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Amostra de solo em Marte pode ter indício de condições de vida; veja fotos

Imagem de rocha de Marte tirada pela Nasa - Reprodução/Nasa
Imagem de rocha de Marte tirada pela Nasa Imagem: Reprodução/Nasa

Bruna Souza Cruz

De Tilt*, em São Paulo

11/09/2021 12h08

O robô Perseverance conseguiu coletar duas amostras de rocha em Marte que podem ser de origem vulcânica. Segundo a Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, a presença de sais no material podem ser um indício de condições favoráveis à vida no passado.

O Perseverance extraiu uma primeira amostra da rocha, batizada de Rochette, na semana passada e outras duas dias depois. Em agosto, o robô chegou a fazer a sua primeira tentativa de coleta na rocha Roubion, mas não teve sucesso. A estratégia foi seguir para uma segunda com material mais resistente.

"Parece que nossas primeiras rochas revelam um entorno potencialmente habitável", afirmou Ken Farley, responsável científico do Perseverance, em comunicado.

"Com base nas observações feitas até agora, deduzimos que Roubion e Rochette provêm de antigos derramamentos de lava", disse Katie Stack Morgan, membro da equipe científica do Perseverance. As rochas "mostram indícios de interações importantes" com a água, acrescentou.

Segundo os cientistas, os sais minerais podem ter surgido após a água do solo marciano evaporar, o que fortalece ainda mais a crença dos pesquisadores de que Marte já teve água por um longo período de tempo.

As amostras foram armazenadas em tubos lacrados e mantidas dentro do veículo espacial.

"Minhas duas primeiras amostras de rocha são provavelmente vulcânicas com indícios de sais que podem conter bolhas de água ancestral. Eles são peças de um quebra-cabeça maior, para aprender: como esta área se formou; a história da água; se uma vida passada já existiu aqui", compartilhou o perfil do robô da Nasa no Twitter.

Como é a coleta de rocha em Marte

O Perseverance perfura a rocha marciana com uma broca que fica no final de seu braço robótico, de 2,1 m de comprimento. A partir daí, é que ocorreu a etapa de coleta das amostras do solo.

Durante o procedimento, o rover tira fotos do material no tubo, que são analisadas pelos pesquisadores.

Rover (robô sobre rodas) Perseverance, da missão Mars 2020, da Nasa - Divulgação - Divulgação
Rover (robô sobre rodas) Perseverance, da missão Mars 2020, da Nasa
Imagem: Divulgação

Tentativas

Na primeira tentativa, ocorrida em 6 de agosto, o Perseverance perfurou, coletou e selou uma amostra de rocha, mas a equipe descobriu que o tubo que guardaria o material estava misteriosamente vazio. Depois, foi descoberto que isso aconteceu pois a rocha tinha estrutura frágil demais, e se fragmentou em pedaços pequenos demais para serem coletados.

Para a segunda tentativa, o rover buscou uma região mais alta, e caminhou cerca de 450 metros do ponto da primeira extração, até chegar à rocha Rochette, que parecia ser a mais rígida e firme o suficiente para o procedimento.

O que vem a seguir?

Ainda vai levar um tempo até que os cientistas estudem as amostras de perto e outras que ainda serão recolhidas em Marte.

Entre as missões do Perseverance no planeta vermelho está o trabalho de coleta de rochas e solo que serão enviadas à Terra. A A Nasa planeja uma missão para trazer cerca de 30 amostras para o nosso planeta na década de 2030. Os cientistas poderiam, assim, conduzir análises mais detalhadas para confirmar se houve vida microbiana em Marte.

Enquanto esse momento não chega, o Perseverance continuará explorando a cratera Jezero em companhia do helicóptero Ingenuity.

*Com texto de Renata Baptista e informações das agências de notícias Reuters e AFP