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Eleições: 16 iniciativas do Twitter e outras redes sociais contra fake news

Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Lula e Simone Tebet, em debate do UOL em parceria com Band, Folha e Cultura - Reprodução
Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Lula e Simone Tebet, em debate do UOL em parceria com Band, Folha e Cultura Imagem: Reprodução

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

16/09/2022 04h00Atualizada em 16/09/2022 13h20

A campanha eleitoral na internet começou oficialmente em 16 de agosto com fake news circulando já nos primeiros dias. Para não repetir 2018, quando a circulação de notícias falsas saiu do controle na web, as principais redes sociais no Brasil lançaram iniciativas contra a desinformação na campanha de 2022.

Por outro lado, mesmo com adoção de medidas internas, as plataformas têm lidado com decisões da Justiça Eleitoral determinando a retirada do ar de fake news que acabaram passando pelo filtro dos algoritmos.

Uma das principais fake news deste ano é a do fechamento das igrejas, propagada por bolsonaristas contra o ex-presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já mandou, inclusive, apagar postagens sobre o tema.

Além disso, as próprias plataformas passaram a retirar conteúdos falsos, como aconteceu com o YouTube, que derrubou a live de Bolsonaro em que atacava a lisura das urnas eletrônicas. O Twitter também já reagiu neste ano contra uma deepfake sobre uma pesquisa falsa.

O 'kit gay' foi pior

Para o professor de Ciência Política da UFPR (Universidade Federal do Paraná) Emerson Cervi, apesar de a circulação de fake news ainda existir em 2022, a incidência tende a ser menor ao fim do pleito em comparação a 2018.

Quatro anos atrás, a fake sobre o "kit gay", por exemplo, se espalhou por impulso de páginas conservadoras, o que precisou de intervenção do TSE, que proibiu o então candidato Bolsonaro de mencionar a informação falsa na campanha daquele ano.

"Se compararmos a eleição de 2018 com a de 2022, que ainda não terminou, vejo que existe diferença. O primeiro motivo é letramento do próprio eleitor. Parte dos que difundiam as fake news por desconhecimento aprendeu e toma mais cuidado. Agora tem uma parte que distribui fakes sabendo que é falso, mesmo sem base na realidade", afirmou.

O que também tem gerado uma restrição de fakes é um efeito judicial. A Justiça não pode prever um crime, mas de 2018 para cá percebemos uma maior resposta do judiciário, que passou a ser mais acionado. Isso fez uma série de ações, que ocorriam em 2018, a não existirem mais, como a retirada do ar de páginas famosas que difundiam fakes".

Cervi ainda considera que as próprias big techs têm contribuído para que fakes news polêmicas já desmentidas, como a do "kit gay", não voltem à tona com a mesma força.

"As ações das próprias empresas limitaram e inibiram o efeito danoso disso para o debate público", ressalta.

Tilt consultou as principais plataformas acessadas no Brasil e reúne as medidas mais importantes adotadas para combater as fakes news nas eleições.

Meta: Facebook e Instagram

Facebook e Instagram - Reuters - Reuters
Facebook e Instagram
Imagem: Reuters

Em comunicado conjunto através da Meta, tanto o Facebook quanto o Instagram informaram terem tomado medidas para combater a desinformação no pleito deste ano.

Levantamento de Tilt com base em dados públicos do TSE mostra que ambas lideram como as principais redes sociais usadas pelos candidatos em 2022, com mais de 13 mil registros para cada.

  • Remoção de conteúdo

Uma das medidas de combate a potenciais interferências no processo eleitoral é a remoção de contas e conteúdos falsos que violam as políticas de comunidade. Segundo a Meta, esse mecanismo acontece por meio de Inteligência Artificial, sendo responsável por mais de 99% dos banimentos antes mesmo serem denunciadas.

  • Centro de operações

A Meta ainda diz ter ativado o "Centro de Operações para Eleições", que "reúne especialistas de toda a empresa, incluindo equipes de inteligência, ciência de dados, engenharia, pesquisa, operações, jurídica e políticas públicas".

"Juntas, elas identificam possíveis ameaças nas plataformas da Meta em tempo real e aceleram o nosso tempo de resposta", informou.

  • Parcerias com agências de checagens

Para 2022, aumentou de quatro para seis o número de parceiros de verificação de fatos para checagem de publicações. O UOL Confere faz parte da parceria neste ano.

"Quando as agências marcam um post como falso, reduzimos seu alcance no Facebook e no Instagram", explicou a empresa.

