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Alô, Greta? Empresa usa CO2 para fazer combustível de avião e zerar emissão

O AS2 é o avião comercial supersônico voará com o combustível sintético que promete reduzir a emissão de CO2 - Reprodução/Facebook/Aerion Supersonic
O AS2 é o avião comercial supersônico voará com o combustível sintético que promete reduzir a emissão de CO2 Imagem: Reprodução/Facebook/Aerion Supersonic

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

04/10/2020 04h00

A aviação comercial produz cerca de 2,5% das emissões globais de gases do efeito estufa e é muito difícil, tecnologicamente, de ser "limpa" —se você não sabe, é por isso que a ativista sueca Greta Thunberg só viaja de barco. Mas duas empresas de tecnologia querem mudar esse cenário com combustível sintético, feito de dióxido de carbono (CO2) capturado do ar e hidrogênio extraído da água.

O sistema desenvolvido pela canadense Carbon Engineering em parceria com a startup de aviação Aerion, dos Estados Unidos, cria um ciclo retroalimentado de emissões e usos, capaz de reduzir as emissões de gases estufa. Isso quer dizer que eles pegam da atmosfera o dióxido de carbono emitido por qualquer veículo e usam para fazer mais combustível.

"Então vamos continuamente reutilizando o CO2 existente, com bem pouca ou nenhuma nova emissão. Isso é crucial para limpar setores de transporte a longa distância, principalmente aviões e navios, que são difíceis de serem 'eletrificados' (movidos a energia elétrica)", explica o CEO da Carbon Engineering, Steve Oldham.

Avião supersônico movido a energia limpa

A empresa canadense também desenvolve um avião comercial supersônico, chamado AS2, que utilizará apenas esse novo combustível.

O projeto é importante para diminuir, em curto prazo, a pegada de carbono dos aviões —que é a quantidade de gases de efeito estufa produzida durante voos. A outra opção de energia limpa para o setor, a energia elétrica, ainda está longe de virar realidade.

Dá para fazer, mas ainda custa caro

O grande desafio é produzir esse combustível sintético de maneira mais eficiente. A química por trás de combinar hidrogênio com dióxido de carbônico é simples e conhecida, mas a captura direta de ar, importante para reduzir a poluição atmosférica e as mudanças climáticas, ainda é pouco usada e, portanto, custosa.

A chave do projeto é tornar a produção relativamente barata, em larga escala, e sem gerar emissões significativas de gases estufa. Isso vai exigir o uso de energia elétrica de fontes renováveis, para abastecer a fábrica de máquinas que "sugam" o CO2 do ar, e de hidrogênio "limpo", extraído pela divisão de moléculas de água (H2O).

O combustível também precisará atingir uma densidade energética suficiente para alimentar um voo supersônico. Não se sabe ainda quão mais caro que um combustível de aviação convencional ele será.

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