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Samsung pode lançar novo Galaxy sem carregador; Procon-SP está de olho

Lucas Carvalho/Tilt
Imagem: Lucas Carvalho/Tilt

Lucas Carvalho

De Tilt, em São Paulo

08/12/2020 17h34

Os próximos smartphones top de linha da Samsung podem chegar ao Brasil sem carregador ou fones de ouvido na caixa, seguindo a mesma estratégia usada pela concorrente Apple no lançamento do iPhone 12 neste ano. O órgão de defesa do consumidor Procon-SP, que já notificou a Apple por vender iPhones sem carregador, diz que poderá fazer o mesmo com a Samsung.

Segundo informações divulgadas no site da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), o órgão registrou nesta semana a homologação de três aparelhos: o SM-G991B/DS, o SM-G996B/DS e o SM-G998B/DS. A nomenclatura pode parecer estranha, mas segue o padrão de aparelhos da Samsung.

O Galaxy S20+, lançado no começo deste ano, por exemplo, foi registrado junto à agência como SM-G985F/DS. Este código é informado pelo próprio smartphone na tela "Sobre o telefone", nas configurações do aparelho, sob a seção "Número do modelo".

Ainda não é possível saber por quais nomes os novos modelos serão comercializados, mas é possível presumir, levando em conta o tradicional calendário de lançamentos da Samsung, que trata-se do trio Galaxy S21, S21+ e S21 Ultra, prováveis sucessores da linha S20.

Um dos documentos anexados à ficha do aparelho no site da Anatel —o certificado de conformidade técnica, emitido pela NCC— diz que "o telefone celular não será comercializado com as fontes de alimentação". No mesmo documento, outra linha cita que "o telefone celular não será comercializado com fones de ouvido".

Homologação Galaxy 2021 - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

A Tilt, a assessoria de imprensa do Procon-SP afirmou que o órgão exigirá a oferta de carregadores na venda de qualquer smartphone, incluindo os da Samsung ou qualquer outra empresa, assim como fez com a Apple. "O tratamento será igual", disse, ao ser questionado sobre os planos da empresa sul-coreana. Procurada, a marca não quis comentar o assunto.

O precedente

Em setembro, a Apple causou alvoroço ao anunciar que não incluiria mais o carregador do iPhone junto à sua linha 12. A empresa recebeu uma notificação do Procon-SP, que disse que "os carregadores deverão ser disponibilizados para os consumidores que pedirem".

Até o momento, a Apple continua vendendo iPhones sem carregador na caixa no Brasil. Na França, o celular é vendido em duas caixas porque a empresa é obrigada por lei a incluir fones de ouvido com o aparelho, mas não o carregador.

"A conduta da Apple será analisada pela diretoria de fiscalização e, caso sejam constatadas infrações à lei, poderá ser multada conforme prevê o Código de Proteção e Defesa do Consumidor", declarou o Procon-SP em nota.

A fabricante do iPhone ainda recebeu notificações da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), ligada ao Ministério da Justiça, e do Procon de Santa Catarina, pelo mesmo motivo.

A Apple se justifica dizendo que produzir menos carregadores ajuda a preservar o ambiente, "reduzindo ainda mais as emissões de carbono e evitando a mineração e o uso de materiais preciosos".

"O resultado é uma embalagem menor e mais leve, permitindo 70% mais caixas em cada palete. Todas essas mudanças reduzirão dois milhões de toneladas de emissões de carbono por ano", diz a empresa em nota. "Esperamos que outros sigam o nosso exemplo."

Na época do lançamento do iPhone 12, diversas fabricantes tiraram sarro da Apple, como a Xiaomi e a própria Samsung. Em outubro, a página oficial da sul-coreana no Facebook para o Caribe postou a imagem de um carregador dizendo que "seu Galaxy oferece tudo o que você procura, desde as coisas mais básicas como um carregador". O post foi apagado horas depois.