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Empresas de patinete colocam funcionários à paisana para flagrar furtos

Patinetes de apps estão sendo alvos de assaltos em todo o mundo - RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Patinetes de apps estão sendo alvos de assaltos em todo o mundo Imagem: RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Nate Lanxon

13/10/2019 14h13Atualizada em 14/10/2019 13h23

Em um domingo chuvoso de julho em Bruxelas, dois homens se prepararam para carregar uma van alugada com patinetes elétricas furtadas. Não perceberam os funcionários da empresa Wind escondidos pela cidade, prontos para pegá-los em flagrante.

No setor de patinetes elétricas, o furto desses veículos é comum e oneroso, e as substituições custam algumas centenas de dólares cada.

"Pelo nosso conhecimento de Paris, cerca de 10% de todas as patinetes elétricas são furtadas a cada mês", disse Matt Turzo, diretor de operações da Wind, uma operadora com sede em Berlim. "Estimamos que sejam cerca de 1.500 furtos por mês na cidade."

Turzo e gerentes regionais em Bruxelas concluíram que precisavam ser mais práticos para reduzir esse número.

Os flagras

Em uma manhã, na Avenue Louise, em Bruxelas, um Mercedes-Benz Sprinter estacionou ao lado de oito patinetes da Wind que haviam sido deixadas minutos antes. Um por um, os veículos elétricos de duas rodas foram carregados na traseira.

Um funcionário da Wind enviou uma mensagem por WhatsApp para colegas escondidos em outros lugares da cidade.

"Está acontecendo", dizia.

Cerca de dez minutos depois, o mesmo veículo chegou à Rue de Stassart, perto de Porte de Namur, onde havia outras oito patinetes recém-carregadas.

Na rua estreita de prédios abandonados de concreto, os motoristas da van cometeram um erro. Começaram a remover os componentes de GPS antes da fuga.

Normalmente, disse Turzo, a remoção ocorreria quando o motorista estivesse com o pé no acelerador, saindo rapidamente da cidade.

Mas não desta vez. O atraso deu ao funcionário escondido da Wind tempo para ligar para a polícia, em vez de apenas tirar uma foto da placa da van.

A empresa alemã não está sozinha na estratégia de fotografar secretamente furtos e vandalismo organizados para fornecer provas à polícia. A Lime, uma das maiores empresas de aluguel de patinetes elétricas do mundo, fez isso em várias cidades dos EUA, de acordo com uma pessoa a par da prática que não quis ser identificada.

Novas tecnologias

De maneira geral, as startups de patinetes elétricas em todo o mundo estão deixando de usar versões modificadas de modelos vendidos aos consumidores, normalmente fabricados pela Segway-Ninebot ou Xiaomi, e preferindo unidades projetadas que possam ser usadas em superfícies irregulares e por pilotos descuidados.

Os novos modelos pesados da Wind, por exemplo, usam armações de metal em vez de plástico e possuem componentes eletrônicos personalizados que os tornam muito mais difíceis de hackear e mais difíceis de revender.

Turzo disse que, com base nas observações da Wind sobre o furto desses novos veículos, as 1.500 patinetes que ele estima serem furtadas todos os meses em Paris "cairiam para cerca de 150".

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