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Felipe Zmoginski

Cidades chinesas "dão dinheiro" a cidadãos para aquecer uso de blockchain

O bucólico centro de Suzhou: vila tradicional usa dinheiro tecnológico - Yue Wu/ Pixabay
O bucólico centro de Suzhou: vila tradicional usa dinheiro tecnológico Imagem: Yue Wu/ Pixabay
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Felipe Zmoginski

Felipe Zmoginski foi editor de tecnologia na revista INFO Exame, da Editora Abril, e passou pelos portais Terra e America Online. Fundou a Associação Brasileira de Online to Offline, foi secretário-executivo da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e head de marketing e comunicações do Baidu no Brasil, companhia líder em buscas na web na China e soluções de inteligência artificial em todo o mundo. Há seis anos escreve sobre China e organiza missões de negócios para a Ásia.

16/12/2020 04h00

Parabéns, você ganhou R$ 200! Seria ótimo receber uma mensagem de texto assim do prefeito de sua cidade, não? É exatamente isso que está acontecendo em municípios chineses que criaram uma loteria baseada em criptomoeda que premia os cidadãos que mantêm seus tributos e taxas em dia.

Na cidade de Suzhou e na nova região de Xiong´an, cidadãos sorteados recebem um "envelope vermelho" digital do governo com 200 yuans.

Os recursos, disponíveis na criptomoeda soberana chinesa renminbi digital, podem ser usados para compras em lojas online, restaurantes ou táxis da plataforma Didi.

No total, cada município ou região que aderiu às "loterias blockchain" está distribuindo o equivalente a US$ 3 milhões em criptomoedas.

Para utilizar os recursos, os usuários precisam criar uma carteira digital no celular para armazenar o dinheiro.

O apelo aos "sorteios" é uma tática do Banco do Povo, o equivalente ao Banco Central na China, para popularizar a criptomoeda chinesa e o uso de blockchain por administrações municipais.

Em várias cidades, como a metrópole Shenzhen, é possível enviar plantas de imóveis e obter alvarás de funcionamento de casas comerciais trocando informações baseadas em blockchain.

A tecnologia, descentralizada e criptografada, é considerada uma forma segura, barata e sobretudo "rápida" de validar documentos ou trocar valores, já que os dois lados da transação têm uma visão transparente e imediata da compensação de valores ou da aprovação de documentos, por exemplo.

O uso intensivo de blockchain na gestão pública é visto como uma forma de reduzir a corrupção, evitar fraudes e eliminar a burocracia na prestação de serviços do Estado para o cidadão.

Mas o grande benefício para a China —e motivo de preocupação em muitos países— é a disseminação do reminbi digital, a criptomoeda soberana chinesa, para o comércio internacional, o que diminuirá muito o poder e influência do dólar americano.

Como principal potência comercial do mundo, a China poderá transacionar seus bens e serviços com o resto do mundo via renminbi digital.

Na prática, um importador não precisará mais ter que "mandar o pagamento adiantado" e um exportador não precisará "esperar o pagamento compensar". As transações por carteiras virtuais são instantâneas e seguras.

Zhou Xiaochuan, diretor do Banco do Povo, tentou minimizar a importância do renminbi digital, em entrevista esta semana a canais de TV internacionais. Xiaochuan afirmou que a China não deseja desafiar o padrão dólar e apenas trabalha para melhorar sua eficiência no setor financeiro.

Para bom entendedor, está posto que o desafio já foi lançado.