WhatsApp

Após banir 360 mil contas no Brasil nas eleições de 2020, o WhatsApp diz que continua em alerta sobre criação de canais inautênticos no pleito deste ano.

WhatsApp - Mika Baumeister/Unsplash - Mika Baumeister/Unsplash
WhatsApp
Imagem: Mika Baumeister/Unsplash

"WhatsApp tem sido uma das poucas plataformas de mensagens a se aprimorar para conter viralidade no aplicativo e prestigiar as interações significativas entre as pessoas", afirmou.

  • Disparos em massa proibidos

O aplicativo firmou parceria com o TSE para combater as fakes news, permitindo a denúncia de mensagens de cunho eleitoral que violem as regras da plataforma, com o disparo de conteúdos em massa, o que é proibido pela legislação. A denúncia pode ser enviada ao canal criado para esse fim.

Dentro do próprio WhatsApp, aliás, desde 2021, é permitido que os próprios usuários denunciem algum conteúdo dentro do aplicativo. Basta manter a mensagem pressionada para a opção aparecer.

  • Restrição de compartilhamentos

Medidas implantadas para as eleições de 2020, segundo o WhatsApp, ainda permanecem para 2022, como a restrição de compartilhamento de conteúdos.

Mensagens "frequentemente encaminhadas", que passaram por cinco ou mais encaminhamentos, agora só podem ser reenviadas para uma única conversa por vez.

A medida mais recente implantada pelo WhatsApp é de abril de 2022, quando o encaminhamento das mensagens novamente passou a permitir somente um grupo por vez. Antes, a plataforma permitia cinco grupos ao mesmo tempo.

Twitter

De acordo com o Twitter, desde abril de 2022, medidas de combate à desinformação estão sendo adotadas na rede social.

Twitter - Dado Ruvic/Reuters - Dado Ruvic/Reuters
Twitter
Imagem: Dado Ruvic/Reuters

A rede social, inclusive, se manifestou contra a primeira deepfake eleitoral, quando bolsonaristas manipularam um vídeo de uma pesquisa divulgada pelo Jornal Nacional.

  • Política de Integridade Cívica

Uma das principais elencadas pela rede social é a aplicação da Política de Integridade Cívica, "uma camada extra de proteção para garantir que o debate público que acontece no Twitter permita que os eleitores exerçam seus direitos e responsabilidades".

Com isso, o Twitter afirma que trabalha para inibir conteúdos que tenham os seguidos objetivos:

  1. Intimidar a participação das pessoas em atos cívicos ou induzi-las ao erro sobre como fazer parte deles;
  2. Fazer afirmações falsas ou enganosas que prejudiquem a confiança no ato em si, como por exemplo informações não verificadas sobre fraude eleitoral;
  3. Indicar intencionalmente afiliação falsa ou indevida a candidatos, partidos e outras instituições.
  • Criação de moments

O Twitter ainda diz que, em parceria com o TSE, implementou "a ativação de avisos de busca (search prompts) para que o primeiro resultado de pesquisas por termos relacionados às eleições seja uma notificação com um link para o perfil do Twitter e a página do órgão ou Twitter Moments, com dados úteis sobre o processo eleitoral".

A plataforma ainda criou "Moments para esclarecer e dar contexto para informações potencialmente enganosas sobre política e eleições, com informações adicionais de fontes confiáveis".

TikTok

TikTok - Mourizal Zativa/Unsplash - Mourizal Zativa/Unsplash
TikTok
Imagem: Mourizal Zativa/Unsplash

Rede social tendência para viralizar vídeos de campanha, o TikTok diz que não se considera como "o principal destino para o debate político ou notícias de última hora", além disso afirma que não aceita anúncios políticos pagos porque isso "não combina com a experiência da plataforma".

  • Hastags sobre eleições

Para ajudar no combate à desinformação, o TikTok criou adotou avisos em diversas páginas de hashtags relacionadas às eleições no Brasil a fim de lembrar as Diretrizes da Comunidade, conferir as informações e relatar conteúdo que acreditem violar as regras da rede social.

"Buscamos evitar que conteúdo enganoso que possa prejudicar esse processo seja compartilhado. Conforme deixamos claro em nossas Diretrizes da Comunidade, removemos conteúdos enganosos e danosos sobre processos cívicos quando identificados", garante.

  • Filtros de conteúdos por equipes

Relatos de fake news, diz o TikTok, são enviados diretamente para uma equipe responsável por analisar se o conteúdo viola as regras da rede social.

