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Bordadeiras do Piauí enfrentam dificuldades na produção dos bordados

Bordado é importante fonte de sustento de mulheres do Piauí - Divulgação
Bordado é importante fonte de sustento de mulheres do Piauí
Imagem: Divulgação

Da Redação

15/03/2007 19h17

Tudo começou há 42 anos, mas Maria da Conceição Leal se lembra bem. Foi esse o período em que ela partiu para Dom Inocêncio, na região do semi-árido do Piauí, para ensinar às meninas do município a arte do ponto-cruz.

Passados os anos, as meninas, hoje mulheres, mostram o resultado das aulas com a exposição "Bordados da Caatinga - Bordadeiras do Piauí", que acontece no SESC Pinheiros, em São Paulo. O projeto, iniciado e mantido pela ONG Fundação Ruralista, continua até os dias de hoje com o mesmo intuito: ajudar as pessoas da região a se fixarem em sua terra, tendo condições de conviver com a seca.

Conceição explica que o bordado tem ajudado a manter as pessoas na região, já que propicia uma fonte de renda. "O bordado para as mulheres e a criação de ovinos e caprinos para os homens: essas são as principais fontes de sustento das famílias e mostram o retrato da região".

Essa é uma das razões que explicam a dedicação das bordadeiras em um trabalho de alta qualidade, que já foi exposto mais de uma vez em São Paulo e em países como França e Estados Unidos. Chegou, inclusive, a ganhar um prêmio de qualidade da Petrobrás. Mas, ainda que o trabalho seja reconhecido, Conceição afirma que as bordadeiras têm enfrentado dificuldades. "A finalidade da exposição no SESC é ver se encontramos uma via de escoamento desses produtos, já que estamos encontrando dificuldades em remunerar a mão de obra das bordadeiras".

Atualmente são cerca de mil mulheres preparadas para o ofício, espalhadas em 12 centros de produção em Dom Inocêncio. No entanto, apenas 500 estão bordando de fato, por faltarem recursos para a matéria prima e para remunerar as monitoras, que acompanham os trabalhos das bordadeiras nos centros de produção. Sem aumentar as vendas, a Fundação Ruralista, instituição sem fins lucrativos, fica privada de sua principal fonte de recursos. "O que falta ao projeto é comunicação. No interior do Piauí temos dificuldade até mesmo em falar no telefone; as empresas, inclusive a de telefonia, subestimam quem mora no interior", critica.

Ainda assim, o trabalho das bordadeiras é persistente. Um exemplo disso é a monitora Rosenilte de Souza, de 22 anos. Sem receber salário desde setembro do ano passado, ela continua percorrendo Dom Inocêncio com sua moto que, conta orgulhosa, foi comprada com o bordado. Em São Paulo ela ajuda na venda dos produtos em exposição. Mas, dedicada ao grupo "Bordados da Caatinga", garante estar apenas de passagem. "Tenho irmãos que vieram para cá fugindo da seca, mas eu pretendo continuar com minha família no Piauí, e saio de lá apenas para mostrar os bordados", afirma.

EXPOSIÇÃO BORDADOS DA CAATINGA - MULHERES BORDADEIRAS DO PIAUÍ
De 10 de março a 8 de abril, às terças e sextas das 13h às 21h30; sábados, domingos e feriados das 10h às 18h30
SESC Pinheiros - Rua Paes Leme, 195, Pinheiros - São Paulo
Telefone: (11) 3095-9425

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