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Direitos da mulher

Primeira deputada trans do Chile afirma que "comunidade LGBT teme Kast"

Emilia Schneider é a primeira mulher trans a ser eleita como deputada no Chile (Foto: Reprodução0 - Reprodução / Internet
Emilia Schneider é a primeira mulher trans a ser eleita como deputada no Chile (Foto: Reprodução0 Imagem: Reprodução / Internet

Patricia Nieto Mariño

23/11/2021 16h40

Aos 25 anos, a estudante chilena Emilia Schneider, eleita no domingo passado a primeira deputada transgênero da história do Chile, tem uma visão muito clara: "A comunidade LGBT tem medo que o próximo presidente seja de extrema direita".

"Quando avançam estes tipos de alternativas, os crimes de ódio aumentam porque o discurso discriminatório encontra validação", disse em entrevista à Agência Efe após as eleições, nas quais o ultradireitista católico José Antonio Kast foi o candidato presidencial mais apoiado, com 27,9% dos votos.

Enquanto esta jovem feminista e ativista comemorava a sua ascensão como representante da capital na Câmara dos Deputados, o esquerdista Gabriel Boric, candidato presidencial da sua coalizão, era inesperadamente ultrapassado por Kast, ficando em segundo lugar, com 25,8%.

Quem for eleito no segundo turno, em 19 de dezembro, será "decisivo" para o futuro do país, acrescentou a deputada eleita, que tomará posse em março com o objetivo de deixar a sua marca na agenda legislativa do país com propostas pioneiras.

Enquanto uma alternativa "procura expandir os direitos de uma forma estável e baseada no diálogo", existe outra que busca "retroceder em algumas questões, como a Lei de Identidade de Gênero (que permitiu durante três anos alterar o registro de sexo e nome) e o aborto por três motivos (que foi aprovado em 2017)", comentou.

"Hoje, a segurança, dignidade e integridade dos direitos da comunidade LGBT e das mulheres estão em jogo", segundo Schneider.

DAS RUAS PARA O PARLAMENTO.

Schneider já tinha feito história ao se tornar a primeira presidente transgenero da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECH) em 2019, mesmo ano em que saiu às ruas com milhares de outros jovens em busca de mudanças profundas durante a chamada "explosão social".

Essa crise sem paralelo, que durou mais de um ano com passeatas maciças pela igualdade e registrou cerca de 30 mortos e milhares de feridos, foi para a deputada eleita uma tentativa de construir "um Chile melhor, que coloca a vida digna de todas as pessoas no centro".

Portanto, para ela, a votação de domingo passado foi um dia "de sentimentos mistos", "doce e azedo", onde a comunidade LGBT fez história ao eleger a primeira parlamentar transexual e, por outro lado, conseguiu consolidar "uma alternativa neofascista e ultraconservadora".

"A extrema direita quer que o medo prevaleça, mas temos de fazer prevalecer a esperança, a mesma esperança que nos levou a votar por uma nova Constituição (em 2020) e que prevaleceu nesta última década de mobilizações", argumentou.

UMA JANELA PARA A MUDANÇA.

O que é claro para Schneider é que o Chile enfrenta um novo ciclo, dado que nenhum dos três candidatos presidenciais mais votados faz parte dos grandes grupos que têm governado desde a transição para a democracia.

"Isto é muito revelador. O Chile não quer olhar para o passado, mas ainda não está claro o que o futuro reserva com duas alternativas tão diferentes", analisou.

Por enquanto, a jovem vê uma "janela de oportunidade" no Congresso, onde procura defender medidas como a educação sexual abrangente e garantir os direitos sociais da comunidade LGBT e o acesso ao trabalho decente com uma lei que estabelece uma cota de trabalho transgênero.

No segundo turno, para o qual, segundo especialistas, será crucial convencer os eleitores indecisos e os que se abstiveram no domingo (mais de 50% do eleitorado), Schneider fez um pedido enfático para que votem.

"São os direitos de vocês, os meus direitos, a liberdade de planjear as nossas vidas sem que instituições ultraconservadoras nos digam como viver", enfatizou. EFE

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