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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Comunicação sexual: um importante ingrediente para a satisfação de casais

PeopleImages/Getty Images/iStockphoto
Imagem: PeopleImages/Getty Images/iStockphoto
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Ana Canosa

Ana Canosa é psicóloga clínica, sexóloga, professora, escritora e comunicadora. Apresenta o podcast Sexoterapia, em Universa/UOL. Sendo há 28 anos testemunha das mais diferentes histórias afetivas, é categórica em afirmar que muitas vezes, só o amor não é suficiente. Fala de sexualidade desde que se entende por gente, unindo seus estudos acadêmicos com a experiência clínica e seu olhar de observação do mundo.

Colunista de Universa

23/04/2022 04h00

O conceito de satisfação sexual é bastante subjetivo. Embora orgasmo e frequência sexual sejam os maiores preditores dela em pesquisas, pode incluir ainda a realização de fantasias sexuais, química entre as parcerias, espontaneidade, conexão, intimidade, desejo, atração sexual. O peso de cada um desses fatores na lógica da satisfação sexual é individual e variável.

À exceção de atração sexual e a tal química do desejo, é possível aprimorar a prática sexual, e o papel da comunicação sexual entre casais vem sendo cada vez mais destacada como forte aliada nesse processo. Relaxamento, toques e carícias, medicações, espaço para intimidade - tudo isso ajuda, mas pode não ser suficiente para um casal que não se comunica bem.

Além disso, é interessante perceber que muitos casais conseguem ter uma ótima comunicação geral sobre as coisas da vida, mas quando chega na questão sexual, se sentem intimidados. Vergonha, educação sexual rígida, problemas de identidade sexual, influência de aspectos familiares e religiosos, traumas, normas de gênero, tudo isso interfere na liberdade da comunicação e no medo do julgamento do outro.

A comunicação sexual tem dois importantes vetores: o que os pesquisadores chamam de "conteúdo sexual" - crenças, expectativas e atitudes em relação ao sexo - e os "processos", ou seja, a maneira como as conversas sexuais se dão e ambos podem ter resultados distintos em termos sexuais.

O conteúdo traz indicativos sobre o nível de conhecimento sexual, educação, consciência e experiência - já os processos desvelam dinâmicas de poder e segurança emocional para a discussão dos problemas sexuais. Muitas vezes, um casal mesmo que esteja consciente e tenha conhecimento sobre a importância de compartilhar desejos ou frustrações, podem não conseguir fazê-lo por medo de perder o controle sobre a relação e sobre a outra pessoa. Olhar para a nossa vulnerabilidade nesse campo, nunca é fácil.

Uma pesquisa norte-americana com 142 casais heterossexuais, casados ou namorados, mas todos coabitando, com idades bastante variadas, assim como tempo de relacionamento resolveu investigar como a comunicação sexual afeta a satisfação sexual, usando uma série de perguntas sobre os tópicos envolvidos na satisfação sexual, quanto nos dois fatores de comunicação sexual.

Os resultados apontaram que, enquanto o conteúdo sexual prediz satisfação no relacionamento o processo não necessariamente. Maior variedade de tópicos sexuais indica processos mais positivos, ou seja, quando um casal se arrisca a conversar sobre vários conteúdos sexuais, parece que vão aos poucos encontrando uma dinâmica mais aberta e menos ansiosa.

Já sabemos que pessoas com perfil julgador ou extremamente crítico, tendem a logo colocar uma barreira na comunicação, pois a parceria ouvinte sente que não pode ser sincera sobre seus desejos, emoções e pensamentos. Os pesquisadores perceberam também que as mulheres que sentiam que contribuíam positivamente para a comunicação sexual e geral dos casais eram mais propensas a ter parceiros sexual e relacional mente satisfeitos e a estarem satisfeitas consigo mesmas.

Aqui há questões importante para refletir. De um lado há nesse resultado aquele nosso velho cansaço sobre como as mulheres ficaram "encarregadas" pela comunicação emocional do relacionamento - sendo que a sexualidade está incluída. Várias pesquisas sobre educação sexual apontam para o fato de que são as mulheres que a fazem com seus filhos e filhas, não os pais.

Por outro lado, como falar sobre desejo ainda é difícil para muitas mulheres, parceiros têm receio de colocar seus desejos, ou porque elas barram a comunicação logo de início, ou porque eles também não sabem como trazer o erotismo para a "mulher bela-recatada e do lar" - além disso, abordar assuntos que ampliam o sexo tradicional é estar sujeito também a ouvir fantasias e desejos da outra parte - e o medo de descobrir o que se avalia não dar conta de receber - pode emudecer qualquer um. Quantos homens que têm vidas paralelas sexualmente, por exemplo, não abrem a conversa sobre o relacionamento aberto porque não querem imaginar que suas mulheres também têm desejos fora da relação.

Ainda sobre como emolduramos o sexo em papéis de gênero pré-definidos nos relacionamentos heterossexuais a pesquisa revelou que as mulheres que estão atentas às expectativas sexuais de seus parceiros - o que inclui frequência sexual - provocam maior satisfação sexual deles. Em relação as mulheres, a conclusão foi da importância de que os homens estejam sintonizados com a comunicação das necessidades sexuais delas.

As mulheres que se comunicaram mais, obtiveram mais orgasmos, então aqui há também uma importante conclusão: seja responsável pelo seu próprio prazer, comunicando-o às suas parcerias. Acabou a era da bola de cristal. E se o seu parceiro se fechar para a comunicação, repense essa relação.