PUBLICIDADE

Topo

Universa

Após denúncia de escritora, mulheres relatam medo e assédio de motoristas

Campanha criada por Clara Averbuck estimula mulheres a denunciarem abusos - Reprodução/Facebook
Campanha criada por Clara Averbuck estimula mulheres a denunciarem abusos Imagem: Reprodução/Facebook

Denise de Almeida

Do UOL

28/08/2017 22h13

Clara Averbuck relatou, nesta segunda (28), que foi estuprada por um motorista da Uber. Após desabafar sua dor e revolta com a situação, a escritora criou uma campanha nas redes sociais para que outras mulheres desabafassem sobre abusos que já passaram com motoristas de táxi ou de aplicativos.

Com a #MeuMotoristaAbusador, Clara perguntou às suas seguidoras quem tinha histórias do tipo para contar, incentivando a denúncia dos criminosos.

Relatos de mulheres com medo e de assédio de todo tipo por parte dos motoristas começaram a pipocar no Facebook. Abaixo, reunimos alguns desses terríveis depoimentos.

O motorista entrou num motel

"Moro em frente a um motel, estava sozinha no banco de trás do táxi e falei pro motorista que podia me deixar em frente e que atravessaria a rua e ele não precisaria fazer o retorno. Só que em vez disso, ele entrou no motel e a porta de trás estava travada. Eu fiz um escândalo, quase quebrei os vidros e o pessoal do motel se tocou. No final, consegui sair do táxi e fui correndo pra casa e ele saiu a toda do motel. Cheguei em casa tremendo com o susto, mas graças a Deusa não aconteceu mais nada", contou uma internauta do Rio de Janeiro.

Chamou para viajar com um amigo à praia

"#meumotoristaabusador era um "99pop", me perguntou 30 vezes durante a corrida se eu tinha namorado, me chamou de linda e outras coisas algumas vezes, quis pegar meu whatsapp, e ainda falou 'vou para a praia com um amigo, você não quer vir junto? Chama uma amiga para irmos em 4!', mesmo eu tendo falado que namorava sim e ter demonstrado desconforto em todos os elogios. Não lembro de ter sentido tanto medo de pegar um uber/táxi/blablabla antes. Gente, vocês não têm noção do que as minas passam no dia a dia", desabafou outra mulher.

"Sempre mando print"

"Toda vez que entro em um táxi/uber/etc mando um print screen da tela informando a placa, o nome e a foto do motorista. Também ligo pra alguém que está no destino da corrida informando, em voz alta, a estimativa de tempo que devo levar para chegar e que se eu demorar 5 minutos a mais sem ligar, a pessoa deveria chamar a polícia, porque significa que algo me aconteceu. Às vezes fotografo a cara do motorista (caso não tenha foto no aplicativo). Um motorista um dia se ofendeu muito com a minha atitude e eu sugeri que ele parasse o taxi para eu descer, porque se não for nessas condições eu não ando. Outro lamentou que tudo aquilo fosse necessário", relatou uma internauta de São Paulo.

"Sozinha a essa hora?"

"- Uma mulher tão bonita assim, sozinha, a essa hora...

[silêncio]

- Você não tem medo?

- Tenho sim, por isso estou indo para casa de táxi.

- É casada?

- Sim.

- E ele deixa você sair sozinha?

- Eu não saí sozinha, estava com amigos.

- Seu marido está em casa?

- Está sim. Deve estar me esperando na portaria.

Meu prédio não tem nem porteiro à noite, quanto mais um marido que eu inventei para não ser estuprada", relatou uma internauta do Rio de Janeiro.

"Quero sentir o gosto da bala na sua língua"

"O motorista começou me oferecendo uma bala. Depois elogiou minha boca. Quando foi passar a marcha, arrastou os dedos na minha coxa. Perguntou se a bala estava boa e depois disse que gostaria de sentir o gosto direto na minha língua. Meu coração disparou, fiquei muda, mandei mil mensagens de socorro e tudo em volta mim foi ficando escuro - assim como as ruas mal iluminadas de Santa Tereza. Por sorte, estava perto de casa e ele parou bruscamente quando eu não esbocei mais nada ao sentir mão dele na minha coxa. Abri a porta e quase cai para fora, desnorteada, e chorei o resto da noite", contou uma mulher do Rio de Janeiro.

Universa