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Google pede aos EUA que empregado não organize protestos por email da firma

Funcionários do Google em Londres protestam contra questões do local de trabalho - Toby Melville/Reuters
Funcionários do Google em Londres protestam contra questões do local de trabalho Imagem: Toby Melville/Reuters

Bruna Souza Cruz

Do UOL, em São Paulo

25/01/2019 12h18

Em meio a onda de protestos de funcionários contra políticas da empresa, o Google pediu ao governo dos Estados Unidos para limitar o direito legal de trabalhadores se organizarem e discutirem problemas ligados a empresa usando o email corporativo.

De acordo com a reportagem da Bloomberg, que teve acesso a registros do Google, a gigante de tecnologia pediu a um órgão ligado a regulações trabalhistas que voltasse a restringir o uso do sistema de email da empresa para isso.

A suspeita se agrava mais ainda ao levar em conta que o Google chegou a apoiar publicamente o direito de seus funcionários protestarem.

Com base em documentos da empresa de 2017 e 2018, obtidos por meio da lei de acesso a informação dos Estados Unidos, a Bloomberg relata que o Google pediu silenciosamente ao National Labor Relations Board (Conselho Nacional de Relações Trabalhistas) que voltasse atrás em uma decisão geral que deu aos trabalhadores de empresas no país o direito de usar os emails corporativos para discussões em torno de problemas ligado ao trabalho, como organizar greves e circular petições.

A decisão é de 2014 e órgão passou a proibir que empresas punissem os funcionários pela prática. Advogados do Google argumentaram que a decisão "deveria ser anulada".

Sobre o caso, a empresa afirmou apenas que não está fazendo lobby por nenhuma mudança nas regras determinadas pelo órgão trabalhista.

Por que os funcionários protestaram?

O Google é mundialmente conhecido por ter escritórios descontraídos e defender que a qualidade de vida e bem-estar de seus funcionários são prioridades.

No entanto, 2018 foi marcado por uma série de protestos e greves.

Alguns dos argumentos envolviam críticas a práticas da empresa e denúncias sobre casos de assédio, racismo, sexismo e discriminação.

Uma das ações organizadas por funcionários se tratou da decisão do Google de usar a sua inteligência artificial para analisar imagens de drones em parceria com o Pentágono.

Uma petição foi rapidamente organizada em abril do ano passado pedindo que a empresa se retirasse do "negócio de guerra". Mais de 3.000 funcionários assinaram o documento. Em junho, a empresa informou que não iria renovar o contrato.

O protesto mais recente aconteceu em 1º de novembro do ano passado quando milhares de funcionários em vários países fizeram uma paralização no meio do expediente.

O movimento teve início depois de um artigo publicado no jornal "New York Times" que afirmava que o Google havia acobertado uma série de casos de assédio sexual envolvendo gestores do alto escalão da empresa. Entre eles estava Andy Rubin, criador do sistema operacional Android. Ele nega as acusações.

O sistema de emails da própria empresa foi fundamental na organização do ato, segundo Colin McMillent, um dos funcionários que participaram da greve e que deixará a empresa no próximo mês.

Segundo a reportagem, três semanas depois os advogados da empresa fizeram o último pedido ao órgão trabalhista para mudar a decisão de 2014.

Para McMillent, o suposto pedido do Google demonstra má fé da liderança da empresa.

"Se essas proteções forem revertidas, o Google será cúmplice em limitar os direitos dos trabalhadores nos Estados Unidos", criticou um grupo de funcionários que não quis se identificar.