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Como vulcão em Tonga mostra vulnerabilidade de cabos submarinos que conectam o mundo

A explosão do vulcão submarino foi registrada em 15 de janeiro - Reuters
A explosão do vulcão submarino foi registrada em 15 de janeiro Imagem: Reuters

Redação

BBC News Mundo

19/01/2022 20h13

Eles são uma alternativa eficiente e menos dispendiosa às comunicações via satélite, mas também apresentam desvantagens.

A internet que temos em casa e no trabalho é resultado de uma tarefa titânica que começou há mais de um século. Mais de 1 bilhão de metros de cabos submarinos foram instalados desde o século 19 para transferir dados por longas distâncias.

E a situação atual em Tonga, a nação insular que teve a comunicação cortada após a erupção de um vulcão submarino, deixa claro o quão vital é essa tecnologia.

Do telégrafo à internet

Os primeiros cabos que ligam continentes começaram a ser instalados já no final do século 19 para a rede telegráfica.

O primeiro desses grandes sistemas de comunicação entre continentes foi construído para conectar o Reino Unido aos Estados Unidos.

Inicialmente, os cabos eram de cobre e serviam para operar o serviço de telégrafo, mas, na era da internet, já na década de 1980, os cabos de fibra óptica começaram a ser instalados.

A colocação dos tubos é feita com barcos especializados, que lentamente desenrolam enormes bobinas de cabos que são lançadas no fundo do oceano.

Esses cabos contêm vários repetidores, que amplificam o sinal a cada 100 km, aproximadamente.

Essas "rodovias submarinas" são capazes de transmitir cerca de 3.840 gigabits por segundo em cada fio de fibra óptica, o equivalente ao conteúdo de 102 DVDs por segundo.

E cada cabo, por sua vez, contém vários pares de fios de fibra para aumentar sua capacidade de transmissão.

Cabos submarinos do mundo

A TeleGeography, uma consultoria americana de telecomunicações, criou o portal Submarine Cable Map, um mapa interativo de todos os cabos submarinos implantados no mundo com dados de empresas proprietárias como Google, Facebook, Amazon, Verizon ou AT&T.

Existem mais de 400 cabos submarinos que percorrem 1,3 milhão de km ao redor do mundo.

Uma importante rodovia está no Oceano Atlântico, ligando a Europa e a América do Norte.

A Great Pacific Highway, por outro lado, liga os Estados Unidos ao Japão, China e outros países asiáticos.

De Miami, vários cabos chegam à América Central e do Sul.

No caso do México, por exemplo, a maioria dos cabos parte do leste do país e atravessa o Golfo do México até a Flórida - de lá se conecta à América Central e do Sul.

Vulnerável e vital

A fibra óptica em cabos submarinos é protegida por várias camadas com materiais como aço, alumínio e polietileno. Ainda assim, houve casos de danos acidentais causados por âncoras de barcos, atividades de pesca em grande escala e até mordidas de tubarão.

Eles também são vulneráveis a desastres naturais, especialmente terremotos. Em 2006, um terremoto de magnitude 7,0 atingiu a costa sudoeste de Taiwan.

O terremoto e outros tremores menores que o seguiram causaram o corte de oito cabos submarinos, o que afetou severamente os serviços de internet em vários países asiáticos e as transações financeiras, especialmente no mercado de câmbio.

Os cabos submarinos são o veículo que mantém o atual mundo conectado funcionando.

Eles podem transmitir muito mais informações a um custo muito menor do que os satélites e estão por trás de quase tudo o que fazemos na internet e em nossos telefones (de chamadas a mensagens de texto e downloads de software).

Esses cabos não são apenas essenciais para comunicações. Eles também podem adquirir importância política e estratégica.

No Reino Unido, por exemplo, o ministro da Defesa, Ben Wallace, anunciou no ano passado que a Marinha Real Britânica vai construir um novo navio de vigilância para proteger os cabos submarinos de internet do país.

A vigilância vai incluir drones submarinos autônomos e operados remotamente para procurar interferência estrangeira. Wallace disse à BBC que a Rússia tem um "profundo interesse" em telegramas e que o Reino Unido pode ser "exposto" sem a devida proteção.

Tonga incomunicável

A importância dos cabos submarinos para as comunicações ficou clara após a erupção de um vulcão no Pacífico em 15 de janeiro.

A ilha principal de Tonga ficou coberta de cinzas e há relatos de que a costa oeste do país foi devastada. Até 80 mil pessoas podem ter sido afetadas.

A erupção foi tão forte que pôde ser ouvida na Nova Zelândia, a cerca de 2.300 quilômetros de Tonga.

Horas depois, as linhas telefônicas e de internet de Tonga saíram do ar devido a um cabo submarino danificado, deixando quase incomunicáveis os 105 mil habitantes das ilhas.

"Estamos recebendo informações incompletas, mas parece que o cabo submarino foi cortado", disse Dean Veverka, diretor de rede da empresa Southern Cross Cable Network, à agência de notícias AFP.

Reparar cabos submarinos danificados é uma tarefa cara e pode levar semanas. Navios especiais são necessários para levantar o cabo do fundo do oceano e realizar reparos na superfície, removendo a seção danificada e emendando o restante.

"Pode levar até duas semanas para consertar o cabo. O navio de instalação de cabos mais próximo está em Port Moresby", disse Veverska, referindo-se à capital de Papua Nova Guiné, a mais de 4.000 km de Tonga.

A Southern Cross está prestando assistência técnica à empresa Tonga Cable Limited, proprietária do cabo de 872 km que liga Tonga a Fiji, responsável por conectar o país ao resto do mundo, segundo a agência AFP.