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Retorno do Parler é apoiado por empresa russa conectada a sites racistas

John Matze, executvo-chefe do Parler - Linkedin/Reprodução
John Matze, executvo-chefe do Parler Imagem: Linkedin/Reprodução

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

20/01/2021 18h15

Plataforma de rede social atualmente popular entre norte-americanos de extrema direita, o Parler voltou ao ar parcialmente com ajuda de uma empresa russa. A nova página estática usa um IP (protocolo de internet) da DDoS-Guard, companhia que oferece serviços a sites racistas e conspiratórios.

O Parler foi expulso da internet no dia 11 de janeiro, quando a AWS, serviço de nuvem da Amazon, parou de hospedá-lo devido a ameaças de violência que feriam os termos de serviço e representavam um "risco real à segurança pública", causados por simpatizantes de Donald Trump e grupos que invadiram o Capitólio no início do mês.

Depois disso, o domínio foi para o Epik —que apenas registrou o nome, sem fornecer hospedagem. Uma enigmática mensagem do executivo-chefe John Matze no domingo (16) comemorava o drible: "Olá, mundo, isto está ligado?".

Mensagem no Parler - Reprodução - Reprodução
Mensagem postada por John Matze
Imagem: Reprodução

A DDoS-Guard, controlada por dois russos, fornece serviços de segurança digital como proteção aos ciberataques conhecidos como DDoS (ataques de negação de serviço distribuído, que travam um site com excesso de acessos). A empresa já trabalhou para sites racistas, de extrema direita e de teorias de conspiração.

Matze declarou que está "confiante" que até o final de janeiro o Parler estará de volta com todas as suas funções, incluindo o aplicativo móvel. Segundo ele, todos os dados da plataforma conseguiram ser recuperados com a Amazon.

Teorias da conspiração e racismo

Evgeniy Marchenko, um dos proprietários da DDoS-Guard, disse ao site The Guardian que a empresa oferece serviços de segurança da informação para o mundo todo e já hospedou "centenas de websites". Isso incluiria páginas do governo russo e sites neonazistas.

Também teriam trabalhado com o controverso provedor de internet VanwaTech, de Washington, que hospeda o site 8kun (antigo 8chan), uma rede social popular entre seguidores do QAnon —movimento de extrema-direita com tendências terroristas que acredita que há uma conspiração satânica e pedófila nos Estados Unidos, comandada por políticos democratas como Hillary Clinton e Barack Obama, e que Donald Trump vai libertar o país.

O Parler, que se descreve como um oásis "não partidário" para a liberdade de expressão, virou um refúgio para seguidores de Trump, depois que diversas contas de pessoas de direita foram desativadas do Twitter, incluindo a do próprio ex-presidente dos EUA.

Após a invasão ao Capitólio, no último dia 6 de janeiro, a rede social se tornou ainda mais importante para as atividades de extrema direita e para espalhar desinformação e conteúdo violento, já que não há nenhuma moderação de conteúdo. De acordo com Matze, Trump cogitou entrar para o Parler, com o nome "Person X" (Pessoa X).

Como consequência, o Google e a Apple barraram o app em suas lojas virtuais, e a AWS tirou o site do ar. Desde então o Parler trava uma batalha judicial contra a Amazon para retornar em sua totalidade com um novo provedor.