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Brasil terá entrega via drones, mas queremos um enxame deles sobre nós?

Drone do iFood pousando em "droneporto" - iFood
Drone do iFood pousando em "droneporto" Imagem: iFood

De Tilt*, em São Paulo

27/01/2022 11h38

O Brasil agora tem autorização para começar a ter delivery feito com drones comerciais. Na semana passada, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) concedeu uma licença para o iFood operar drones e, assim, facilitar o transporte e a entrega de alguns itens — eles não irão até a janela da sua casa ou apartamento.

Apesar da novidade, é importante ressaltar os desafios que a nova modalidade de entrega ainda tem. Pare para pensar, por exemplo, na complexidade de carregar entregas por aí sem que elas caiam ou mesmo num enxame de drones passando sobre sua cabeça.

Os desafios da entrega por drone

Desde 2013, a Amazon sinaliza com a possibilidade de entregar itens com drones. Mas até agora a empresa não possui nada em larga escala. Se o maior varejo do mundo não conseguiu isso ainda, é porque a questão não é tão simples.

Após vários experimentos, a companhia faz alguns testes de entrega em até 30 minutos, mas é algo muito limitado e realizado apenas em alguns locais dos EUA.

Listamos abaixo os principais desafios de se ter entrega por drones:

Segurança: vários drones, de diversos entregadores diferentes, sobrevoando nossas cabeças ainda não é algo completamente seguro. Pode vir a ser quando o 5G permitir uma comunicação eficaz e mais estável entre os equipamentos, como ocorrerá com carros autônomos. Há ainda o perigo de colisão com pássaros em alturas baixas.

Limitações: os drones tradicionais estão limitados a carregar entregas de alguns poucos quilos (o do iFood carregará até 2,5 kg). Ou seja: produtos mais pesados continuariam dependentes da logística convencional.

Poluição sonora: drones são barulhentos. Nesse caso, não teríamos apenas a sensação de um enxame de drones sobre nossas cabeças, mas também o barulho que poderia fazer com que bairros residências barrassem a modalidade. Um estudo da Nasa identificou que as pessoas acham barulhos de estradas menos irritantes que o "buzz" de drones.

Clima: em dias de chuva pesada, aeroportos chegam a ser fechados. Imagina então drones no verão brasileiro de muitas cidades: qualquer tarde teria um acúmulo de entregas por causa de temporais que impossibilitem o transporte.

Privacidade: é uma questão que já acontece. Celebridades de tempos em tempos reclamam em suas redes sociais que drones estão rondando suas casas e tirando fotos. Imagina você no conforto do seu lar e várias aeronaves do tipo indo e vindo por perto. Como ter a certeza de que nenhum está filmando você?

Regulamentação: um dos maiores empecilhos envolve a regulamentação dessa atividade. Autoridades do espaço aéreo são mais cuidadosas ao permitir um novo serviço ou não.

Como vai ser a entrega do iFood

A companhia vai operar o drone DLV-1 Neo, que tem 1,5 m de altura por 1,2 m de largura. Ao todo, ele poderá circular por um raio de até 3 km com entregas de até 2,5 kg. A velocidade máxima atingida por ele é de 32 km/h a 60 metros de altura.

O drone conta com câmeras e conexão 4G e fará um trajeto pré-estabelecido - será carregado com os itens, fará o voo, pouso e decolagem de forma autônoma.

A ideia é que esses veículos ajudem a conectar áreas. Em teste em Campinas (SP), por exemplo, os drones saíam do estacionamento de um shopping até um outro local, mais residencial, onde a entrega era feita por um entregador de bicicleta ou moto. Em Aracaju (SE), o drone era usado para facilitar o acesso a cidades separadas por um rio.

*Com reportagem de Gabriel Francisco Ribeiro, publicada em 2019.