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Facebook remove deepfake em que Zelensky declara rendição; assista o vídeo

Claramente manipulado, vídeo foi o primeiro caso de deepfake usado como arma de guerra - Reprodução
Claramente manipulado, vídeo foi o primeiro caso de deepfake usado como arma de guerra Imagem: Reprodução

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt, de São Paulo

19/03/2022 16h57

Nos últimos dias, circulou nas redes sociais uma montagem de vídeo com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarando rendição à Rússia. O deepfake foi desmentido e as postagens removidas pela Meta — empresa-mãe do Facebook, Instagram e Whatsapp.

O vídeo foi inicialmente exibido pela emissora de televisão Ukraine 24, que teria sofrido um ataque hacker, e logo se espalhou pelo Facebook, Youtube, Telegram e pela plataforma russa VKontakte. Nele, Zelensky pedia para os soldados baixarem armas e voltarem para suas casas.

Assista o vídeo:

Este deepfake não era dos mais bem feitos: o presidente quase não se movimenta, sua voz está em um tom diferente e a cabeça parece fora de proporção, maior e mais pixelada que o corpo, com um pescoço comprido. Foi produzido a partir de um frame de um pronunciamento antigo.

Pelo aspecto grotesco, foi rapidamente desmascarado e removido.

deepfake - Snopes - Snopes
Imagem: Snopes

Apesar de pouco convincente, o recurso era capaz de enganar muita gente no pouco tempo em que circulou. Ele primeiro apareceu em texto, na barra de notícias que fica abaixo dos telejornais, e depois foi publicado no site.

Minutos após a transmissão, na quarta-feira (16), Zelensky postou um vídeo em suas redes sociais, chamando o deepfake de "provocação infantil". "Se posso pedir para alguém baixar armas, são os militares russos. Vão para casa! Porque nós estamos em casa. Estamos defendendo nossa terra, nossos filhos e nossas famílias."

A Meta, o Twitter e o Youtube já declararam que estão deletando postagens com o vídeo. Ele viola as políticas de todas as plataformas, por espalhar desinformação, fake news e mídia manipulada.

Este foi o primeiro caso de deepfake usado como arma, intencionalmente em um contexto de guerra. Ainda não está claro quem hackeou o sistema da Ukraine 24 ou quem fez e distribuiu a montagem.

Como é feito?

Casos de deepfake são cada vez mais comuns e preocupantes. O termo é uma mistura das expressões deep learning (tipo de aprendizado de máquina que treina computadores para realizar tarefas como seres humanos) e fake (falso, aqui no caso sendo uma abreviação para "perfis falsos").

A técnica, basicamente, usa recursos de inteligência artificial para manipular imagens, por exemplo, substituindo rostos em vídeos. As deepfakes se popularizaram ao serem usadas em paródias e no cinema — um uso lícito, para fins de entretenimento.

Mas logo passaram a ser usadas também para enganar pessoas, em vídeos de desinformação, distorcendo falas e gestos. E é este o risco: apesar de parecerem legítimos, foram alterados e descontextualizados.

Têm sido constantemente usados em conteúdos políticos e até em pornografia com "celebridades". Aqui no Brasil, às vésperas de eleições, Lula, Dilma, Moro e o presidente Bolsonaro já foram alvos deste tipo de manipulação.