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Fallout 4

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

09/11/2015 11h00

"Fallout 4" é o primeiro game da Bethesda feito especificamente para a atual geração de consoles e mostra que a produtora não perdeu a mão para criar mundos abertos enormes e cheios de aventura e também conseguiu superar pontos fracos crônicos de seus títulos passados: o game traz toda a liberdade que se espera de um "Fallout" somada a uma narrativa envolvente e personagens bem desenvolvidos.

Mais do que apenas adaptar as mecânicas e ambientação já conhecidas da série, "Fallout 4" traz novos sistemas, com destaque para a robusta ferramenta de construção, que ocuparão os jogadores por centenas de horas. Para os veteranos da série, o game não só mostra muito do rico universo pós-apocalíptico, como coloca o jogador para interagir com alguns de seus maiores mistérios.

"Fallout 4" oferece centenas de horas de diversão, seja explorando e reconstruindo a Wasteland, interagindo com personagens carismáticos e desvendando uma trama bem mais complexa do que se imaginaria ou combatendo gangues selvagens, mutantes poderosos e outras criaturas malignas com toda a hiper violência que se espera de uma aventura na América pós-apocalipse nuclear.

Introdução

"Fallout 4" é o RPG mais recente da Bethesda, estúdio de "Skyrim", "Oblivion" e "Morrowind" (e, claro, "Fallout 3"). É o segundo jogo da série desenvolvido pela produtora ("New Vegas" ficou nas competentes mãos da Obsidian) e leva o jogador em uma aventura pela região de Boston, nos EUA - ou no que sobrou dela 200 anos depois de uma guerra nuclear.

No game, você descobre os perigos e mistérios dessa terra estranha e ao mesmo tempo familiar através dos olhos de um sobrevivente da guerra, congelado antes das bombas começarem a cair. É possível se aliar a vários grupos diferentes, cada um com sua própria agenda, viajar ao lado de companheiros fascinantes e até mesmo reconstruir parte desse mundo arruinado.

No Brasil, "Fallout 4" oferece legendas e menus em português, algo que acontece pela primeira vez na série.

Pontos Positivos

Trama envolvente

Não vamos entrar em mais detalhes sobre o enredo de "Fallout 4" já que fazer isso seria estragar as surpresas e reviravoltas que você encontrará ao jogar o game. Mas é preciso reconhecer: a Bethesda finalmente produziu uma história digna de seus impressionantes mundos de jogo.

Como nos anteriores, "Fallout 4" acompanha as aventuras de um personagem recém-saído de um abrigo nuclear, com a diferença que você entrou lá antes das bombas atômicas devastarem o mundo. Colocado em um sono criogênico, seu personagem sabe tanto dessa nova realidade quanto você, o jogador.

Assim, muito da narrativa é apresentado por personagens secundários extremamente carismáticos. Porém, a partir de certo ponto, as coisas ficam bastante pessoais e o jogador se torna realmente o protagonista dos eventos que mudarão para sempre a vida no Commonwealth (como é chamada a região de Boston no game).

Fãs veteranos vão se deliciar com os acontecimentos de "Fallout 4" e com a forma que a Bethesda apresenta antigos mistérios da mitologia da série, não só falando deles mas colocando você para jogar ao lado ou contra facções que antes eram vistas apenas por fora ou simplesmente citadas em missões paralelas de "Fallout 3".

Mundo aberto cheio de vida

O cenário de "Fallout 4" pouco lembra a imensidão arrasada de "New Vegas" ou "Fallout 3". Boston divide sua paisagem entre regiões quase selvagens, com matas e rios (altamente radioativos) e os restos de áreas urbanas cheias de prédios, sem contar a bela aglomeração conhecida como Diamond City - esqueça a enferrujada Megaton: o principal 'hub' social de "Fallout 4" tem energia elétrica, um comércio bastante ativo, intrigas políticas, um jornal e até mesmo um detetive particular.

O mapa de "Fallout 4" pode não parecer tão grande numa passada rápida pela telinha do Pip-boy, mas logo você percebe que o mundo não só é enorme, como também cheio de vida e locais para explorar. Muitas missões secundárias vão levar você para recantos distantes das áreas urbanas, abrigos nucleares esquecidos e bases militares tomadas pelos temíveis Super Mutantes.

Jogadores mais propensos à exploração vão amar "Fallout 4": a vastidão da Wasteland é um convite para vagar pelas ruas, túneis e florestas, enfrentando toda sorte de inimigos, inclusive algumas criaturas realmente grandes. É sempre bom ficar de olho no nível de dificuldade desses monstros - se avistar um crânio ao lado da barra de vida do inimigo, é melhor fugir e voltar para lutar quando estiver mais forte.

