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Cris Guterres

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Quer falar sobre diversidade e inclusão? Então chame Rihanna para conversar

Rihanna usa peça de sua marca de lingerie - Reprodução / Internet
Rihanna usa peça de sua marca de lingerie Imagem: Reprodução / Internet
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Cristiane Guterres

Cris Guterres é jornalista, empreendedora e sonhadora. Proprietária do Atrium Restaurante, palestra sobre diversidade, motivação e liderança feminina. Sua especialidade é mostrar o quanto somos fortes e podemos mudar, com competência, qualquer situação opressora ao nosso redor.

Colunista do UOL

12/08/2021 04h01

A recente lista das pessoas mais ricas do planeta lançada pela Forbes responde a uma pergunta que Mano Brown traz na música Vida Loka Parte 2 dos Racionais MC's: preto e dinheiro são palavras rivais? E quem mostra como é que faz é Robyn Fenty, popularmente conhecida como a moça que vende umas lingeries e maquiagens inclusivas. Essa moça é a Rihanna.

Na semana passada a cantora e empresária ingressou nos mais seletos grupos do mundo, o de bilionários. Sim, Rihanna tem uma fortuna avaliada em cerca de US$ 1,7 bilhões e sua marca de roupas íntimas seria a grande responsável pela multiplicação de dólares.

Quando lançou a Fenty, em 2017, um dos objetivos de Rihanna era criar algo que atendesse ao desejo de diferentes mulheres mundo a fora, queria incluir. No lançamento de sua primeira linha de maquiagem eram 40 tons de base, hoje já são 50 num mercado onde as marcas produzem, em média, 10 tons diferentes. Quer falar sobre diversidade e inclusão? Então chame Rihanna para conversar

De lá para cá, todo e qualquer lançamento da marca tem como ponto de partida a produção de produtos que atendam a necessidade de pessoas plurais. Das maquiagens às lingeries, das roupas aos óculos de sol, dos fashions shows aos manequins. Ela transborda pluralidade em tudo o que faz, em todas as suas cadeias de produção.

E esse transbordar lhe rendeu dólares, bilhões de dólares. Rihanna sabe que diversidade é propósito e que o resultado de um trabalho competente se reverte em dinheiro, muito dinheiro.

Assistir a um fashion show de sua marca após anos assistindo aos desfile das 'angels' brancas de magérrimas da Victoria's Secret, me faz acreditar que meu corpo é perfeito com todas as curvas, estrias e gorduras localizadas que tenho

Ao contrário das modelos magérrimas há anos aplaudidas sob as asas da VS, Rihanna tem modelos com corpos gordos, corpos volumosos, corpos magros, corpos saudáveis que brilham em contraposição aos corpos que mal se alimentam nas vésperas de um desfile da VS. Uma rápida busca pela internet e você lerá diversos relatos de angels da Victoria's Secrets contando sobre os absurdos que eram obrigadas a fazer para se manterem muito magras para os desfiles, de abuso de drogas a dietas só de alface e água com limão.

Se nós, homens e mulheres, vemos beleza em comportamentos como este é porque estamos com sérios problemas de imagem. Não pode mais haver espaço para que a sociedade determine o peso que devemos marcar na balança ou quais corpos devem vestir esta ou aquela roupa.

O poder está em nossos cartões de crédito. Nós validamos as marcas que nos enxergam comprando delas

Rihanna é o poder. A maior empreendedora de beleza do mundo e construiu sua fortuna utilizando a diversidade como ferramenta de vantagem competitiva empresarial.

Sua fortuna só fica atrás de Ophra Winfrey, a mulher mais rica dos Estados unidos, duas mulheres negras no topo da lista.

Aqui nas terras tupiniquins as pessoas negras ainda estão distantes do topo da pirâmide, mas já provamos que dinheiro não rivaliza com nosso tom de pele.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL