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Mari Goldfarb posta foto com Grazi: ex do atual não precisa ser sua inimiga

Mariana Goldfarb postou uma foto ao lado de Grazi Massafera, ex de seu marido, Cauã Reymond  - Reprodução/Instagram
Mariana Goldfarb postou uma foto ao lado de Grazi Massafera, ex de seu marido, Cauã Reymond Imagem: Reprodução/Instagram
Carol Tilkian e André Lage

sobre os colunistas

Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia.

André Lage

Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia.

Colunista de Universa

19/03/2021 04h00

Na quarta-feira (17) Mariana Goldfarb postou uma foto abraçada com Grazi Massafera, a ex-mulher do seu atual marido, Cauã Reymond. Mais de 100 mil curtidas, incluindo a da própria Grazi. As duas trocam elogios públicos por comentários do Instagram há tempos e acho maravilhoso termos exemplos de mulheres que incentivem relações saudáveis e nos ajudem a desconstruir o estigma da competição feminina quase que instintiva. Ex do atual não precisa ser inimiga.

Infelizmente esse papo ainda faz todo sentido na teoria mas é pouco aplicado na prática. Confesso que eu mesma já me peguei analisando a atual de um ex meu e me comparando com ela. Eu já tava mega bem resolvida com o término, não queria nada com ele, mas quando o cara começou a namorar lá fui eu fuçar o Instagram, o Facebook, o Linkedin da Fulana.

Iniciei uma espécie de Olimpíadas na minha própria cabeça, onde competíamos em diversas modalidades: quem era mais magra, mais estilosa, que fazia viagens mais legais, que tinha referências culturais mais descoladas, que tinha o trabalho mais bacana... Aff! Não me orgulho disso mas precisamos falar sobre essa reação automática para conseguir começar a desconstruí-la.

Se você também já entrou nessa pira comparativa e competitiva com a ex do seu atual, ou com a atual do seu ex, bem-vinda ao time! Se você disser que nunca fez isso vou achar que está mentindo. É triste mas a verdade é que fomos educadas para entrar em competições entre mulheres desde crianças. Os meninos competiam pra ver quem era melhor no futebol e a meninas, infelizmente, aprende a competir pra ver quem é a mais bonita, mais popular, mais desejada pelos tais meninos.

Entrevistamos a psicóloga Mayara Ferreira no nosso canal do Youtube sobre competição feminina e ela aponta que "A gente aprende a construir nossa autoestima desmerecendo alguma mulher para se autoafirmar." Ou seja, aprendemos a nos colocar sempre em comparação com outra mulher e, na maior parte das vezes, nos comparamos com mulheres que consideramos mais bonitas, mais inteligentes, mais bem-sucedidas. O que só gera mais insegurança e joga nossa autoestima pro fundo do poço. Fragilizadas, acabamos entrando na interação com novas mulheres nos sentindo cada vez mais ameaçadas e, com isso, nos defendemos do jeito mais torto possível: atacando as tais mulheres.

Mayara aponta ainda que para as mulheres a vitória está sempre em comparação com o corpo ou a vida da outra. Para eu ganhar, ela tem que perder. E nessa lógica, não existe uma vitória definitiva porque sua vida vai mudar sempre e a das outras mulheres também. Ou seja, aprendemos que deveremos estar nessa eterna Olimpíada da mulher escolhida para somar o maior número de pontos possíveis. Seria isso uma espécie de prova de resistência de um BBB feminino? Tô exausta dessa lógica!

Depois de falar mamãe, aprendemos a fofocar

A verdade é que a construção da subjetividade feminina passa pela fofoca. Desde pequenas somos incentivadas a falar mal umas das outras e é através dessa fofoca que muitos elos importantes de amizade foram gerados. Vê se você se reconhece nessa situação: 14 anos, hormônios a flor da pele, pré-adolescência. Você quer ficar mais amiga da Bia, uma menina descolada da sua classe e sabe que ela não se bica muito com Joana, porque Joana já tinha beijado o Fernandinho, aquele boy de aparelho nos dentes e skate e Bia era louca por ele. Pra se aproximar de Bia você faz o que? Fala mal de Joana. Algumas fofocas no recreio e pronto, você e Bia têm um elo. E você, que nem tinha nada contra a tal Joana, já criou uma inimiga imaginária.

