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Venda de celular sobe 10% no Brasil; auxílio emergencial ajudou, diz estudo

Estúdio Rebimboca/UOL
Imagem: Estúdio Rebimboca/UOL

Hygino Vasconcellos

Colaboração para Tilt

22/01/2021 15h45Atualizada em 29/01/2021 17h46

O auxílio emergencial e a "demanda reprimida" de meses anteriores fizeram as vendas de celulares crescerem 10% entre julho e setembro do ano passado em comparação com o mesmo período de 2019. As conclusões constam em estudo da consultoria IDC Brasil, que acompanha o mercado de tecnologia.

Foram vendidos 13,4 milhões de smartphones e 745,2 mil feature phones (telefones com menos recursos) no terceiro trimestre de 2020. No período, houve um aumento de 48% na receita, totalizando R$ 20,5 bilhões.

Segundo estudo do IDC Brasil, cerca de 15% dos beneficiados do auxílio emergencial usaram parte do recurso, que variou entre R$ 600 a R$ 300, na compra de um celular. A modalidade preferida para adquirir o aparelho foi a compra a prazo, em várias parcelas.

Para chegar ao índice, foram considerados o aumento de arrecadação do IPI (Imposto sobre os Produtos Industrializados), pago na compra dos celulares, e ainda o ICF (Índice de Consumo das Famílias), elaborado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Também foram consideradas informações de uma fabricante de celulares, que não teve o nome revelado.

"Obviamente havia pessoas em situação mais vulnerável que destinaram o auxílio para bens de primeira necessidade; comida, por exemplo. No entanto, uma parcela destinou parte do valor para esses eletrônicos", explica o analista de pesquisa da consultoria, Renato Murari Meireles, que citou celulares com preço final de máximo R$ 1.000 como os mais buscados pelos beneficiados com o recurso.

Além do auxílio emergencial, o aumento nas vendas tem relação com compras que iriam ocorrer em meses anteriores e que foram canceladas por conta da pandemia, devido à contenção de gastos das famílias. "A demanda que estava reprimida nos meses de abril, maio e junho, por conta do fechamento do comércio [em algumas cidades e estados], foi retomada de julho a setembro", explica.

Em alguns casos, a compra ocorreu para atender à demanda dos filhos, que passaram a acompanhar as aulas de casa; ou de trabalho, pela necessidade de participar de videoconferências. Também houve consumidores interessados em comprar novos aparelhos para consumir mais streaming, em alta na pandemia.

Desde o começo do ano de 2020, o mercado de celulares registrava queda nas vendas. Nos primeiros três meses, a redução foi de 1,6%; já entre abril a junho, a derrocada foi de 28%. "O ecommerce ajudou nas vendas, mas o brasileiro tem uma cultura muito ligada a lojas físicas, de ver e testar o aparelho. Quando teve reabertura de comércio, as pessoas foram para as lojas", diz Meireles.

Para ele, o aumento nas vendas entre julho a setembro reflete recuperação do mercado, acima do esperado, apesar da pandemia do coronavírus.

Mas não é a primeira vez que liberação de recursos do governo aquece o setor. No primeiro semestre de 2017, houve aumento de 25,4% na venda de celulares. Na época, um dos motivos apontados pela IDC foi a liberação do saque do FGTS, além da estabilização do valor do dólar.

Vendas em alta com preços salgados

O estudo aponta aumento no preço médio dos celulares. Os smartphones custaram em média R$ 1,5 mil (alta de 30%) e os feature phones, R$ 145 (32%). Segundo Meireles, a situação teria relação com a alta do dólar e pelos lançamentos de celulares considerados "mais robustos", com uma melhor performance.

"O dólar passou de US$ 3,97 no terceiro trimestre de 2019 para US$ 5,38 no terceiro trimestre de 2020, e afetou todo o ecossistema de tecnologia", entende o analista.

A IDC ainda não tem dados das vendas de celulares no Brasil no último trimestre de 2020. Mas a expectativa da consultoria é a continuidade da recuperação das vendas dos aparelhos.