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Jake e Mariano: 2021 e a gente ainda espera ser pedida em namoro. Por quê?

Mariano e Jake, de "A Fazenda", estão namorando oficialmente - Reprodução/Instagram
Mariano e Jake, de 'A Fazenda', estão namorando oficialmente Imagem: Reprodução/Instagram
Carol Tilkian e André Lage

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Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia.

André Lage

Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia.

Colunista de Universa

17/01/2021 11h59

O ano começou com aquela tradicional chuva de manchetes de sites e perfil de Instagram de fofoca anunciando os novos casais que agora são namorados "real-oficial" em 2021. Jake Oliveira, Cinthia Cruz e outras famosas foram pedidas em namoro nos primeiros minutos do novo ano e eu me peguei pensando: entra ano, sai ano e a grande maioria de nós mulheres ainda tem que esperar o cara pedir a gente em namoro para oficializar um relacionamento, que muitas vezes já tem toda a dinâmica de um namoro, mas ainda não tem a mudança de status no Facebook. Vocês não acham isso cruel e terrivelmente castrador?

É claro que vai ter gente dizendo "eu não sou assim, já pedi meu namorado em namoro e tá tudo certo". Se você é uma dessas eu te digo: está tudo certo mesmo, querida. Espero que um dia sejamos todas como você porque a dura realidade é que a maioria de nós ainda amarga dias e meses de espera da tal formalização.

E não estou falando em jantar romântico com velas e climão não. Muito menos buquê de flores gigante e fogos de artifício. Ser apresentada como "essa é Carol, minha namorada" quando você está com o boy com quem sai há 8 meses e cruzam com um casal de amigos dele no supermercado já tava bom demais ( é...., tá osso..). Ou então quando o boy esta na sua casa, alguém liga pra ele, começa um papinho e você ouve ele respondendo "tô na Carol". Ai rola um silêncio - onde provavelmente a pessoa perguntou "que Carol?" e seu boy responde fazendo o avoado "a Carol..." e muda de assunto. Claro, porque se ele falar "minha amiga Carol" eu daria uma voadora nele! E nessas horas ele não quer adicionar nenhum predicado ao seu belo nome. Sei...

Namoro: a palavra tabu

Vocês dois já se veem com frequência, já conhecem os amigos e família um do outro, já viajaram juntos, já curtiram finais de semana de grude e finais de semana necessários de respiro e individualidade... Isso é um namoro. Se bobear você conseguiria até já provar união estável coletando os depoimentos do zelador do prédio dele e as faturas do cartão comprovando compras conjuntas... Mas vai ser mais fácil o juiz te dar ganho de causa do que o boy falar "estamos namorando". Sim, porque parece que essa simples palavrinha de 6 letras vira o maior tabu do mundo.

É um clichê terrível, mas muita gente ainda tem medo do compromisso. Já escrevemos sobre namorofobia aqui e um dos grandes medos relatados pelos solteiros é perder sua liberdade. Segundo o escritor e psicólogo João Luiz Marques esse medo é ainda maior nos homens: "A imagem do ideal masculino ainda está ligada ao arquétipo do aventureiro, do caçador, que tem seu valor reforçado pelo seu potencial de conquista das presas e do mundo. Dessa forma, muitos homens ainda encaram as relações como prisões, enquanto deveriam enxergá-las como novas possibilidades de aventura".

Já passou da hora da gente achar que todo relacionamento é prisão. Abrir mão de beijar outras bocas (caso seja um namoro monogâmico) não é sinônimo de abrir mão de seu espaço e autonomia. Nessas horas, muitos dos caras já estão preparados com aqueles papos de que "meus últimos namoros foram difíceis"; "tinha muita possessividade"; "não gostava de ser cobrado"... Por que não atualizarmos o software de nossos parceiros explicando que cada namoro é um namoro e que as regras são construídas em conjunto? Não quer ir no almoço de sábado da minha avó? Ótimo! Não precisa ir. E já te aviso que também vou querer uns sábados livres para ficar no meu sofá sozinha e isso não é sinal de desamor.

