PUBLICIDADE
Topo

Fantasma do vô? Neto conta bastidor do mistério da TV que ligava sozinha

Jornal Nacional era um dos programas favoritos do avô Onório - TV Globo
Jornal Nacional era um dos programas favoritos do avô Onório Imagem: TV Globo

Bruna Souza Cruz

De Tilt, em São Paulo

03/01/2020 04h00

Você acredita em acontecimentos sobrenaturais? Uma família em Recife conviveu por semanas com uma TV que ligava sozinha todos os dias no horário do Jornal Nacional. Para agravar ainda mais o mistério, tudo passou a acontecer após a morte do avô, que era fã do telejornal.

Seu neto, o sociólogo Rodrigo Barros, 28, decidiu narrar o fenômeno em uma thread do Twitter nesta semana. E adivinhem? Viralizou. O mais engraçado disso tudo é que não se tratava de nada sobrenatural. O caso da TV estava mais ligado à tecnologia do que qualquer outra coisa.

Em entrevista a Tilt, o professor universitário contou que tudo começou pouco depois da morte do avô Onório Mendonça, que morava com algumas irmãs e a esposa. Por cerca de duas semanas a TV da residência insistia em ligar sozinha. Sempre no mesmo horário, o do Jornal Nacional.

Assustadas, as irmãs e a avó de Barros comunicaram outros membros da família e recorreram a diferentes religiões para solucionar o problema. Elas acreditavam que a alma do ente querido ainda estava pela casa e que ela era a responsável por ligar a TV diariamente.

Por lá, passaram um padre, um pastor, um membro da comunidade espírita. Nada adiantou.

"E elas eram católicas. Para tentarem outras religiões, o negócio era sério. Eu nunca acreditei que fosse fantasma. Até porque eu ficaria bastante raivoso se eu morresse e tivesse que voltar para ver jornal. Você quer passar o resto da vida vendo jornal?", brincou o sociólogo.

Para resolver de vez a questão, o pai de Barros saiu de sua casa em Mossoró, Rio Grande do Norte, e foi até o local supostamente assombrado. Depois de investigar, descobriu o mistério: simplesmente, a aparelho estava programado para ligar todos os dias no mesmo canal e no mesmo horário.

"Meu pai foi até lá para saber o que estava acontecendo. Elas eram bem idosas e acreditavam que podia ser algo de magia negra ou alguma coisa além do normal. Mas, para ele, não tinha cabimento. O primeiro teste dele foi colocar a TV fora da tomada no mesmo horário em que ela ligava. E ela não ligou, claro", explicou Barros.

"Meu pai é técnico de eletrônica. Então começou a mexer e descobriu que era só a função de ligar da TV que estava ativada. A conclusão é que meu avô tinha ativado antes de morrer", acrescentou.

Após elucidar o mistério, seu pai desativou o recurso e o "fenômeno do Jornal Nacional" nunca mais voltou a acontecer. No entanto, alguns parentes não ficaram satisfeitos com a explicação. Por um tempo, eles ainda acreditaram que o caso tinha ligação direta com a morte do avô Onório.

"Alguns ainda ficaram pensando sobre como é que o meu avô sabia fazer isso na TV. Mas, apesar de ele ter morrido com mais de 90 anos, ele era muito desenrolado, como a gente fala aqui. Então, não me surpreendeu", ressaltou o professor.

O lado ruim da fama repentina

A publicação de Barros foi feita na noite do último dia 27. Em poucas horas, "toda" a internet já estava rindo, comentando e compartilhando outros fenômenos parecidos em seu perfil no Twitter.

Até o momento de publicação deste texto, ela já havia sido compartilhada mais de 13 mil vezes e recebido mais de 73 mil curtidas.

"Isso aconteceu em 2006. Aí, acordei com a história na cabeça e decidi contar no meu perfil. Simplesmente, relatei. E logo tinha 50 mil notificações. Até pensei: 'Meu Deus! Será que o que eu fiz foi algum tipo de crime?'", brincou Barros.

Apesar de ter se divertido no início, essa repercussão toda repentina acabou assustando um pouco. Muitos comentários foram positivos, mas o sociólogo também se deparou com a parte tóxica da internet. Algumas pessoas chegam a afirmar até que o vô Onório sofria e por isso voltou para assombrar a casa.

Além disso, Barros considerava o Twitter uma rede social de refúgio. Agora, a impressão que ele tem é que todos —até mesmo alguns conhecidos não desejados— estão de olho no que ele está publicando.

"Alguns dizem que querem ir lá na casa encontrar o espírito perdido. Outras pessoas dizem que é porque a gente não tratava bem o nosso avô. Tem um pessoal que sai do esgoto e começa a falar coisas ruins", ressaltou.

"Alguns parentes acham que eu fiquei famoso depois da história. Mas eles mal sabem que as coisas no Twitter têm um prazo de validade. Nada disso vai durar muito. Eu brinco que não quero fama. Eu ficaria mais feliz com os meus boletos pagos", concluiu.

SIGA TILT NAS REDES SOCIAIS

Redes sociais