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Descoberta de água em meteorito dá pistas sobre origem da vida; entenda

Pedaços do meteorito Sutter"s Mill - NASA
Pedaços do meteorito Sutter's Mill Imagem: NASA

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

14/05/2021 12h23

Água, em estado líquido, foi encontrada em um meteorito primitivo, que caiu na Califórnia (EUA), em 2012. Essa descoberta nos dá mais pistas sobre a origem do Sistema Solar, dos planetas e da vida.

Cientistas já suspeitavam que meteoroides (pequenas rochas espaciais) do tipo condrito carbonáceo poderiam preservar água muito antiga em seu interior. Mas é a primeira vez que isso foi confirmado.

Água é uma substância relativamente abundante em nosso sistema - há gelo nos anéis de Saturno e nos cometas, água subterrânea na lua Enceladus e possivelmente em Marte, entre diversas evidências fora da Terra. Mas nunca havíamos encontrado água alienígena por aqui.

O meteorito em questão, batizado Sutter's Mill, caiu na Terra em abril de 2012, próximo à cidade de Sacramento, na Califórnia. Ele fazia parte de algum asteroide relíquia, formado há aproximadamente 4,6 bilhões de anos, que pode até ter ajudado a trazer água para nosso planeta.

Sua aparência lembra carvão, realmente preto e bastante frágil. Diversos fragmentos foram recuperados e estudados. Akira Tsuchiyama, da Universidade Ritsumeikan, no Japão, encontrou micro bolsinhos de água líquida, rica em carbono, presos dentro das rochas.

Utilizando avançadas técnicas de microscopia, Tsuchiyama e sua equipe notaram um minúsculo cristal de calcita, abrigando um líquido ainda menor - estamos falando em nanoescala -, contendo pelo menos 15% de dióxido de carbono.

Condritos carbonáceos são especialmente importantes para a ciência, pois remontam à formação do Sistema Solar, da Terra e da vida. Eles contêm uma combinação extremamente rara de materiais, com teor elevado de carbono, incluindo minerais pré-solares, gelo e compostos orgânicos, incluindo os componentes básicos da vida: aminoácidos.

Os pesquisadores acreditam que o asteroide-pai do meteorito californiano se formou com água congelada e dióxido de carbono. Isso significa que ele se originou em uma área fria do Sistema Solar (provavelmente, além da órbita de Júpiter), e só mais tarde seguiu seu caminho em direção ao Sol - e à Terra.

Essa descoberta pode ajudar na pesquisa sobre a origem da água em nosso planeta, sobre a qual há diversas teorias. Uma das principais sugere que a água foi "caindo" na Terra, através de objetos como meteoritos (especificamente, os condritos carbonáceos).

A quantidade de água encontrada nos fragmentos é muito pequena - seria preciso infinitos deles para preencher rios e oceanos. "Mas nosso estudo confirma a presença do líquido. Em outras palavras, se a água nesses minerais contribuiu para a da Terra, então ela pode ser considerada 'mãe' da nossa água, e os meteoritos que a hospedam são os 'avós'", disse o autor.

O estudo foi publicado na revista Science Advances.