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Por que um app de biquíni virou centro de polêmica do Facebook

Bruna Souza Cruz

Do UOL*, em São Paulo

27/11/2018 04h00Atualizada em 07/05/2020 04h04

Um aplicativo chamado Pikini, que permitia encontrar fotos de pessoas usando biquínis, se tornou o centro de mais uma polêmica envolvendo o Facebook neste ano. O fundador da extinta empresa norte-americana Six4Three, criadora do bizarro programa, foi obrigado a entregar documentos confidenciais da rede social ao Parlamento Britânico durante uma viagem de negócios a Londres.

Foi aí que o caso esquentou, rendendo até uma possível saia justa diplomática.

Nesta terça-feira (27), o Parlamento do Reino Unido receberá o vice-presidente de soluções de políticas do Facebook, Richard Allan, para esclarecer como a empresa tem lidado com o grave problema das notícias falsas. Só que é muito provável que a polêmica apreensão dos documentos internos da rede social fará parte da audiência no Parlamento.

Nada ainda foi confirmado sobre o conteúdo dos arquivos confidenciais, mas a suspeita é de que eles contenham revelações importantes sobre as decisões do Facebook em relação aos dados e a privacidade dos usuários da rede social diante do escândalo da Cambridge Analytica.

Além disso, eles teriam cópias de emails confidenciais trocados entre os principais executivos do Facebook, incluindo o de seu fundador Mark Zuckerberg.

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Lembra do escândalo da Cambridge Analytica, quando dados de 87 milhões de pessoas que usavam o Facebook foram usados indevidamente para propaganda eleitoral personalizada - inclusive durante a eleição de Trump, e do Brexit? Isso deve voltar ao debate.

O que deve rolar na audiência do Facebook?

Representantes da Argentina, Brasil, Canadá, Irlanda, Letônia, Reino Unido e Singapura acompanharão a sabatina de Richard Allan, que foi a Londres no lugar do fundador da rede social, Mark Zuckerberg. Inclusive, a recusa do executivo-chefe do Facebook em participar de encontros com o Parlamento desde o escândalo da Cambrigde Analytica foi alvo de muitas críticas.

A audiência internacional está prevista para ser realizada na manhã desta terça e deve se prolongar pelo início da tarde. O representante brasileiro que acompanhará as explicações do Facebook é o deputado Alessandro Molon (PSB), que foi relator do Marco Civil da Internet, aprovado pelo Senado em abril de 2014.

A expectativa é que os representantes dos países possam fazer perguntas durante a sessão.

Ao final da audiência, os parlamentares participarão de uma cerimônia de assinatura de um conjunto de "Princípios internacionais para a lei que rege a Internet".

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Entenda

O que o aplicativo de biquíni tem a ver com isso?

Basicamente, o encontro no Parlamento britânico foi organizado para discutir as ações do Facebook contra a disseminação das notícias falsas, principalmente durante processos eleitorais. A rede social é um dos principais meios utilizados para espalhar conteúdos falsos. Mas não é só isso.

A apreensão dos documentos internos do Facebook pelo Parlamento britânico causou um certo desconforto para a rede social, que formalizou um pedido para que o conteúdo dos arquivos não seja divulgado ao público.

A Six4Three era parceira do Facebook e lançou em 2013 o aplicativo Pikini, que achava rapidamente qualquer foto na rede social de alguém com biquíni. O usuário poderia selecionar as imagens que mais gostava para acessá-las depois.

Mas, após a descoberta do uso indevido de informações de usuários pela empresa de marketing político Cambridge Analytica, o Facebook mudou suas políticas para desenvolvedores e restringiu o acesso de aplicativos criados por empresas terceiras aos dados de usuários. Para a Six4Three, a restrição prejudicou os negócios, e a empresa culpa a rede social pelo fracasso do app.

O caso se estende desde então nos tribunais dos Estados Unidos, e por conta desse longo processo a Six4Three teve acesso aos documentos internos do Facebook.

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Os documentos existem. Por que ainda não foram divulgados?

É aí que entra uma questão complexa. Um tribunal dos Estados Unidos decidiu há um tempo que todos os documentos envolvendo o processo entre a Six4Three e o Facebook estão em segredo de Justiça. Logo, eles não podem vir a público.

Apesar disso, Damian Collins, responsável pela comissão do Parlamento que está organizando a audiência com o executivo do Facebook, defende que os documentos têm relevância e que qualquer decisão sobre isso deve se basear em leis britânicas, e não na dos Estados Unidos.

Como foi a apreensão dos arquivos?

A apreensão dos arquivos do Facebook envolveu o uso incomum dos poderes do Parlamento.

Um oficial da Câmara dos Comuns — como se fosse a Câmara dos Deputados aqui no Brasil — foi até o hotel em que o empresário da Six4Three estava e exigiu que os documentos fossem entregues.

O empresário, norte-americano, por estar em solo britânico não teve outra saída a não ser entregar os arquivos a fim de evitar multas e até uma possível prisão.

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Entenda

Com informações dos sites da CNN, Bloomberg e Huffington Post UK.

Veja errata.