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Por que as grandes de tec estão com medo da nova tarifa digital francesa?

Sundar Pichai (Google), Mark Zuckerberg (Facebook) e Jeff Bezos (Amazon) - Arte/UOL - AFP
Sundar Pichai (Google), Mark Zuckerberg (Facebook) e Jeff Bezos (Amazon) Imagem: Arte/UOL - AFP

Fabricio Calado

Colaboração para Tilt

19/08/2019 14h22

Representantes de três das cinco maiores empresas de tecnologia dos EUA (conhecidos como FAANG, sigla formada por Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google) devem depor em uma comissão comercial dos EUA nesta segunda-feira (19). O motivo? Uma tarifa recém-criada pelo governo da França que pode causar uma grande dor de cabeça aos ganhos dessas gigantes.

Aprovada pelo Senado da França em julho, a nova tarifa de serviços digitais exige das empresas com receita global acima de US$ 831 milhões que paguem 3% sobre suas vendas à França. A cobrança vale retroativamente, a partir do início deste ano.

Essas empresas já se acostumaram a pagar taxas ao governo de seu país natal, os EUA. Mas o que as irritou desta vez é que o imposto francês fugiu desse padrão e está taxando a receita da empresa, e não seu lucro, o que eleva bastante a multa.

Empresas de tecnologia geralmente mantêm escritórios europeus em países onde os impostos são menores, como Irlanda (Google) e Luxemburgo (Amazon), o que costuma render a elas acusações de manobra fiscal --já que a maioria das vendas não é feita nestes países.

Segundo o ministro da Fazenda francês, Bruno Le Maire, cerca de 30 empresas, a maioria americana, serão afetadas pela tarifa digital, que pode render cerca de 500 milhões de euros à França.

Segundo o site Business Insider, Amazon, Facebook e Google enviaram representantes à audiência em Washington. Um advogado que representa as três empresas e outras, como Airbnb, Microsoft e Twitter, também estará na reunião.

Discriminação?

O argumento das empresas de tecnologia contrárias à nova tarifa é que ela pode causar perda de empregos. Peter Hiltz, diretor de política tributária internacional e planejamento da Amazon, disse que a taxa seria "prejudicial" e "discriminatória", por valer somente "para um pequeno número de empresas, quase todas não-francesas".

Segundo ele, a tarifa pode impedir pequenas e médias empresas de crescer e vender, porque encareceria o custo de fazer negócios em território francês. A medida também afetaria terceiros que vendem em plataformas como a da Amazon. "A taxa (...) poderia causar perda de vendas, redução de investimentos e produção, e pode até causar perdas de empregos."

Em julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou uma investigação sobre a nova taxa criada pela França. O resultado do inquérito pode levar os EUA a impor tarifas retaliatórias.

Ou seja, se não bastava a guerra comercial e tecnológica com a China, Trump agora pode encrencar também com os franceses. "Se alguém foi taxá-las, deveria ser o país delas, os Estados Unidos. Vamos anunciar uma ação substancial recíproca sobre a loucura de Macron", escreveu Trump em julho no Twitter, referindo-se ao presidente francês, Emmanuel Macron.

E nessa já sobrou até para o vinho francês. No mesmo tuíte, ele provocou: "Sempre achei que o vinho americano é melhor que o francês!"

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