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Como cientistas acharam animal que não precisa de oxigênio para sobreviver

Fotografia da espécie Henneguya salminicola - Stephen Atkinson/Divulgação fishpathogens.net
Fotografia da espécie Henneguya salminicola Imagem: Stephen Atkinson/Divulgação fishpathogens.net

Letícia Sé

Colaboração para Tilt

28/02/2020 04h00

Sem tempo, irmão

  • Cientistas descobriram parasita sem mitocôndrias, as organelas de respiração nas células
  • Henneguya salminicola é primeiro animal que não precisa de trocas gasosas para viver
  • Pesquisa analisou DNA e concluiu que deixar de respirar fez parte da evolução do parasita

Uma descoberta revelada na quinta-feira (27) pode fazer com que a comunidade científica mude a definição sobre o que são animais. Cientistas americanos, do departamento de Microbiologia da Universidade Estadual do Oregon, descobriram que um animal do filo das águas-vivas e dos corais não precisa de oxigênio para viver. Mas como chegaram a essa conclusão?

Os pesquisadores analisaram o funcionamento do Henneguya salminicola, animal que vive alojado no salmão e se alimenta de nutrientes do peixe. Eles constataram que o parasita não tem mitocôndrias, que são as organelas das células de seres vivos que executam a respiração.

Animais normalmente têm células que respiram e usam o oxigênio para produzir energia. A respiração celular acontece na mitocôndria, que tem genes atuantes nesse processo. Assim, é provável que o parasita viva somente com a energia que pega do salmão, sem necessitar de trocas gasosas.

Essa é a primeira vez que se constatou a ausência de mitocôndrias em um ser eucarionte multicelular. Calma, a gente retoma as aulas de biologia da escola para explicar a frase anterior.

Eucariontes têm estruturas celulares mais elaboradas —são o grupo dos vegetais e animais— enquanto procariontes são seres menos complexos, como as bactérias. Uma das diferenças principais entre esses dois grupos é a carioteca, uma membrana que reveste e contém o núcleo celular, presente apenas nos eucariontes.

Para concluir que o animal estudado não respira, os biólogos utilizaram microscópios e o método de sequenciamento profundo, em que é possível desvendar minuciosamente um DNA e descobrir o histórico evolutivo das células de um animal. A equipe pôde concluir que o parasita do salmão deixou de respirar ao longo de sua evolução.

Como teste, eles realizaram o mesmo procedimento em um animal parecido com o Henneguya salminicola, chamado Myxobolus squamalis. Mas, o parente tinha DNA mitocondrial em suas células, o que quer dizer que respira. Isso mostrou que o parasita central da pesquisa era realmente distinto por não realizar as trocas gasosas comuns em animais.

Os cientistas escreveram que a principal novidade é que um animal multicelular tenha deixado de respirar na evolução, e não só os unicelulares, como se acreditava até então. A expectativa é que outros animais tenham passado pelo mesmo processo evolutivo.

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