O problema é que, em vez de tirarmos nossos boys dessa mentalidade "homem das cavernas" com colocações irônicas como "gato, vou te avisar, a gente já tá namorando? viu como não doeu nada?", nós fazemos o que? Seguimos a analogia da caça, e evitamos tocar no assunto para não assustar a presa. Essa atitude é de um desempoderamento sem tamanho. Quando a gente entra na lógica de não tocar no assunto do namoro para não afugentar o cara, estamos automaticamente duvidando de nosso próprio valor e da força do vínculo que tem sido criado na relação.

Qual é o momento certo?

Semana passada a gente fez uma série de lives chamada "invisto ou deleto", onde convidamos solteiros para entrar ao vivo e dividir dilemas amorosos em busca de nossa opinião solta e sincera. O tema hit foi exatamente esse do texto: "já tô saindo há meses com o cara, mas ele foge do papo do namoro, se faz de louco, muda de assunto. Como proceder?". Todas as mulheres, sem exceção, ao compartilharem seu rolo com a gente se colocavam em dúvida: "será que está cedo demais para eu querer oficializar o namoro" ou "quanto tempo configura minha ansiedade e quanto se traduz em enrolação do cara?".

Provoco vocês como provocamos elas ao vivo: quem determina esse "tempo certo"? Quando a gente entra nessa lógica de querer acertar o tempo para ser aprovada como uma mulher equilibrada, paciente e, assim, namorável, mais uma vez estamos deixando nossos desejos em segundo plano. Por que validamos a necessidade de liberdade do cara, mas invalidamos nossa vontade de formalizar a relação?

Sinto que esse silenciamento surge do medo de sermos lidas como caretas e carentes. Sim, porque em tempos de amores gasosos, ainda temos a falsa sensação de que, pra se provar uma mulher moderna e livre, precisamos topar sempre o sexo casual e abrir mão de qualquer rótulo. Na minha opinião, liberdade é a gente poder se colocar no mundo da maneira que faz sentido pra gente. E assumir querer uma conchinha fixa é de uma liberdade sem fim.

Depois, precisamos de uma vez por todas parar de confundir carinho com carência e conversa com cobrança. "Ah, mas ele não gosta de conversar sobre relação, vai se afastar..." já me escreveram algumas soltas. Eu também não gosto de acordar cedo, não gosto de pagar o contador, não gosto de lavar panela engordurada, mas isso faz parte da maravilhosa vida adulta. Somos todos grandinhos e não vamos cair duros se sentarmos para conversar um pouquinho.

Além do mais, a partir do momento em que a gente normaliza o papo sobre o que está rolando entre a gente e o crush, automaticamente dissipamos a tal aura pesada da DR e do climão. Quem aqui nunca ficou feito criança tentando entrar na brincadeira de pular corda, esperando o momento certo pra iniciar o papo sem ser chicoteado? E parece que quanto mais a gente espera, mais o ar vai pesando, mais a gente se angustia, mais a gente se desempodera?

Nessas de esperar o cara fazer o famigerado pedido, já me peguei muitas vezes tendo dias amargos ao lado do boy e vejo que azedei algumas relações porque segui frustrada e calada.

Em tempos de espera e isolamento forçados por conta da pandemia, uma de minhas resoluções de ano novo é não esperar mais se eu tiver com vontade de conversar com o boy. Como diria o ditado popular "falando a gente se entende". Se a gente tirar o tal "elefante da sala" e topar conversar sobre a relação, vamos acabar percebendo que é mais simples do que parece. A vida já está muito difícil pra gente criar novos abismos de silêncio, não acham?

Espero que no próximo ano a gente possa ver as manchetes da chegada de 2022 com vacina funcionando, carnaval em fevereiro e várias mulheres maravilhosas pedindo seus companheiros em namoro. Diz se não são mudanças deliciosas a se esperar?

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