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Veja as empresas que já encerraram negócios com Huawei após veto de Trump

Loja de celulares com logo da Huawei em Cingapura - Edgar Su/Reuters
Loja de celulares com logo da Huawei em Cingapura Imagem: Edgar Su/Reuters

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

24/05/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Chinesa segue acumulando perdas comerciais após decreto de Donald Trump
  • Huawei está em lista que a impede de fazer negócios com empresas americanas
  • Grandes empresas de software como Google e Microsoft estão cortando laços
  • Empresas de chips como Qualcomm e Intel, e a operadora Vodafone fizeram o mesmo

A Huawei continua colecionando perdas de negócios com grandes empresas que operam nos EUA, graças ao decreto de Donald Trump da semana passada que impede qualquer companhia norte-americana de fazer negócios ou exportar para a gigante chinesa, acusada por Trump de ameaça à segurança nacional.

Ao longo dos últimos dias, grandes empresas de tecnologia foram respondendo ao pedido de Trump e cortando laços com os chineses. A Huawei recebeu depois uma licença de 90 dias (até 19 de agosto) para seguir com parte de suas atividades comerciais nos EUA e preparar toda a sua cadeia de parceiros, mas depois disso não vai ter mais jeito.

Mas não foram apenas as empresas americanas que estão se distanciando à Huawei, graças principalmente à estrutura multinacional de algumas grandes companhias de tecnologia. Empresas fora dos EUA têm parte de sua cadeia de produção funcionando em solo americano, e por isso atenderam ao pedido também.

Veja abaixo um resumo das maiores empresas que cortaram relações comerciais com a Huawei.

Software: Google e (talvez) Microsoft

O maior baque até agora ocorreu no domingo (19), quando a Google suspendeu negócios com a Huawei que exigem transferência de equipamentos, programas e serviços técnicos, exceto os disponíveis ao público via licenças de código aberto.

Na prática, isso significa que os futuros celulares da Huawei não poderão mais contar com a versão comercial do Android. A versão gratuita e software-livre estaria liberada à empresa, mas ela não conta com o ecossistema de apps da Google (Gmail, YouTube, Maps etc.). Os celulares atualmente à venda ou nas mãos dos consumidores ainda contarão com o suporte.

A Microsoft ainda não fez uma declaração oficial sobre seu relacionamento com a Huawei, mas os laptops MateBook da empresa chinesa --que vêm com Windows-- já foram retirados da loja virtual da Microsoft no fim de semana após o decreto de Trump. A Microsoft não emitiu comunicado sobre isso.

Chips: Qualcomm, Intel, ARM e companhia

A Bloomberg informou na segunda-feira (20) que as fabricantes americanas de chips como Intel, Qualcomm, Xilinx e Broadcom também vão interromper suas vendas de componentes para a Huawei, obedecendo ao governo dos EUA. As mais importantes da lista --Intel e Qualcomm-- forneciam processadores aos laptops e alguns smartphones da Huawei.

A surpresa veio quando a fabricante de chips britânica ARM suspendeu as relações com a Huawei nesta quinta-feira (23), disse a Reuters. A Huawei usa "blueprints" (projetos) patenteados pela ARM para desenhar os processadores da linha Kirin criados por sua subsidiária, a HiSilicon. Os Kirin também alimentam os principais smartphones da Huawei.

Apesar de a ARM ser britânica e de propriedade da empresa japonesa SoftBank, ela diz que seus projetos contêm "tecnologia de origem norte-americana", por isso acredita que violaria a proibição de exportação dos EUA.

Operadoras e varejo: Vodafone, EE e mais

As companhias de telefonia móvel britânicas Vodafone e EE pararam de comercializar os aparelhos da Huawei, segundo a EFE.

"Estamos paralisando os pedidos de (o modelo) Huawei Mate 20X 5G no Reino Unido", informou na quarta-feira a Vodafone em um breve comunicado, alegando ser uma "medida temporária enquanto há incerteza com relação aos novos telefones Huawei 5G".

O executivo-chefe da EE, Marc Allera, declarou que a companhia não reativará as vendas dos dispositivos 5G da Huawei até ter "todas as informações e confiança", assim como "a segurança a longo prazo", de que seus clientes, se comprarem aparelhos Huawei, receberão suporte. Ainda assim, a EE continuará usando os equipamentos de rádio da Huawei, além dos da Ericsson, em sua rede 5G.

A operadora japonesa de telecomunicações Ymobile e a britânica Dixons Carphone seguiram pelo mesmo caminho, segundo a Reuters e Techradar, respectivamente.

Eletrônicos: Panasonic e Toshiba

Os conglomerados japoneses Panasonic e Toshiba se juntaram na quinta-feira à crescente lista de empresas globais que estão se distanciando da Huawei. A Panasonic, que fabrica componentes usados em smartphones e linhas de montagem, disse que interrompeu o envio de alguns componentes para a chinesa.

Mas também disse que as operações comerciais que não violassem as regulamentações dos EUA continuariam a ser negociadas normalmente com a Huawei. "A Panasonic continuará a obedecer rigorosamente às leis e regulamentações dos países e regiões nos quais conduzimos os negócios", afirmou a empresa à BBC.

Já a Toshiba suspenderam as vendas de seus produtos à Huawei. Não informou quais, mas espera-se que unidades de disco rígido, semicondutores e sistema de processamento de dados de alta velocidade estariam entre eles, segundo o Nikkei Asian Review.

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