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Roteador mesh: entenda a tecnologia usada pelo Google para ampliar internet

Freepik
Imagem: Freepik

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt, em São Paulo

14/10/2021 13h38

O Google lançou hoje (14) no Brasil o seu dispositivo Google Wifi, que integra um sistema de roteadores do tipo mesh que prometem cobrir toda a casa com wi-fi sem perda de qualidade.

No Brasil, o produto é vendido por R$ 999 a unidade ou em um kit de R$ 1.999 que traz três unidades. Mas o que seria o tal do roteador com tecnologia mesh? E vale a pena?

Wi-fi sem interferência

Na sua casa, é bem provável que você já tenha passado pela situação de estar com o celular na mão vendo um vídeo e, ao ir para algum canto, a transmissão ficar lenta ou até parar. Ou, ainda, ter cantos da sua residência nos quais o sinal de internet é tão ruim que inviabiliza o acesso à rede.

A culpa por isso está no fato de que o sinal de wi-fi não apenas está sujeito a interferências como também tem sua intensidade afetada por obstáculos como paredes e até mesmo espelhos.

Como resolver esse problema? A solução mais em conta é instalar repetidores de sinal ou, até mesmo, um segundo roteador conectado por cabo ao roteador principal.

Em ambos os casos, porém, há problemas: se a escolha for por repetidores, a velocidade de conexão tende a sofrer. Já se você optar por um segundo roteador, além de fazer furos nas paredes terá que configurar o aparelho, algo que não pode ser tão simples para quem não tem experiência com redes.

É justamente aí que entram os roteadores do tipo mesh. O nome é a palavra em inglês para "malha" e ele funciona com o usuário espalhando unidades do aparelho pela casa. O conceito é similar ao dos repetidores de sinal, mas a diferença é que esses aparelhos utilizam tecnologias que permitem que cada um dos aparelhos se comuniquem entre si.

No caso dos repetidores tradicionais, a comunicação ocorre sempre com o roteador principal — com isso, instalar um repetidor muito longe do dispositivo principal implica em degradação do sinal.

Ao ter essa capacidade de "conversarem" de forma independente, os roteadores mesh acabam criando uma rede wi-fi própria, na qual cada um dos pontos de acesso é capaz de identificar qual é o melhor caminho para uma conexão e direcioná-la automaticamente. Para isso, basta que um desses aparelhos seja ligado ao roteador principal da sua casa, por cabo — que, geralmente, acompanha o conjunto.

Uma forma relativamente simples de entender o benefício disso é a seguinte: no caso dos repetidores tradicionais, eles precisam ficar "orbitando" o roteador principal, dentro de um raio no qual o sinal do aparelho principal seja forte. No caso dos do tipo mesh, eles poderiam ser ligados em uma linha reta, desde que cada unidade fique dentro do alcance do sinal da outra unidade mais próxima.

Ainda que cada uma das unidades de uma rede mesh forme uma estrutura própria, na prática eles acabam agindo como uma rede única. Isso evita aquelas situações nas quais você tem que ficar trocando do wi-fi para o 3G/4G no seu celular manualmente dependendo do cômodo em que está.

Por fim, cada uma das unidades desse tipo de roteador tem canais de rádio separados: enquanto uns são dedicados a se conectar com outras unidades da rede, outros se conectam aos dispositivos que vão, efetivamente, usar a internet. Isso, somado ao fato de que eles são capazes de amplificar o sinal, faz com que a velocidade da conexão não se degrade.

Vale a pena?

Tudo depende do quanto você quer gastar. Além do Google Wifi, há aparelhos de outras marcas à venda no Brasil, com preços que começam perto dos R$ 400. Para quem quer praticidade — sem ter que abrir furos pela casa e com configuração e gerenciamento simples e feitos por aplicativo de celular — além de boa qualidade do sinal e está disposto a pagar por isso, essa pode ser uma solução bastante interessante.

Google Wifi chegou ao Brasil no dia 14 de outubro - Divulgação - Divulgação
Google Wifi chegou ao Brasil no dia 14 de outubro
Imagem: Divulgação

Por outro lado, com esse valor é possível comprar um roteador convencional e contratar um profissional para passar um cabo ligando o novo aparelho até o roteador principal. Ok, os convencionais costumam ter visual muito menos elegante do que esses do tipo mesh, mas, em termos práticos, funcionam.

Outro ponto que pode pesar a favor de soluções mais tradicionais é o tipo de aplicação. Para uso mais generalista de internet, como navegar em sites, trabalhar e consumir conteúdos multimídia, os roteadores mesh cumprem o seu papel com tranquilidade. Agora para atividades mais específicas, como games, a solução de melhor desempenho ainda continua sendo ligar o aparelho via cabo diretamente no roteador principal de sua rede.