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Teoria do Apego ajuda a entender a relação entre Carla e Arthur no BBB 21

Carla Diaz e Arthur discutiram - Reprodução/Globoplay
Carla Diaz e Arthur discutiram Imagem: Reprodução/Globoplay
Carol Tilkian e André Lage André Lage

sobre os colunistas

Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia.

André Lage

Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia.

André Lage

Colunista de Universa

17/03/2021 04h00

Carla Diaz anda insatisfeita com a atenção e o carinho recebidos de Arthur Picoli no BBB e a cada nova tentativa de diálogo, ele só se afasta e se fecha mais. Com certeza você já viveu essa situação na sua vida e ela é muito mais comum do que você pensa.

Carthur é um típico exemplo de um tipo de vínculo dos infernos que a Teoria do Apego explica muito bem: o match entre inseguro ambivalente e o inseguro esquivo. Vou explicar rapidamente a teoria e analisar o comportamento dos dois pra você aplicar nas suas relações e ter uma luz no fim do túnel!

Entendendo a Teoria do Apego

É uma teoria criada pelo psicanalista John Bowlby nos anos 40 que explica como as nossas relações com os nossos cuidadores na infância influenciam o modo como criamos vínculos ao longo da nossa vida. Em um experimento, ele afastava a mãe do bebê durante algum tempo e observava a reação quando ela voltava.

Parte dos bebês sentia a falta da mãe, mas se permitia explorar o ambiente. Quando ela voltava, se sentiam confortáveis de novo. Esse apego ele chamou de seguro e infelizmente é minoria na nossa cultura. Já outros bebês sentiam-se inseguros na ausência da figura cuidadora e a volta da mãe resultava em reações diferentes.

Alguns se agarravam ao mesmo tempo em que ficavam de cara amarrada, uma espécie de punição à mãe pela ausência. Esses foram chamados de inseguros ambivalentes. Outros decidiam ignorar a mãe e fingir que não se importavam com ela (uma pretensa independência) e foram chamados de inseguros esquivos.

Se você quiser entender sobre a Teoria do Apego, recomendo a entrevista que o psicólogo Alexandre Coimba Amaral nos deu recentemente, mas agora vamos analisar como esses padrões de apego nos influenciam na idade adulta e usar Carthur pra ver as falhas de comunicação na prática.

Carla Diaz, a típica insegura ambivalente

"Confesso que eu tô um pouquinho chateada porque nessa festa o Arthur parece que nem percebeu que eu tava lá. Enfim, eu também não quero pressionar nada. Pra mim ele é uma incógnita às vezes."

Os inseguros ambivalentes sofrem com insegurança e medo de abandono. Eles podem desenvolver dependência afetiva e estar sempre à espera de um desastre, sabe?

Na idade adulta desejam relações muito fortes, mas morrem de medo de serem deixados ou trocados. Então toda vez que o crush não os coloca como prioridade e, por exemplo, sai com os amigos, se sentem abandonados, e isso gera um ressentimento. Resultado: quando o crush reaparece, agarram com força total (e mini sufocam), mas também rola uma raivinha oculta, daí vem o ambivalente.

São pessoas que nunca acham que o parceiro as valoriza o suficiente e sempre terminam as relações sentindo que fizeram tudo pelo outro e mais uma vez sofreram uma grande decepção. Alguém se identifica?

Carla é dessas que quer um vínculo muito forte, que sonha em encontrar a tal alma gêmea e deve ter achado ótima a ideia de estar trancada com seu mozão em uma casa por meses. Só que a dureza é que a insegurança vai além da presença física. Ela se sente insegura do amor dele. Ela luta para que fiquem juntos o tempo todo, implora por atenção e, se pudesse, estaria grudada em Arthur 24 horas. E a reação dele é tudo que ela tem medo.

Arthur Picoli, o típico inseguro esquivo

Repara nesse diálogo da última festa:

Arthur: Eu estou de boa, só não estou entendendo nada mais. Eu quero dormir, quero descansar.

Carla: Lindo, eu estou a noite toda tentando falar com você direito.

Arthur: Gente, o que é que eu fiz? Só porque eu quis dormir? O que, Carla? (bem impaciente)

Arthur é um típico inseguro esquivo. Eles racionalizam tudo e não conhecem suas emoções, então fogem de DRs e ficam em silêncio diante do conflito ou se irritam com o que entendem como "cobranças". E na hora de expressar suas insatisfações, faltam palavras, e os esquivos recorrem a birras ou falsos problemas. Arthur com certeza foi criado sem muito incentivo pra expressar suas emoções, um típico macho alfa, como já colocamos em um texto aqui.

Os esquivos se dizem autosuficientes e, em geral, ficam no rasinho das relações porque têm medo de se "prender" a alguém. São pessoas que têm tanto medo da indiferença e do abandono, que preferem abandonar para não serem abandonadas. Ou seja, quando as relações começam a ficar sérias, preferem pular pra não se envolverem muito. Mas como pular fora quando você está confinado né, Arthur?

Esse match realmente é problemático porque sempre vai gerar falhas de comunicação, mas infelizmente ele é muito comum: grande parte dos casais é assim. Você se identificou com os padrões e as situações vividas por Carthur? Calma que tem solução.

Como proceder?

A boa notícia é que o padrão de apego não é uma condenação e sim uma bula. Dá pra mudar com ajuda profissional e mesmo dentro das relações. Haja terapia e diálogo!

Superar o apego inseguro esquivo inclui restaurar a relação que existe entre a pessoa e seu interior e desenvolver empatia com as emoções dos outros. Superar o apego ambivalente é um trabalho de curar feridas do passado e aprender a deixar o parceiro mais solto, ser menos dependente. Ambos precisam aprender a expressar suas insatisfações de forma não violenta.

Relações saudáveis também podem nos mostrar que a ligação e a relação com o outro são diferentes do que esperamos ou antecipamos. E essas relações podem começar a ser cultivadas com amigos, familiares e mestres. Assim a gente treina vínculos seguros e estaremos mais centrados quando o crush chegar.

A relação de Carla e Arthur não está sendo nada fácil e com certeza muitas das suas também não. Temos que arrumar nossa bagunça emocional, curar nossas feridas e melhorar nossas habilidades nas relações. Só assim vamos parar de terminar as relações sempre do mesmo jeito: frustrados e feridos, como nossa criança interior.

Vem pro soltos pra te ajudar a desenvolver a autonomia afetiva e sair dessa repetição eterna. Conte com a gente!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL