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Ana Paula Xongani

Todo mundo de máscara: o que elas dizem sobre nós?

Reprodução/Mamaafricaprint/Pinterest
Imagem: Reprodução/Mamaafricaprint/Pinterest
Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista do UOL

29/10/2020 04h00

Nesta semana, precisei sair de casa para um trabalho. Quando chegou a hora de escolher uma entre tantas máscaras, me peguei refletindo que queria uma amarela. Além de ser minha cor preferida, também combinava com a minha roupa.

Com a flexibilização do isolamento social, estamos saindo mais e interagindo mais com a presença de outras pessoas, ainda que respeitando algumas regras de distanciamento. Então, de uma hora para outra, a máscara passou a ser um elemento necessário, e sem previsão à vista sobre o prazo para que ela deixe de fazer parte das nossas vidas.

Desde que foi instituído seu uso, no entanto, há que se notar uma coisa: quase todo mundo que tem uma máquina de costura, mas sobretudo pequenos empreendedores, aproveitou a necessidade, que virou oportunidade, para produzir máscaras. De hobby ao complemento na renda, quando não única fonte de renda, muitas pessoas passaram a fazer isso.

E com tanta gente diferente produzindo máscaras, o que acabamos vendo por aí, nas ruas, nas redes sociais, em vários lugares? Uma infinidade de modelos, cores, estampas, tamanhos, formatos. Uma grande diversidade mesmo, com máscaras para todos os gostos e bolsos. Diferentes opções para que, quando possível, as pessoas possam escolher.

Isso é uma das coisas mais legais da moda: poder escolher. Mas, só conseguimos escolher quando temos opções. A chegada da obrigatoriedade das máscaras se mostra como uma grande referência não apenas sobre a beleza e importância disso, mas a possibilidade da escolha acontecer. É também moda sendo feitas por diferentes mãos. Múltiplas pessoas gerando produtos que garantem opções para quem consome. E quer saber o reflexo disso?

Quando temos opções, conseguimos encontrar produtos que dialogam com a gente, com o que a gente é, com nossas subjetividades, como a minha máscara amarela, que falei lá no início. Ninguém escolhe nada aleatoriamente. A gente sempre faz escolhas que dizem algo sobre a gente, em algum nível.

Podemos priorizar conforto, preço, funcionalidade, estética, tudo isso junto. São muitas as possibilidades. Tem gente que troca máscara ao longo do dia, tem gente que faz um color block com ela, tem gente que combina com a roupa, tem gente que usa máscara com sorriso estampado, gente que usa máscara vazada pra não ter a expressão coberta por ela e tem gente que não está nem aí pra nada disso. Eu acho bonita essa diversidade toda.

O uso das máscaras com certeza reflete outras escolhas que fazemos sobre moda e isso é muito legal. A partir do momento que estamos passando, que é sim muito complexo e difícil, conseguimos também perceber, com a lente da moda, como se dão os movimentos do processo de produção de um acessório com a participação de uma gama enorme da população.

E tem mais: grandes marcas perceberam o movimento a isso e também começaram a produzir as suas próprias máscaras, imprimir o seu valor agregado a um item de uso cotidiano, aproveitando a oportunidade para estar próxima de quem as curte, mas também, claro, de estampar suas marcas em uma área tão importante do nosso corpo, o rosto.

A partir dos diálogos, dos encontros, nosso rosto comunica demais o momento presente, o instante. A expressão facial é também uma comunicação não verbal, e nosso rosto comunica tudo isso. Percebem como são grandes as escolhas que fazemos quando algo vai cobrir tudo isso?

Eu escolhi a máscara amarela, minha cor preferida. Vibrante e solar. E você? O que anda escolhendo?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.