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"FIFA 18" investe nos gráficos e história para melhorar o que já era bom

Claudio Prandoni

Do UOL, em São Paulo

28/09/2017 13h53

Enquanto o "FIFA 17" promoveu duas grandes novidades na série, casos do modo Jornada e dos gráficos com o motor Frostbite, o "FIFA 18" faz com excelente qualidade o bom e velho 'mais do mesmo'.

Não me leve a mal, não se trata de uma crítica negativa - pelo contrário. O jogo deste ano pega tudo o que a versão anterior fez de bom e dá um brilho ainda maior.

A segunda temporada do Jornada traz uma história ainda mais empolgante com o atleta fictício Alex Hunter, que agora se aventura fora da liga inglesa e se envolve em tretas complicadas. Livre da necessidade de apresentar o protagonista e todos os personagens ao redor dele, como foi no "FIFA 17", a história flui melhor e de forma mais interessante, com mais conflitos e desafios pelo caminho.

Jogo foi testado nas versões para PlayStation 4, Xbox One e PC - Arte/UOL Jogos
Jogo foi testado nas versões para PlayStation 4, Xbox One e PC
Imagem: Arte/UOL Jogos

Melhor ainda: desta vez o Jornada está muito bem dublado em português, tornando mais fácil acompanhar a história. Rolam alguns momentos estranhos apenas quando Hunter conversa com jogadores reais, que foram dublados pelos próprios atletas. Cristiano Ronaldo, Rio Ferdinand, Thierry Henry e tantos outros que aparecem falam apenas em inglês - mesmo que Hunter converse com eles em português.

Talvez valha aquela máxima de que o futebol é um idioma global, não é?

Desta vez é possível também mudar o visual de Alex Hunter, com opções que variam conforme os diálogos que você escolhe durante a trama.

Os gráficos deram um belo salto e começam a mostrar com mais desenvoltura o poder da Frostbite, motor gráfico que foi usado primeiro na série "Battlefield" e estreou no ano passado em "FIFA". As expressões faciais dos atletas estão bem mais realistas, assim como os movimentos em campo e até a maneira como o tecido das camisetas e calções se mexe durante a ação.

Outro aspecto sempre empolgante é na parte de iluminação, que confere ares ainda mais impressionantes aos jogadores e, principalmente, os estádios. Aliás, uma promessa feita e bem cumprida neste "FIFA 18" é sobre as torcidas, mais interativas do que nunca.

Os torcedores na beira do gramado se desviam de chutes mais fortes, correm para abraçar o jogador na beira do campo e, em alguns casos, até se amontoam nas grades e paredes de proteção, um gesto que a torcida do Boca Juniors popularizou.

Não para por aí: tem também festa com bandeiras e até papel picado que fica pelo campo. Técnicos na beira dos gramados e câmeras que acompanham os movimentos dos atletas. "FIFA 18" faz um trabalho fantástico de ambientação, utilizando pequenos detalhes para compor um cenário maior absolutamente envolvente.

Dá para sentir a diferença na jogabilidade também, um pouco mais lenta e técnica neste ano, sem apelar tanto para a correria como versões anteriores.

Como de costume, as conquistas do passado continuam se acumulando e voltam sem grandes ajustes, como o modo Carreira tradicional, as seleções femininas de futebol e o sempre viciante FUT, que inova com jogadores clássicos que agora aparecem em versões diferentes ao longo da carreira - por exemplo, Ronaldo Fenômeno aparece ao estilo franzino da Copa de 94, musculoso às vésperas da Copa de 98 e com o cabelo de Cascão da Copa de 2002.

Mais um elemento que volta reforçado é a narração brasileira, com os já tradicionais Tiago Leifert e Caio Ribeiro. Segundo a produtora EA, eles gravaram mais de 7 mil novas falas para o jogo.

O que não impede as famigeradas repetições: em uma das minhas primeiras partidas no game, a dupla foi analisar os esquemas táticos das seleções femininas do Brasil e da China e sobre cada equipe eles falaram as mesmas coisas e em sequência! Sim, eu sei que foi azar ou coisa do tipo, mas não deixa de ser incômodo.

Voltam os acertos do passado, mas voltam também os erros. "FIFA 18" não corrige ainda o problema da série com o futebol brasileiro. Desta vez são apenas 16 equipes, todas com atletas genéricos, e um total de zero estádios brasileiros. Ao menos para os fãs dos times brasileiros, é uma pena que um game de futebol tão bonito, completo e variado ainda não consiga dar um carinho maior para o futebol pentacampeão do mundo - algo que o rival "Pro Evolution Soccer" segue fazendo muito bem.

Em resumo, "FIFA 18" é um jogo que constrói muito bem em cima das grandes apostas e acertos do "FIFA 17": os gráficos estão ainda mais bonitos e o modo Jornada mostra que veio para ficar, ao lado de um amplo cardápio de opções de jogo.

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