvi viajar com uma amiga para ele ficar mais à vontade e pegar as coisas dele. Para a minha surpresa, quando voltei a minha casa estava vazia. Ele levou tudo, móveis, eletrodomésticos, até o filtro que estava na parede conseguiu arrancar.

Tirou os fios do telefone, fiquei sem internet. Imagina a situação: nem tinha como pensar em nada direito. Depois de dois meses, eu queria retomar minha vida social. Só que não tinha como receber meus amigos. Fui até o condomínio do meu prédio e pedi algumas cadeiras e uma mesa emprestadas, comprei algumas coisas no mercado e fiz um café para os mais próximos.

Uma amiga viu a minha situação e teve a iniciativa de organizar uma vaquinha. Ela sabia que estava atolada em dívidas no final do casamento e não tinha grana para nada. Em pouco tempo, a Simone e mais algumas amigas já tinham arrumado o dinheiro para comprar a minha sala de jantar. Ganhei também um micro-ondas, coisa que nem tinha antes.

O meu ex-marido falava que quando me separasse dele, eu passaria fome. Dizia isso porque meus pais já morreram e minha família é pequena. Só que os amigos verdadeiros me apoiaram em tudo, até mesmo na busca por outros trabalhos para reiniciar a minha vida."

Daniela Ramos, 46, professora, sobre sua amiga Simone Freitas, 54, advogada.

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