Personagens marcantes

Pela primeira vez em um "Fallout", o personagem do jogador tem voz. Isso é bem aproveitado nos diálogos, que oferecem até mudanças de enquadramento para mostrar seu personagem interagindo com os outros habitantes da Wasteland. Totalmente personalizável, seu avatar no game logo se torna um protagonista com quem você se identifica - ainda mais após vê-lo executando inimigos nas belas cenas de ação proporcionadas pelo sistema de VATS.

Os companheiros e vilões do game também estão entre os mais memoráveis já criados pela Bethesda, como o detetive particular Nick Valentine e a jornalista Piper, sem esquecer, é claro de Dog Meat, o fiel cachorro que você encontra já nos momentos iniciais do jogo. Dog Meat age como um cão de verdade e é muito útil tanto em combate quanto na hora de explorar algum cenário novo, farejando inimigos e itens para o jogador.

Há muitos aliados possíveis em "Fallout 4" e se você investir tempo o bastante nas relações com eles, pode fazer grandes amigos ou até mesmo se envolver num romance! Esse é o tipo de coisa que você esperaria de um jogo da concorrente BioWare e não de uma produção típica da Bethesda.

Combate hiper violento

"Fallout 4" se passa na Nuclear Wasteland, um mundo que não foi feito para os fracos de coração. Você até pode sair de muitas situações passando uma conversa nos oponentes (invista pontos em Carisma e nos perks relacionados ao atributo para isso), mas invariavelmente terá que deixar suas armas fazerem o serviço de vez em quando.

Graças ao sistema de modificação, você pode usar uma grande variedade de armas, desde tacos de beisebol e facas até pistolas laser e o infame Fat Man, um lançador de mini-bombas atômicas. Entre um extremo e outro, espere por toda sorte de pistolas, sub-metralhadoras, rifles, escopetas e lança-foguetes, além de armas mais exóticas, como granadas em forma de bolas de beisebol e minas feitas com lancheiras e tampinhas de garrafa.

O VATS, sistema que permite escolher em que parte do corpo dos inimigos atirar, continua presente em "Fallout 4", mas com algumas mudanças: o jogo não pausa enquanto você está escolhendo atirar no braço ou na cabeça do oponente - o combate só fica mais lento. Outra novidade é uma barra de acerto crítico, carregada ao usar o VATS. Quando a barra está cheia, aperte um botão para provocar um acerto crítico automático no alvo, uma medida bem útil para situações desesperadas.

Os acertos críticos resultam em cenas em câmera lenta, com enquadramentos de ação que não dispensam sangue voando para todos os lados e cabeças sendo separadas dos corpos. É hiper-violento e exagerado, exatamente como todo o mundo de "Fallout 4".

Construção e personalização

A maior novidade de "Fallout 4" é o sistema de construção e personalização do game. Após pacificar uma área ou se aliar aos moradores locais, você pode construir diversos tipos de estrutura, erguer casas e instalar eletricidade, plantar alimentos e até construir lojas e sistemas de defesa.

Também é possível efetuar modificações nas armas e peças de armadura do seu personagem, produzir drogas, remédios e armas exóticas. Você pode até mesmo 'tunar' sua própria Power Armor, a imponente armadura metálica que é um dos símbolos da franquia. Encontre revistas sobre Hot Rods e você poderá inclusive mudar a pintura da armadura - que tal andar por aí em uma carapaça de metal pintada com chamas vermelhas?

Embora seja um sistema quase opcional de "Fallout 4", a construção é parte de algumas missões e rende benefícios para o jogador. Administrar os acampamentos e aumentar sua população (deixando todos felizes durante o processo, como em "Fallout Shelter") permite ter mais lugares seguros para passar a noite ou benefícios como disparos de artilharia sobre bandos de inimigos poderosos.

Jogadores mais dedicados podem passar centenas de horas brincando com o sistema de construção, transformando a Wasteland num lugar um pouco mais seguro e confortável para seus habitantes.

Apesar da versatilidade do sistema, é bom notar que navegar pela área de construção não é tão amigável quanto deveria. A Bethesda bem que poderia ter oferecido a opção de enxergar o cenário do alto quando você entra no modo de construção, e não continuar com a câmera fixa na visão do personagem - coisa que complica a locomoção pelo cenário e o ajuste fino na hora de instalar uma parede, por exemplo.

Nota: 10 (Imperdível)

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