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Arma termobárica: como funciona o tipo de bomba que Rússia tem em arsenal

Explosão de arma termobárica feita pela Marinha dos EUA em 1972 - Marinha dos EUA/Wiki
Explosão de arma termobárica feita pela Marinha dos EUA em 1972 Imagem: Marinha dos EUA/Wiki

Rosália Vasconcelos

Colaboração para Tilt*, no Recife

02/03/2022 10h19Atualizada em 05/03/2022 16h56

A ofensiva militar da Rússia contra a Ucrânia pode ter mais um desdobramento em relação aos ataques terrestres e aéreos caso o presidente russo, Vladimir Putin, decida usar armas termobáricas contra o antigo território soviético. Elas são consideradas mais graves depois das bombas nucleares.

A suspeita começou no último fim de semana, após as forças ucranianas — militares e civis — reagirem aos ataques da Rússia e atrasar os planos do Kremlin de tomar Kiev, capital da Ucrânia, em 48 horas. No sétimo dia do confronto a tensão aumenta por lá. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 835 mil pessoas já fugiram.

O site britânico Mirror afirmou que as armas TOS-1 Burantino foram vistas cruzando a fronteira com a Rússia. Especula-se também que o TOS-1A Solntsepek também poderá ser usado. Os dois mísseis são considerados as armas não-nucleares mais perigosas e letais do mundo.

Entenda a seguir como arma termobárica, conhecida como "Pai de Todas as Bombas", funciona e seus riscos.

Mapa Rússia invade a Ucrânia - 26.02.2022 - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Suspeitas de que a Rússia pode usar a arma

Alguns vídeos têm circulado na internet, mostrando explosões imensas em formato de cogumelos, que se assemelham à detonação de armas nucleares, aumentando as especulações em torno do uso do míssil termobárico.

Ainda que o uso ainda não tenha sido confirmado, a Rússia é um dos poucos países que possuem esse tipo de poder em seu arsenal. Por isso, existe a preocupação.

Um especialista em inteligência de armas e artilharia, NR Jenzen-Jones, postou no Twitter que uma ampla gama de equipamentos militares foram vistos na invasão da Rússia, incluindo lançadores de foguetes termobáricos de vários canos da série TOS-1.

NR Jenzen-Jones lembrou no post que "embora os ataques tenham sido relativamente limitados até agora, o TOS-1 tem potencial para graves violações de direitos humanos, especialmente devido ao histórico de uso da Rússia".

Ele deu como exemplo o uso desse tipo de arma na Chechênia e na Síria.

Por que as armas termobáricas são perigosas?

O míssil termobárico é conhecido por muitos nomes como: bomba de aerossol, bomba de vácuo e explosivo de ar combustível. É uma bomba não nuclear que tem uma explosão equivalente a mais de 44 toneladas de TNT dentro de um raio de cerca de 300 metros, a depender da topografia do terreno. Em termos comparativos, pode ter a capacidade de destruir um bairro inteiro.

Por isso o equipamento é um dos tipos de arma de guerra mais brutal que existe. Ele não é usado para ataques de precisão, mas para fazer uma varredura em uma determinada área.

A explosão mísseis assim é capaz de dizimar edifícios, desintegrar uma pessoa e acabar com criaturas vivas por quilômetros ao redor, o que poderia causar grande perda de vidas e transformar as cidades em escombros.

Segundo o que já se sabe sobre a tecnologia, ao ser lançada, a bomba termobárica passa por uma pequena explosão, que evapora rapidamente como um aerossol, capaz de penetrar em edifícios e lugares baixos, como porões, bunkers e cavernas.

Um grande explosivo é programado para explodir logo depois. Ele é embalado com grãos metálicos finos. Essas partículas, geralmente à base de alumínio, inflamam uma fração de segundo depois e queimam em temperaturas muito altas, na casa dos 3 mil graus Celsius, criando uma bola de fogo e uma tempestade de metal.

Ainda assim, esse não é o efeito mais devastador da explosão. É a onda de choque intensa e o vácuo resultante que fazem mais estragos. Basicamente, sua força esmaga suas vítimas até a morte, sendo capaz de quebrar ossos, desalojar olhos, estourar tímpanos e dividir órgãos internos. Sem falar que suga todo o ar dos pulmões.

A ciência por trás da arma

Os mísseis termobáricos são preenchidos com um combustível volátil e vaporoso altamente explosivo e uma mistura química, que ao detonar provoca ondas de explosão supersônicas, misturando-se com o ar.

A maioria dos explosivos da composição detona na primeira etapa, num efeito que se assemelha a um borrifador. Eles podem ser identificados por sua explosão de queima relativamente prolongada. O resultado é um efeito de vácuo que suga todo o ar do nível do solo e o lança para cima em uma enorme nuvem de cogumelo.

Segundo um artigo da revista Passadiço, do Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão, da marinha do Brasil, os explosivos são metais ou óxidos de etileno ou propileno.

"Essa última classe de compostos são substâncias químicas oxigenadas altamente perigosas, pois, mesmo que haja alguma falha e não detonem, são capazes de causar queimaduras e efeitos danosos ao ser humano por contato e inalação", diz o material.

Na segunda etapa, há uma nova explosão que inflama o combustível que havia sido pulverizado. É nesse momento que acontece uma violenta detonação, deslocando grande volume de ar e produzindo pressões enormes no ar.

"Ao contrário dos explosivos tradicionais, a arma termobárica, ao detonar, consome o ar atmosférico afetando os alvos por meio de onda de choque e efeitos secundários da queima de oxigênio. Destaca-se, por exemplo, que pessoas localizadas a poucos metros do ponto de explosão são desintegradas e aquelas a dezenas de metros podem sofrer impactos severos no organismo", acrescenta o artigo.

*Com informações de agências de notícias e dos sites Independent, Mirror e News (Austrália).

Errata: o texto foi atualizado
O míssil termobárico tem uma explosão equivalente a mais de 44 toneladas de TNT dentro de um raio de cerca de 300 metros, a depender da topografia do terreno.