Essa lógica infantil é carregada até hoje e quase que esperada pela sociedade. É só pensar no exemplo Brad Pitt, Angelina Jolie e Jennifer Aniston. Quantas vezes eu mesma já não falei: "ah, mas eu sou do time Jen! Ela é uma fofa, a Jolie é uma maldita.". Que "time" é esse, produção?!

Eu aqui no meio do caos tupiniquim querendo botar fogo no parquinho de um ex-casal americano?! Isso acontece por que somos estimuladas a criar inimigas - as reais e imaginárias. E tem inimiga maior do que a ex do seu atual ou a atual do ex? Parece que o mundo espera que a gente rivalize. Tem gente colocando lenha na fogueira o tempo todo.

A Cinderela acabou com a gente

Foram anos de lavagem cerebral de contos de fada que nos ensinaram que só existe lugar para um pé no sapatinho (de um fulano que a gente nunca soube porque é tão desejado?. a não ser por ser príncipe). Foram recreios e mais recreios estreitando os laços com as amigas falando mal da "periguete" do terceiro B. O olhar competitivo tá no nosso piloto automático. A gente se compara mais do que gostaria, se desmerece mais do que deveria.

A própria Mariana fez um vídeo no IGTV emocionante falando sobre como desenvolveu distúrbios alimentares e distorção de imagem e ela aponta a competição feminina como raiz desses distúrbios. "Somos incentivadas a olhar as outras mulheres como rivais a serem combatidas, achando que só uma será a escolhida. Começamos a competir sem nem perceber", comenta a modelo.

Ela revela que essa competição foi o que destruiu seu amor-próprio e a fez desenvolver uma série de comportamentos autodestrutivos. Ver essa mulher postando uma foto linda com a ex de seu atual não só é inspiração como é a prova de que, se quisermos, podemos desconstruir o castelo do príncipe que é nossa arena de batalha com as outras gatas borralheiras no mundo. Podemos nos relacionar de forma mais saudável e positiva com essas mulheres.

A ex ou a atual não precisam ser ameaças. A relação entre essa mulher e o cara com quem você está não tem que ser mais ou menos do que a sua relação com ele para que você se sinta segura. Precisamos confiar nos vínculos com nossos parceiros e alimentar conexões positivas com as outras mulheres.

"Não existe nada mais empoderador para uma mulher do que estar num espaço seguro entre mulheres. Mulheres empoderadas empoderam outras." afirma Mayara Ferreira.

Acho lindo ver que trocamos a batalha de Jen e Jolie pela sororidade de Mari e Grazi. Duas mulheres fortes, potentes, humanas, parceiras. Que respeitam as relações do passado e do presente dos homens que fazem parte de suas vidas. Que se elogiam. Que se apoiam. Provavelmente esse processo não foi automático. Ainda mais por serem de duas figuras públicas — imagina quanta gente incitou a rivalidade entre elas?

A competição feminina ainda está na água que a gente bebe. O impulso de olhar o Instagram da ex do seu atual vai vir. A língua vai coçar pra fazer um comentário depreciativo, mas a gente pode escolher ser mais Mari e Grazi na vida.

Como? Toda vez que a língua coçar, em vez de de falar mal da outra mulher, fale bem de você. Depois, comece a falar bem dela. Treine seu olhar para reconhecer as qualidades das outras mulheres sem encará-las como ameaças. E no terceiro estágio, fale sobre outras coisas. Tanto filme maravilhoso, tantos livros inspiradores, tanta coisa acontecendo no mundo... Dá pra criar conexões e vidas mais interessantes pra além da fofoca, não acham?

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL