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Três de cada quatro brasileiros tentaram apagar dados pessoais da internet

Estúdio Rebimboca/UOL
Imagem: Estúdio Rebimboca/UOL

Rodrigo Trindade

De Tilt, em São Paulo

14/05/2020 15h40

Sem tempo, irmão

  • Pesquisa indicou que 74% dos brasileiros tentou tirar dados de sites ou redes sociais
  • Destes, quase um quarto não sabia como realizar a remoção
  • Dos mais de 15 mil entrevistados, mais da metade não sabe checar se sua senha vazou

O brasileiro está preocupado como seus dados pessoais estão circulando na internet. Segundo o Relatório de Privacidade Global 2020 publicado nesta quinta-feira (14) pela empresa de cibersegurança Kaspersky, 74% tentaram tirar suas informações de sites ou redes sociais. Proporcionalmente é como se três de cada quatro brasileiros tivessem passado por isso.

O levantamento foi feito entre janeiro e fevereiro deste ano com mais de 15 mil pessoas de 23 países. O porcentual de 74% visto no Brasil é inferior à média de todos os países consultados: 82%.

Dos brasileiros que declararam tentar remover informações pessoais da internet, 24% disseram que não sabiam como fazer — contra 39% na média global.

São informações importantes, já que a a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) foram aprovados, mas a data de vigor de ambos tenha ficado para depois no Brasil, em um momento em que o monitoramento de celulares por causa do coronavírus esteja em pauta.

"Nossa crescente dependência em apps para fazer qualquer coisa, desde compras até socializar, pode ser conveniente, mas compartilhar nossos dados por meio desses apps também pode abrir janelas para nosso mundo pessoal. É, portanto, importante permanecer atento e seguro para que possamos nos beneficiar com segurança de serviços online", afirma a Kaspersky em seu relatório.

Cuidados e preocupações

Outra preocupação surge forte: a família. As informações de 19% dos brasileiros consultados, ou de seus familiares, chegaram a ser publicados sem consentimento —palavra-chave quando se fala de proteção de dados pessoais.

Os brasileiros estão acima da média mundial quando o assunto é colocar proteções adicionais na navegação pela internet, pois 58% deles fizeram isso com a finalidade de esconder dados de cibercriminosos, contra 43% do total de entrevistados para o levantamento.

No caso de cuidados contra sites e contra outros usuários em um computador ou celular compartilhado, o usuário brasileiro é mais descuidado: 35% e 33% contra 41% e 47% no resto do mundo, respectivamente.

O relatório ainda indica que 54% do total de entrevistados não sabe como checar se suas senhas vazaram (dica: confira isso no site Have I been Pwned) e 21% — 26% dos brasileiros — se preocupam muito com a coleta de dados realizada por celulares, tablets e outros aparelhos móveis.

Privacidade online, um assunto em alta

A privacidade ganhou bastante força em 2018, quando entrou em vigor na Europa o GDPR (Regulamento Geral de Proteção de Dados), lei que reforçou as proteções e direitos de civis, além das obrigações das empresas e governos europeus, no tratamento dos dados.

Desde então, Facebook, Google, WhatsApp e outras plataformas desenvolveram ferramentas para que você possa deletar ou baixar todas as informações que as empresas guardam sobre você.

Elas também melhoraram a comunicação de como realizar esse procedimento e de suas políticas de uso, mas essa "educação digital" não foi perfeita.

"Educar os usuários como cidadãos digitais pode aliviar a falta de confiança e as preocupações sobre privacidade. Várias tecnologias podem ajudar a implementar essas camadas de proteção para os usuários", explica Eline Chivot, analista sênior de políticas do Center for Data Innovation.