PUBLICIDADE

Topo

Blog Nós

Pessoas mais velhas estão melhor que os jovens na pandemia, diz pesquisa

Casal de idoso feliz - iStock
Casal de idoso feliz Imagem: iStock
Brenda Fucuta

Brenda Fucuta é jornalista, escritora e consultora de conteúdo. Autora do livro "Hipnotizados: o que os nossos filhos fazem na internet e o que a internet faz com eles", escreve sobre novas famílias, envelhecimento, identidade de gênero e direitos humanos. Além de entrevistar pessoas incríveis.

Colunista do UOL

31/10/2020 04h00

Nesta semana que passou, foi publicada uma pesquisa surpreendente sobre covid-19 e pessoas mais velhas. Diferentemente do que se pensa, a pesquisa revela que, durante a pandemia, o bem-estar de pessoas com mais de 65 anos é maior do que entre os mais jovens. Como pode se 75% das mortes causadas pelo coronavírus no mundo atingem os mais velhos, segundo balanço da Organização Mundial de Saúde, do começo deste mês? Não deveriam então os mais velhos estar mais ansiosos e deprimidos?

Segundo a psicóloga Laura Carstensen, autora do estudo da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, com mil adultos, as pessoas mais velhas contam com dois recursos valiosos para manter a sanidade neste período. O primeiro: elas têm mais experiência em lidar com estresse e eventos negativos, já que viveram mais tempo. O segundo: pessoas mais velhas se motivam com as coisas positivas do dia a dia. "Em vez de focar e se preocupar com o futuro, adultos mais velhos tendem a priorizar as metas do aqui e agora", disse a psicóloga em entrevista ao site da universidade.

Claro, faz todo sentido, certo? O presente é muito mais concreto -e valorizado- por quem tem mais tempo de passado do que de futuro. Quando temos uma perspectiva de 60, 80 anos de vida pela frente, o futuro parece um lugar mágico e abstrato onde pode se depositar tudo, principalmente sonhos e medo. Quando a perspectiva é de dez anos, por exemplo, aprendemos que cada dia que vivemos conta muito. Portanto, o que a professora de Stanford descobriu é óbvio. Mas, ao mesmo tempo, nos surpreende. O espanto com o achado da pesquisa, muito provavelmente, tem a ver com mais uma das ideias enganosas que fazemos sobre os mais velhos: a de que eles são desorientados e frágeis e de que precisam da ajuda dos filhos para guiá-los.

Ah, mas eles precisam, sim, dos filhos ou cuidadores ou familiares, você pode argumentar. Sim, precisam. Precisam do delivery de pessoas mais jovens, precisam conversar para se sentir menos sozinhos. Mas essas são necessidades universais, não apenas dos mais velhos. Além disso, pessoas com mais de 60 não são uma coisa só, são um mosaico de diversidade. Alguns têm limitações físicas, outros são totalmente autônomos. Alguns estão em casas de repouso, outros trabalham para sustentar filhos e netos.

Temos uma tendência de sermos condescendentes com os mais velhos, de subestimá-los e infantilizá-los. Em inglês, esse tipo de tratamento é conhecido como "patronizing" e encabeça a lista de preconceitos do idadismo. Como me disse minha mãe, recentemente: "Eu sou adulta, posso decidir quando usar máscara ou passar álcool gel nas mãos, não precisa ficar me lembrando disso o tempo todo".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Blog Nós