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Por que regra mais rígida do Reino Unido para sites pornôs é uma ideia ruim

Você daria seu número de passaporte a um site de pornografia? - Getty Images/iStockphoto
Você daria seu número de passaporte a um site de pornografia? Imagem: Getty Images/iStockphoto

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

23/04/2019 12h58Atualizada em 23/04/2019 15h20

Resumo da notícia

  • Revisão de idade dos usuários de sites pornô deve pedir documentos
  • Ideia é impedir que menores de idade continuem acessando pornografia
  • Empresas estão buscando soluções; uma delas cobra R$ 27 do usuário
  • Um eventual vazamento dos dados seria alvo para hackers e chantagistas

Um dos maiores truques dos adolescentes é clicar no quadradinho que diz "Sim, eu tenho 18 anos" para ter acesso a conteúdo pornográfico na internet, mesmo sendo menores de idade. Como essa tática nunca deu muito certo, o Reino Unido está vindo com uma solução inédita, mas que pode não ser a ideal: uma revisão de idade com documentos.

O país anunciou na semana passada que a verificação da idade para a pornografia online entrará em vigor por lá no dia 15 de julho. Ela exigirá que os provedores comerciais de pornô verifiquem que os usuários têm mais de 18 anos. Caso quebre a regra, o site em questão poderá ser bloqueado dentro do país.

A forma como a idade será verificada não foi explicitada pelo governo, mas espera-se mais rigidez que o antigo método da caixa de marcação (a do "quadradinho" que falamos acima). Por isso as empresas estão procurando suas próprias soluções. Uma reportagem da "Wired" citou pelo menos quatro: a AgeID, AgeChecked, AgePass e Yoti.

Em comum, todas elas pedem, em algum momento, um documento físico para o usuário comprovar a idade, como passaporte, carteira de motorista e cartão de crédito.

Há algumas diferenças: o AgePass usa um blockchain privado para guardar números temporários de acesso (tokens) protegidos com criptografia, que representam o consumidor com idade comprovada. O Yoti usará reconhecimento facial, via câmera do celular, como uma alternativa.

Um repórter do jornal The Guardian testou o AgeChecked e conseguiu se registrar e verificar uma conta com o endereço de e-mail IAmUnder18@mailinator.com em questão de segundos, usando um número de cartão de crédito inexistente. É uma má notícia para quem poderá se submeter a esses verificadores.

O preço a se pagar

Alguns poréns já estão sendo discutidos. Um deles é o temor de se criar um enorme banco de dados de usuários de pornografia. E se tal banco for hackeado ou vazar, expondo os usuários e seus respectivos documentos, esses dados podem ser usados para chantagem ou vergonha pública dos envolvidos.

O AgeID em particular preocupa porque é uma solução criada pela MindGeek, empresa-mãe dos maiores sites do gênero: PornHub, RedTube e YouPorn. Esse delicado banco de dados seria muito poder nas mãos de uma única empresa, e o Facebook vem provando desde o ano passado que isso não é bom.

Uma alternativa em discussão seria em tese a mais segura. Chama-se Portes Card, criado pela startup de tecnologia OCL. A ideia é que as pessoas possam ir a uma loja onde o operador do caixa verificará seu documento de identidade. Em seguida, o operador fornecerá um papel com um código de 16 dígitos, a ser usado em um aplicativo para dar acesso a pornografia. Assim, nenhum dado pessoal do usuário vai ser preenchido online.

O processo para obter o Portes Card só precisa ser feito uma única vez. A empresa não informa em seu site oficial se o prazo de vigência do código é vitalício.

O problema desse recurso, já apelidado de "passe pornô" na Inglaterra, é que custará caro. Para uso em um único dispositivo, o passe custará 4,99 libras (R$ 27,40). Ou 8,99 libras (R$ 49,35) para usá-lo em vários aparelhos.

Você é o produto: cada passo que você dá na web gera rastros e essas informações são usadas para te vigiar e influenciar o seu comportamento

Entenda

Outra questão a se pensar são as formas que os usuários poderão empregar para burlar o bloqueio. Afinal, uma prática clandestina comum para acessar conteúdo da Netflix de outro país é usar uma VPN (rede privada virtual, na sigla em inglês). Ele funciona como uma máscara para o endereço IP, que identifica a localização do usuário.

Ficamos então no aguardo da implantação desse sistema no Reino Unido para saber como tudo isso será solucionado (ou não). Quem vai ser a polícia do bloqueio pornô do país será a British Board of Film Classification, organização que tem decidido historicamente quais filmes são adequados para faixas etárias específicas.

Em tempo: de acordo com uma pesquisa recente da empresa de pesquisas YouGov, a maioria das pessoas no Reino Unido (76%) nem sequer ouviu falar dessa história. Vamos ver se até 15 de julho todo mundo será informado ou se terá "aquela" surpresa na hora da diversão.

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