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Ana Canosa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bombeiro e dominatrix: por que o tesão ajuda a melhorar a nossa vida

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Imagem: UOL
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Ana Canosa

Ana Canosa é psicóloga clínica, sexóloga, professora, escritora e comunicadora. Apresenta o podcast Sexoterapia, em Universa/UOL. Sendo há 28 anos testemunha das mais diferentes histórias afetivas, é categórica em afirmar que muitas vezes, só o amor não é suficiente. Fala de sexualidade desde que se entende por gente, unindo seus estudos acadêmicos com a experiência clínica e seu olhar de observação do mundo.

Colunista do UOL

04/06/2022 04h00

Não é verdade que as mulheres só têm fantasias sexuais românticas ou ligadas à submissão. Conheço uma porção que adora ver homens fazendo sexo entre si, outras que imaginam transar com desconhecidos no banheiro de uma balada qualquer, outras que piram com cenas de orgia. Outro dia, uma conhecida fez um curso de dominação. Chamou o ex-marido, com quem sempre teve muita química sexual, e se pôs a testar seus dotes recém-adquiridos na arte do BDSM.

Colocou o sujeito sentadinho na cama, e se pôs sentada em uma cadeira à sua frente, de corpete de látex. Olhando bem dentro dos seus olhos, foi lentamente falando sobre o que ia acontecer, sobre as regras, as palavras de segurança, e ele achando aquilo meio engraçado.

Foi quando, sem aviso prévio, ela tacou-lhe um tapa bem dado na cara — o que fez o homem perder o rumo e entender que a dominatrix não estava de brincadeira e o jogo tinha começado. Melhor do que ter uma boa relação com um marido, é ter uma ótima com o ex-marido. Vai por mim.

Mas é claro que ainda há muito romantismo no imaginário feminino, pois culturalmente o sexo esteve atrelado ao amor, para as mulheres, pelo menos nos últimos três séculos. Então, as imagens mentais consideradas excitantes e que ativam o desejo e fomentam a excitação ainda podem ter, no universo feminino geral, um caráter de conexão afetiva e de ser seduzida por figuras consideradas "machos padrão". E tudo bem também.

Bombeiros e o tesão da mulherada

Estava eu conversando sobre o tema com um coleguinha da minha aula de pilates, dono de uma grande empresa, que me contou a seguinte história. Ele falou, com um certo incômodo, sobre o ócio dos bombeiros que ele é obrigado a ter na empresa. Não era uma questão de descaracterizar a importância da profissão, ele sabe que são treinados para emergências importantes, mas não era o que acontecia de fato.

Semanalmente, em algumas trocas dos turnos, o trabalho aumenta para os bombeiros de porte atlético a fim de socorrer as moças da empresa. Elas sofrem desmaios, ataques de asma e taquicardia — segundo eles, teatro puro. Ele me conta, indignado, que paga os bombeiros para ressuscitar o tesão da mulherada da empresa.

Nada mais justo, lhe digo, pois a pele é um órgão sexual importantíssimo. Já está mais do que comprovado cientificamente a importância do toque na produção de ocitocina, que é um hormônio que promove sentimentos de amor, união social e bem-estar.

Sendo assim, eu disse ao meu colega que ele estava olhando pelo lado errado da coisa. Enquanto houver bombeiros interessantes na empresa, mais funcionárias ficarão felizes com o labor. É meia hora de pausa no trabalho, para o aumento da produtividade depois. Certeza.

Vai ter riso solto durante o horário de café, quando as colegas tramarão o próximo mal súbito, fazendo um rodízio para não dar na cara. Se isso não faz parte de um programa de bem-estar e saúde mental no trabalho, não sei o que faz.