Topo

Radar


"Children of Morta": Conheça a mistura de Diablo e roguelike

Divulgação
Imagem: Divulgação

Daniel Esdras

Do GameHall

15/09/2019 04h00

Sempre temos aqueles jogos independentes que, embora tenham um orçamento minúsculo quando comparados com os gigantes da indústria, estarão entre os melhores do ano nas listas de muita gente. Em 2019 não será diferente.

Desenvolvido pela Dead Mage e publicado pela 11-Bit Studios, "Children of Morta" não tenta reinventar a roda e nem deve ser um marco em termos de influência, mas consegue executar suas referências com maestria. No Steam, onde está disponível por meros R$ 47,90, o jogo vem tendo uma avaliação bastante positiva.

Ainda estamos no início da melhor época do ano, onde os principais jogos são lançados, mas já dá para dizer que "Children of Morta" vai figurar entre os melhores indies ano.

Casos de Família

Reprodução
Imagem: Reprodução

A história do jogo é contada na visão dos Bergston, uma família que vive no meio de uma floresta em Morta e é conhecida pelas suas habilidades no campo de batalha. Na casa enorme e cheia de elementos mágicos e maquinários de guerra, vivem três gerações, os avós, pais e vários jovens que terão de carregar o legado da família.

A forma como a Dead Mage desenvolveu cada personagem é cativante, com peculiaridades que fazem total sentido para a idade de cada um dos membros e seus papéis na família. O irmão mais novo, imprudente, quer se provar o tempo todo e participar das batalhas. A mãe, no entanto, proíbe qualquer contato do menino com as armas, já que ver seus outros filhos se arriscarem diariamente é doloroso demais. O avô, que sabe que a mãe nada pode fazer para conter o talento natural do garoto, tenta sempre mediar o conflito e gastar as energias do menino em treinamentos secretos.

O exemplo do parágrafo acima é somente uma das redes de interação dentro da família, que vão se desenvolvendo após cada incursão pelos cenários do mundo. Conforme o jogador vai completando novas tarefas e o tempo vai avançando, mais intrigas e eventos vão rolar, o que te faz cada vez mais se importar com personagens.

Mundo em perigo

Reprodução
Imagem: Reprodução

Os dramas de família são legais, mas é preciso algo mais, um evento enorme para servir como combustão da narrativa. O conflito escolhido para "Children of Morta" foi uma corrupção maligna que está devastando os seres vivos por onde passa. Na floresta, animais e árvores estão sendo corrompidos e mortos. Nas cavernas, peregrinos são mortos e transformados em monstros terríveis. Paralelo a tudo isso, Goblins, mortos-vivos e esqueletos estão vindo de longe para as terras de Morta, atraídos pela corrupção.

Os Bergston não receberam uma carta de socorro nem foram enviados por um estado ou corporação: eles são defensores naturais daquele mundo e principalmente por também estarem em perigo, colocam suas vidas em risco para descobrir a causa da corrupção.

Diablo + Roguelike

Reprodução
Imagem: Reprodução

A jogabilidade de "Children of Morta" tem vários elementos de diversos gêneros, mesclados de forma interessante e que funcionam muito bem. Para sair em uma missão, é preciso entrar em um portal e escolher onde você irá explorar. Em seguida é a vez de escolher qual membro da família será comandado — a princípio apenas duas opções e no decorrer da história mais quatro.

Cada personagem tem seu estilo próprio, com uma árvore de habilidades com perícias únicas. O patriarca da família luta com uma espada e um escudo enormes. Sua filha utiliza um arco e pode andar enquanto atira. E por aí vai, variando entre personagens que atacam a distância com personagens que atacam de perto. Ataques físicos e elementais. Velocidade e pouca vida para alguns e muita vida e lentidão para outros. O que você já encontra na maioria dos arquétipos disponíveis por ai.

O diferencial no sistema de personagens é a integração da árvore de habilidades com a família, que te incentiva a jogar com os outros membros. Em determinado nível, cada personagem libera uma habilidade passiva que vale para toda a família, que pode ser mais dano, maior probabilidade de crítico ou velocidade ao caminhar. Se isso não for incentivo suficiente, ainda há o cansaço, que diminui a vida máxima do personagem até que ele descanse, o que significa ir para a batalha com outros personagens.

O nível de cada personagem também evolui individualmente. Novos personagens vão chegar no nível zero e precisarão ser utilizados em fases iniciais para alcançar os veteranos ou pelo menos ganhar suas habilidades passivas para a família.

Na hora que o pau quebra de verdade, o que rola é uma mistura de "Diablo" no design de níveis e combate, com as mecânicas clássicas do gênero Roguelike para a morte. Isso significa que todo nível é gerado de forma procedural, criado pelo computador com certa aleatoriedade. O mapa, a principio, é escondido e você vai descobrindo o terreno ao explorar o cenário. No caminho, hordas de monstros vão te atacar em grande número e é preciso utilizar todas as habilidades disponíveis para sobreviver. Já a parte do Roguelike rola ao morrer, com seu personagem voltando para a casa com parte do que conseguiu na viagem e podendo melhorar seus equipamentos para tentar novamente.

O tempo em casa influencia no combate

Reprodução
Imagem: Reprodução

Após voltar de uma incursão, seja como um vencedor que derrotou o chefe do nível ou com as dores da derrota, é possível utilizar a seu favor os membros da família que não lutam. A vovó é especialista em runas e poderes arcanos, com as informações que você traz da caverna, ela pode melhorar diversas frentes, como conceder mais ouro ou experiência por monstro abatido. Já o avô da família é um armeiro de primeira e pode ajudar com os principais atributos de toda a família, melhorando o ataque, vida, velocidade e tudo mais que esteja ligado ao combate.

Além disso, na casa se desenrola boa parte da aventura, o que libera missões secundárias para incentivar a volta em locais pelos quais você já passou. Ao explorar de novo, é possível encontrar ervas para curar um filhote de lobo, conseguir madeira para melhorias na casa ou mesmo salvar pessoas que estão perdidas, como um mercador que oferecerá bons itens durante a jornada.

Gráficos de mais, conteúdo de menos

Reprodução
Imagem: Reprodução

Um dos defeitos de "Children of Morta" é a curta oferta de conteúdo. Em pouco mais de 15 horas é possível terminar o jogo fazendo quase tudo que é possível. Não há um conteúdo de fim de jogo que incentive jogar mais, restando apenas correr atrás dos troféus que são voltados para o mais puro grind. Um deles por exemplo, pede para levar todos os personagens para o nível máximo.

Como os gráficos e animações são impressionantes, a falta de conteúdo provavelmente foi uma opção para conseguir entregar o nível de qualidade nessas outras áreas. Isso é compreensível quando levamos em conta a quantidade de jogos do tipo que existem: conseguir um lugar de destaque depende muito do visual.

De qualquer forma, updates de conteúdo devem surgir no futuro, já que o jogo parece ir bem nas vendas, figurando vez ou outra entre os mais vendidos no Steam. Para quem gosta de uma boa pitada de dificuldade, uma história bem contada e carismática e uma pixel art de altíssimo nível, "Children of Morta" é mais que recomendado.

Radar