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Em testes, cidades com menos umidade deixaram coronavírus mais fraco

Da EFE

10/06/2020 14h23

Quanto tempo dura o coronavírus nas superfícies? Ele se comporta da mesma forma em todas as cidades? Um novo estudo diz que não: temperatura, umidade e tipo de superfície desempenham um papel no tempo que leva para as gotículas do vírus secarem depois de alguém tossir ou espirrar.

Os vírus respiratórios podem ser transmitidos através de gotículas geradas até mesmo quando alguém fala, e uma das muitas perguntas que os pesquisadores estão tentando responder é por quanto tempo o coronavírus que causa a Covid-19 permanece vivo depois que uma pessoa infectada tosse ou espirra, por exemplo.

Uma vez que as gotículas portadoras do vírus evaporam, o coronavírus residual morre rapidamente, de modo que a sobrevivência e transmissão da Covid-19 é diretamente afetada pelo tempo em que essas gotículas permanecem intactas.

Em artigo publicado na revista "Physics of Fluids", do Instituto Americano de Física, pesquisadores estudaram o tempo de secagem das gotículas respiratórias em várias superfícies em seis cidades: Nova York, Chicago, Los Angeles, Miami, Sydney e Singapura.

O instituto de física lembra que o tamanho das gotículas está na ordem da largura do cabelo humano, e os pesquisadores analisaram superfícies que são tocadas com frequência, como maçanetas de portas e telas de smartphones.

Utilizando um modelo matemático bem estabelecido no campo da ciência das interfaces, os cálculos do tempo de secagem mostraram que a temperatura ambiente, o tipo de superfície e a umidade relativa têm um papel fundamental.

Por exemplo, em termos do tipo de superfície, o estudo sugere que as de telas dos telefones celulares, algodão e madeira devem ser limpas com mais frequência do que as superfícies de vidro e aço, pois estas últimas são relativamente hidrofílicas, e as gotículas sobre elas evaporam mais rapidamente.

Além disso, segundo este trabalho, uma temperatura ambiente mais alta ajudou a secar as gotas mais rapidamente e reduziu drasticamente as chances de sobrevivência do vírus.

Entretanto, em locais com maior umidade, as gotículas permaneceram mais tempo na superfície e as chances de sobrevivência do vírus melhoraram.

Uma vez determinado o tempo de secagem das gotas em diferentes climas, os cientistas examinaram se isso estava relacionado à taxa de crescimento da pandemia da Covid-19 nas cidades selecionadas para esta pesquisa.

Assim, em locais com maior taxa de crescimento pandêmico, o tempo de secagem das gotículas foi maior.

"De certa forma, isso poderia explicar um crescimento lento ou rápido da infecção em uma determinada cidade", diz Rajneesh Bhardwaj, do Instituto Indiano de Tecnologia de Bombaim.

"Esse pode não ser o único fator, mas definitivamente o clima externo importa na taxa de crescimento da infecção", acrescentou.