Para denunciar um vídeo na plataforma, basta clicar em "compartilhar" no canto inferior direito, e em seguida, em "relatar". Após isso, só escolher a opção "informações enganosas".

  • Parcerias com agências de checagens

Para 2022, a empresa ainda fechou parcerias com agências de checagens de fatos. Em potenciais vídeos com informações falsas, um aviso aparece com a seguinte frase quando alguém tenta compartilhá-lo: "Cuidado. Vídeo sinalizado como conteúdo não verificado".

Kwai

App Kwai - Divulgação - Divulgação
App Kwai
Imagem: Divulgação

Rival do TikTok, o Kwai afirma defender a "liberdade de expressão" ao mesmo tempo em que "combate conteúdos que tenham o potencial de prejudicar o processo democrático pela distribuição de informações falsas".

  • Remoção de conteúdo

A rede social informou a Tilt que atua para remover conteúdos que tenham finalidade de propagar informações falsas sobre como participar do processo eleitoral; intimidação e incitação ao boicote às eleições; sobre a integridade eleitoral; sobre candidatos; e sobre conteúdos que infringem a legislação eleitoral.

  • Canal de denúncia

Além disso, a plataforma diz que possui um espaço para denúncias. Para isso, basta entrar no perfil que propaga fake news, clicar nos três pontos no canto superior direito e aperta em "denunciar". Para vídeo, o usuário escolhe a opção "compartilhar" e seguir os mesmos passos para um perfil.

  • #FatoOuBoato

O Kwai ainda elenca como iniciativa de combate às fakes a criação da página especial #FatoOuBoato, com informações relacionadas às eleições para desmistificar temas como fraudes na urna eletrônica, votos em branco e nulos e acesso à documentação eleitoral.

YouTube

Um dos principais redutos de alas conservadoras da política, o YouTube avalia que a plataforma tem sido um dos principais refúgios do eleitor "para obter informações sobre onde e como votar, saber mais sobre um candidato, checar a veracidade de uma informação, ver as últimas notícias sobre as eleições ou simplesmente para acompanhar de perto a corrida eleitoral no Brasil".

Youtube - Getty Images - Getty Images
Youtube
Imagem: Getty Images

Em razão disso, a plataforma diz que tem atuado no que chama de "4Rs":

  1. Remoção de conteúdos que violam as políticas do YouTube o mais rápido possível;
  2. Redução da disseminação de conteúdo que está no limite da conformidade as regras da plataforma;
  3. Recomendação de fontes confiáveis; e
  4. Recompensas a produtores de conteúdo qualificados.
  • Conteúdos duvidosos fora do ar

A plataforma de vídeos ainda afirma que remove por conta própria conteúdos que questionam a integridade de eleições ou que contenham "informações falsas sobre fraude generalizada, erros ou problemas técnicos que supostamente tenham alterado o resultado de eleições anteriores, após os resultados já terem sido oficialmente confirmados".

O YouTube ainda diz que algoritmo trabalha para retirar do site vídeos que tratem de supressão de eleitores, que atacam a qualificação dos candidatos com informações falsas e que incitem a população a interferir no processo democrático.

Telegram

Depois de atrito com o STF (Supremo Tribunal Federal) neste ano, o Telegram decidiu colaborar com o processo eleitoral. O aplicativo chegou a ser suspenso por ordem do ministro Alexandre de Moraes por ignorar ordens judiciais contra usuários que propagavam fake news e discursos de ódio.

Telegram - Getty Images - Getty Images
Telegram
Imagem: Getty Images

A plataforma, que designou um advogado no Brasil para responder ações judiciais, optou por firmar parceria com o TSE e amenizou o conflito com a justiça brasileira.

  • Selo de verificação para canais

A parceria foi firmada em maio de 2022 visando as eleições. No documento assinado com o TSE, o Telegram se comprometeu em autenticar com selo de verificação de contas oficiais de candidatos e de órgãos públicos envolvidos no pleito a fim de não confundir o eleitorado sobre a confiabilidade da fonte de informações.

  • Marcar posts duvidosos e canal de denúncia

Além disso, o Telegram passou a marcar publicações que tenham violado políticas dos termos de uso do usuário da plataforma "se as informações forem imprecisas".

Assim como demais plataformas de rede social, o Telegram também promove um canal dentro do próprio aplicativo para denunciar qualquer postagem pelos seus usuários.