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O que a nova namorada de Whindersson Nunes me ensinou sobre haters

Maria Lina com gato preto - Reprodução/Instagram
Maria Lina com gato preto Imagem: Reprodução/Instagram
Brenda Fucuta

Brenda Fucuta é jornalista, escritora e consultora de conteúdo. Autora do livro "Hipnotizados: o que os nossos filhos fazem na internet e o que a internet faz com eles", escreve sobre novas famílias, envelhecimento, identidade de gênero e direitos humanos. Além de entrevistar pessoas incríveis.

Colunista do UOL

07/11/2020 04h00

Whindersson Nunes está apaixonado de novo! Descubro a notícia no meio de várias outras, na home do UOL, e me vejo feliz por ele. Que legal, eu tinha ficado tristinha com o fim do casamento relâmpago, meses atrás. Clico na notícia e passo a seguir a novela amorosa de Whind. Ele e a nova namorada, Maria Lina, de mãos dadas em um oásis do Jalapão —as novas ilhas Maldivas das celebridades, pelo que parece. Ele comentando post dela . Ela de lingerie. Ops... Ela, no seu Instagram, de lingerie, agradecendo a Deus por amar os animais (estava segurando um cachorrinho). Ops, ops, o encanto se quebrou. Cada um com seus limites, né? Achei a pose muito cafona e me desconectei da voyerice.

Voltei à realidade da minha vidinha e às outras notícias da home: Biden e Trump, Covas, Mariana Ferrer. Por que, diante de tanta notícia importante, fui capturada pelo affair de Whindersson? Apesar de ser jornalista, nunca fui de acompanhar a vida de celebridades. Acho chato falar do casamento de um, da separação do outro, da briga das duas, da mansão, do novo filho... Gosto mais da vida dos ordinários, dos comuns. A exceção é o Whindersson.

Tenho que confessar minha quedinha por ele. Acho esse menino genial, adoro o humor improvisado, o talento em encontrar graça em tudo. Mas, claro, existem outros comediantes ou outras personalidades que considero geniais e nem por isso me rendo às fofocas sobre suas vidas. O que me ata ao Whindersson é que, apesar de todos os símbolos de riqueza e de sucesso, ele ainda parece estar tentando chegar lá. Parece o eterno moleque sem privilégios pelo qual a gente torce muito.

Enquanto outras "celebrities" dão pé na bunda, Whindersson leva. Apesar dos carrões que ele coleciona, da mansão onde vive, do corpo cheio de músculos novos, das novas tatuagens, do cabelo escovado, ele ainda me lembra o menino magrinho, cheio de espinhas, pobre e sem namorada. Torço por ele do mesmo jeito que torci pela Elizabeth Harmon, do seriado "O Gambito da Rainha", e do mesmo jeito que torço pelo Corinthians. Sem compromisso, mas com alegria.

Isso, pelo menos, era o que eu pensava. Até olhar a foto da nova namorada, torcer o nariz, e perder a alegria. No lugar da leveza, da atitude sem compromisso com a qual eu imaginava segui-lo, percebi que eu fiquei com vontade de dar palpite na vida do meu ídolo. Não ia fazer isso, mas só o fato de ter vontade me deixou em estado de alerta.

Epa, será que esse é o gatilho que move as pessoas que se metem na vida das celebridades como se elas fossem seus filhos? Como se o fato de as celebridades se apresentarem em um formato de reality show lhes desse o direito de julgá-las implacavelmente? Será essa a semente do hater de celebridades?

Não gostei da experiência. Preferia continuar seguindo Whindersson sem cobrar nada em troca. Eita, como os relacionamentos são complicados...

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