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O que tem no lado oculto da Lua? Robô chinês traz primeiros detalhes

Mohd Rasfan/AFP
Imagem: Mohd Rasfan/AFP

De Tilt, em São Paulo

28/02/2020 09h00Atualizada em 28/02/2020 16h45

Os cientistas chineses envolvidos com a espaçonave robótica Chang'E-4 (CE-4) —que em janeiro do ano passado tornou-se a primeira da história a pousar no lado oculto da Lua— revelaram na quarta-feira (26) que a camada superior do solo lunar naquela área é consideravelmente mais espessa do que se esperava.

Em artigo divulgado na revista Science Advances, os cientistas revelaram que a missão, que está dentro da cratera Von Karman, com 180 quilômetros de diâmetro, encontrou materiais granulares altamente porosos de rochas de diferentes tamanhos.

A teoria mais aceita hoje em dia para o surgimento da Lua envolve a hipótese de um grande impacto entre a Terra e um planeta do tamanho de Marte há 4,4 bilhões de anos.

A descoberta ocorreu graças a um robozinho equipado com um radar, o Yutu-2, que viajou a bordo da Chang'E-4.

O radar mostrou que a camada superior é feita de uma camada de poeira fina que chega até os 12 metros de profundidade. As partículas provavelmente se formaram com pequenas colisões de meteoritos e que a radiação do sol degradou gradualmente, diz em comunicado Yan Su, da Academia Chinesa de Ciências, que fez parte da equipe que analisou os dados.

Entre 12 e 24 metros de profundidade, na segunda camada, o solo é mais grosseiro, com grandes rochas embutidas nele —provavelmente restos de grandes asteroides e meteoritos que colidiram com a superfície da lua, explicou Su.

A camada abaixo disso, que se estende até o limite de penetração de 40 metros do radar, é composta de camadas alternadas de solo grosso e fino. As camadas grossas são provavelmente restos de detritos dos impactos, enquanto o material mais fino provavelmente se formou através de intemperismo gradual durante os períodos entre cada impacto, diz Su.

Chang'E 4 faz parte do ambicioso programa de exploração lunar robótica da China, que recebeu o nome de uma deusa da lua chinesa. A próxima missão está programada para ser lançada ainda este ano.

Cada dia lunar dura cerca de duas semanas terrestres. Durante as outras duas semanas, quando é noite e a temperatura cai brutalmente, Yutu 2 e o Chang'e 4 hibernam.

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