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Mesmo com polêmica, maratona SP Pro Game Jam já preencheu 90% das vagas

SP Pro Game Jam é uma maratona de criação de jogos que acontece em 2021 - Divulgação/SP Pro Game Jam
SP Pro Game Jam é uma maratona de criação de jogos que acontece em 2021 Imagem: Divulgação/SP Pro Game Jam

Bruno Izidro

Do START, em São Paulo

16/12/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Comunidade de desenvolvedores critica a SP Pro Game Jam, maratona de criação de jogos que acontecerá em 2021
  • Movimento no Twitter levou a organização a rever regulamento e incluir royalties para os vencedores
  • Projeto da Flux Games tem investimento do Governo do Estado de São Paulo por meio de edital

A SP Pro Game Jam gerou polêmica quando foi anunciada, na semana passada, rendendo hashtag nas redes sociais e uma retratação pela empresa responsável, o estúdio Flux Games.

Porém, todo o burburinho parece ter beneficiado o evento. Segundo os organizadores informaram ao START, 90% das vagas nessa maratona de criações de jogos já foram preenchidas. Entenda a seguir tudo o que rolou.

O que é a SP Pro Game Jam

Uma maratona de criação de jogos feita remotamente, durante um mês inteiro e com a ideia de formar novos profissionais para a área de games. Essa é a principal proposta da SP Pro Game Jam, que vai acontecer em fevereiro de 2021.

Game Jam maratona de desenvolvimento de jogos - Gabriela Cais Burdmann/UOL - Gabriela Cais Burdmann/UOL
Em Game Jam, desenvolvedores se reúnem para criar jogos em um determinado período de tempo
Imagem: Gabriela Cais Burdmann/UOL

O evento é organizado pelo estúdio paulista Flux Games em parceria com o Governo do Estado de São Paulo. A game jam foi aprovada, em 2019, no edital de Incentivo ao Desenvolvimento de Economia Criativa do Programa de Ação Cultural, o ProAC.

Por meio do edital, a SP Pro Game Jam recebeu R$ 99.900, dos quais pouco mais de R$ 38 mil serão distribuídos como prêmios aos vencedores da maratona. O restante, segundo informou ao START Paulo Santos, o Paulão, diretor da Flux e um dos organizadores do evento, foi gasto na produção da game jam: criação de site, marketing, consultoria jurídica, assessoria de imprensa, entre outros.

Nota do editor: Paulo Santos, da Flux, foi colunista no START até julho de 2020.

Como a intenção da Game Jam é formar criadores de jogos, são previstos prêmios em dinheiro e uma recompensa mais prática: a equipe do melhor jogo da maratona vai participar de uma espécie de "bootcamp" de seis meses de trabalho remunerado na Flux Games.

Lá, eles vão receber mentoria semanal com profissionais da área para finalizar o jogo criado na game jam e lançá-lo no Nintendo Switch. De acordo com a organização, os custos da mentoria serão bancados por parte do valor recebido do edital.

Já a polêmica surgiu depois que as inscrições para a game jam começaram, no último dia 9, e a comunidade de desenvolvedores notou algo estranho no regulamento.

Videogame Nintendo Switch - Arte/UOL Jogos - Arte/UOL Jogos
Jogo vencedor da game jam será lançado para Nintendo Switch
Imagem: Arte/UOL Jogos

A polêmica dos direitos autorais

Na primeira versão do regulamento da SP Pro Game Jam, na seção 10, sobre Propriedade Intelectual, estava escrito que o jogo vencedor do evento pertenceria totalmente à Flux Games.

Cada um dos integrantes do time participante vencedor da Categoria Melhor Jogo, desde já, cede à realizadora, de forma gratuita, total e universal, definitiva, irrevogável irretratável, os direitos da propriedade intelectual relativos ao Game e a qualquer material por ele desenvolvido em função da SP Pro Game Jam, para uso e exploração da realizadora no todo ou em parte, podendo sua exploração ocorrer em qualquer território, nacional ou internacional, por meio de todas as modalidades de utilização e comercialização.

Ou seja, o time que tivesse a ideia e desenvolvesse, de fato, o game não teria qualquer lucro, mesmo depois do lançamento no videogame da Nintendo.

Isso provocou uma reação de repúdio por alguns desenvolvedores brasileiros, que resolveram se expressar nas redes sociais por meio da hashtag #JogoEhDeQuemFaz, no Twitter

#JogoEhDeQuemFaz

Criadores de jogos de estúdios conhecidos do cenário brasileiro, como Rogue Snail (Relic Hunters) e Dumativa (A Lenda do Herói), além de desenvolvedores como Glauber Kotaki (artista de Rogue Legacy) repercutiram a polêmica.

Flux responde

Em resposta à forte reação da comunidade de desenvolvedores de jogos, a Flux voltou atrás na decisão e publicou um comunicado em que informa que mudou o regulamento para que o time vencedor permaneça com a propriedade intelectual do game, além de dividir 50% dos lucros com a produtora.

No site do evento, na seção de perguntas e respostas, também foi alterada a informação sobre os royalties dos jogos da game jam, não só do vencedor, como também de todos os games criados.

Procuramos a Flux Games para saber se eles têm algo mais a dizer sobre a polêmica. O estúdio respondeu que tudo o que tem a declarar já está no comunicado.

Já a repercussão parece ter atraído mais gente para o evento. Em menos de uma semana de inscrições abertas, o estúdio informou que quase todas as vagas já foram preenchidas.

"Cerca de 90% das vagas da SP Pro Game Jam já foram preenchidas, totalizando 80 inscrições realizadas", disse Paulão, da Flux.

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