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Após notícia de desligamento, INPE diz que supercomputador será substituído

Supercomputador Tupã - Divulgação
Supercomputador Tupã Imagem: Divulgação

Marcos Bonfim

Colaboração para Tilt

15/06/2021 16h55

Sem tempo, irmão

  • Ministério da Ciência afirmou hoje que supercomputador Tupã será substituído
  • Equipamento é responsável pelo monitoramento da previsão de tempo, de clima sazonal e projeções de cenários de mudanças climáticas
  • Declaração do governo veio após repercussão negativa sobre possível desligamento do Tupã por falta de verba
  • Para coordenador do CPTEC, novo equipamento é paliativo e o INPE precisa de recursos para aquisição de um melhor

Nos últimos dias, o possível desligamento por falta de dinheiro do supercomputador Tupã, responsável pelo monitoramento da previsão de tempo, de clima sazonal e projeções de cenários de mudanças climáticas no Brasil, ganhou força. Nesta terça-feira (15), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações afirmou que ele será substituído por outro.

A resposta do governo veio após a repercussão negativa sobre o possível risco de apagão de dados sobre as condições climáticas no país a partir desse desligamento. Hoje, Marcos Ponte, ministro da pasta, comentou o assunto publicamente.

"Está aqui o diretor do INPE, que agora recebe um novo supercomputador, que agora vai desativar o Tupã, que já cumpriu sua tarefa", afirmou durante cerimônia de assinatura do acordo de apoio ao Programa espacial Lunar Artemis, da Nasa.

Falta de dinheiro?

Até então, a notícia que circulava era a de que o Tupã poderia ser desligado em agosto devido à falta de recursos do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que em 2021 tem o seu menor orçamento da história, R$ 76 milhões. Até o momento, o órgão só recebeu R$ R$ 44,7 milhões — os R$ 31,3 milhões restantes estão contingenciados e sem previsão de liberação.

Diante da polêmica ao longo do fim de semana, Clezio Marcos de Nardin, diretor do Inpe, chegou a divulgar um vídeo sobre a situação. Ele contou que o instituto adquiriu um equipamento equivalente ao Tupã no último dia 3 de junho, a partir de recursos obtidos com a PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), da ONU.

O substituto teria custado US$ 700 mil (cerca de R$ 3,7 milhões), com a previsão de entrega em um intervalo de 60 dias. "Já estamos, inclusive, preparando a infraestrutura. Ou seja, sim, vamos desligar o Tupã (...) por um computador equivalente, mais moderno, mais eficiente energeticamente", afirmou Nardin, na gravação.

Equipamento paliativo?

Apesar do anúncio do substituto do Tupã, a mudança não será uma solução definitiva para a garantia da qualidade de desempenho do equipamento. Gilvan Sampaio de Oliveira, coordenador do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), órgão do próprio INPE, afirmou que o novo supercomputador é um "paliativo", uma solução "só para manter os serviços" em funcionamento.

A afirmação foi dada em audiência pública sobre a crise hídrica realizada na Câmara dos Deputados nesta terça.

De acordo com o profissional, o instituto fez diversas tentativas desde 2014 para obter recursos para aquisição de um novo supercomputador, ainda mais avançado que o Tupã, mas não obteve sucesso.

"O que nós realmente precisamos é de recursos para adquirir uma máquina de grande porte porque isso permitirá que nós avancemos mais rapidamente em todo Sistema Nacional de Meteorologia para melhor antever esses eventos extremos, seja na escala de horas, dias, meses ou anos", afirmou.

Quais os impactos?

As informações geradas pelo Tupã são reportadas pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do INPE, ao Operador Nacional do Serviço Elétrico (ONS), responsável por coordenar a geração e a transmissão de energia elétrica no país inteiro.

Enquanto crescem os riscos de uma crise hídrica, eventuais problemas de desempenho do supercomputador (Tupã ou do novo) poderia gerar um apagão de dados sobre as condições climáticas. O governo ficaria sem informações para acompanhar o clima sazonal e sem visibilidade para definir as estratégias mais adequadas para a crise hídrica, por exemplo.

Atualmente, o governo federal já emitiu alerta de "emergência hídrica" para cinco estados, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.

Os dados levantados pelo equipamento são importantes também para analisar e planejar ações em outras áreas, como agricultura, com previsões sobre safras ou períodos de plantios.

Tupã

O Tupã já deveria ter sido trocado, considerando que a sua vida útil ia até 2017. Uma atualização, no entanto, permitiu que o seu funcionamento fosse estendido até 2022.

Adquirido em 2010 por R$ 50 milhões, o Tupã colocou o Brasil em um lugar de destaque à época. O Top 500, que lista os mais rápidos sistemas computacionais do mundo, o posicionou na 29º lugar, a mais alta que o país já tinha alcançado por uma máquina instalada.

Era também considerado o terceiro mais poderoso entre os supercomputadores dedicados à previsão numérica operacional de tempo e de clima sazonal, segundo informações do INPE.

Tilt entrou em contato com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), ao qual o INPE é vinculado, e com o Ministério de Minas e Energia (MME), mas não obteve retorno até o fechamento da reportagem.