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Titanfall

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

17/03/2014 16h40

"Titanfall" é um jogo de tiro multiplayer online, nada mais e nada menos do que isso. Se você procura por uma história complexa e personagens profundos, veio ao lugar errado. Dito isso, "Titanfall" tenta - e até consegue - inovar dentro de um gênero que é tido como 'esgotado' de novas idéias e 'desgastado' pela quantidade enorme de jogos com o mesmo estilo e premissa.

O game oferece partidas rápidas e viciantes, mecânicas simples de aprender e dominar mas que garantem um equilíbrio fino no campo de batalha, com cada tipo de Titan e Piloto tendo suas vantagens e desvantagens bem balanceadas.

"Titanfall" falha ao tentar introduzir uma campanha multijogador e na falta de variedade de seus modos de jogo, entre outros detalhes, mas acerta em vários outros aspectos importantes e se não revoluciona, se garante como uma ótima pedida em jogos multiplayer.

Introdução

Primeira criação da Respawn Entertainment, "Titanfall" tem pedigree: é obra dos mesmos responsáveis por "Call of Duty" e por sua popular variação "Modern Warfare". Assim, as expectativas sobre o jogo não poderiam ser baixas.

Com uma premissa de ficção-científica, o jogo tenta se distanciar do antepassado famoso e estabelecer identidade própria, coisa que consegue não tanto pela guerra entre IMC e Militia por recursos naturais, mas pelo calor das batalhas entre Pilotos, Titans, Grunts e Spectres em colônias arruinadas em mundos alienígenas.

Faltam, porém, recursos básicos de títulos multiplayer e é preciso admitir, a quantidade de soldados nos mapas é pequena demais para a variedade de ação que o jogo oferece.

Pontos Positivos

Partidas rápidas e divertidas

Dentro do campo de batalha, "Titanfall" brilha como poucos jogos do gênero - "Call of Duty" é um exemplo óbvio, mas é necessário: o jogo da Respawn Entertaiment oferece a mesma satisfação imediata de uma boa partida de "Black Ops II", por exemplo. Outras comparações fáceis são "Counter-Strike" e "Team Fortress", da Valve.

Você tem três tipos de Piloto para escolher, cada um com uma arma primária específica, mas em pouco tempo já pode modificar e criar suas próprias classes. O mesmo vale para os Titans: Atlas (intermediário; pau para toda obra), Stryder (leve e mais rápido) e Ogre (lento e mais resistente).

São 15 mapas, com uma boa variedade de estilos, desde cenários amplos e com poucas alternativas para os Pilotos explorarem até mapas mais fechados ou com muitos prédios, tubulações e passagens para percorrer. Alguns mapas são mais apropriados para certos modos de jogo específicos, mas em geral, funcionam bem em todas as modalidades.

Alguns modos de jogo não fogem do esperado: Attrition (mata-mata em equipe), Hardpoint (conquista de território), Capture the Flag (rouba bandeira). Em compensação, os modos Last Titan Standing (você já começa dentro do Titan, não tem 'respawn' e quem destruir todos os Titans do outro time vence) e Pilot Hunter (só as mortes de Pilotos contam para o placar), são únicos e muito divertidos - além de permitirem estratégias de time mais complexas do que as modalidades anteriores.

A Respawn realizou um ótimo trabalho em equilibrar as diferentes armas, habilidades e poder de fogo dos diferentes personagens controlados pelos jogadores. No fim das contas, Pilotos e Titans são balanceados para que um não sobrepuje totalmente o outro, mas para que a presença de ambos altere a dinâmica do combate em cada situação.

Os Titans são quase tão ágeis e respondem tão rápido quanto os Pilotos. Porém, não contam com a movimentação vertical destes personagens. Mais frágeis, os Pilotos precisam correr, saltar e usar outros truques para eliminar os rivais e os Titans - e para isso, a arma pesada anti-titan que carregam é essencial.

"Titanfall" é um jogo de tiro quase sem falhas em sua mecânica, combinando com maestria rara elementos distintos como a movimentação vertical e rápida dos Pilotos com a capacidade de absorver e causar dano dos enormes Titans.

Escolhas estratégicas

Escolher entre as classes iniciais de Piloto é uma escolha básica no jogo, mas que se torna irrelevante assim que você libera a opção de configurar seu arsenal. A partir daí, as escolhas aumentam e é preciso levar em conta o modo de jogo e o próprio estilo pessoal do jogador na hora de selecionar que arma é mais adequada, qual granada e habilidade especial carregar e assim por diante.

O mesmo vale para os Titans: após escolher qual classe usar, é preciso determinar bem suas habilidades e conhecer as limitações de cada alternativa.

Por exemplo, o poder Vórtex Shield sempre parece uma boa pedida, mas é inútil contra um Piloto pendurado nas costas do robô. Nesse caso, é melhor disparar uma nuvem de eletricidade ao redor do Titan, fatal para Grunts, Spectres e em geral, Pilotos - mas que serve apenas como cortina de fumaça contra outros Titans.

As 'Burning Cards' completam o sistema de personalização. São cartas ganhas ao cumprir desafios no jogo e que garantem vantagens para o jogador - mas para isso, a carta precisa estar no deck do jogador e ser queimada. Cada carta só pode ser usada uma vez e dura apenas uma vida - morreu, perdeu.

Algumas cartas dão armas melhores, outras diminuem o tempo para a liberação do Titan. Outras, mais poderosas, oferecem a chance de colocar o Titan em campo imediatamente. Como você pode queimar uma carta logo no início do jogo, é possível entrar na partida com um Titan ao lado do seu time, uma vantagem e tanto nos minutos iniciais.

Fácil de dominar

"Titanfall" é cheio de opções de customização, mapas intrincados e pequenas táticas e estratégias de combate. Mas é muito fácil de entender, aprender e dominar.

O básico do combate é muito parecido com o de "Call of Duty" e isso não é ruim - muitos jogos tentam mas poucos conseguem capturar a mecânica da série da Activision tão bem quanto este aqui. Não é coincidência que seja um jogo dos mesmos criadores.

Leva apenas algumas partidas para entender como funcionam as minúcias de "Titanfall" e mesmo perdendo, você vai se divertir e ter pequenas vitórias em cada partida. É um game planejado para envolver o jogador e instigá-lo a continuar jogando, partida após partida.

Pontos Negativos

Faltam recursos básicos

Por ser uma experiência unicamente multiplayer online, "Titanfall" peca em não oferecer recursos básicos do gênero. Não há, por exemplo, a opção de votar no mapa da próxima partida. Acredite, com 15 mapas diferentes, pode demorar para você passar por sua arena favorita.

Faltam também opções para partidas privadas, ou seja, reunir os amigos para jogar é mais complicado do que deveria.

Ao jogar no servidor dedicado ao Brasil, muitas vezes é preciso depender da boa vontade de outros jogadores para conseguir experimentar modos de jogo menos populares do que o clássico mata-mata. Ou, como aconteceu durante a análise de UOL Jogos, encarar partidas em servidores de outras regiões, sujeitando-se a latências maiores que podem prejudicar a performance do jogador.

Poucos personagens na arena

A limitação de 12 jogadores por partida em "Titanfall" causou bastante discussão entre os jogadores quando foi anunciada. E, infelizmente, se mostra um problema depois de algum tempo de jogo.

São seis Pilotos em cada time e potencialmente, mais seis Titans - que podem ser pilotados ou colocados em modo automático, dobrando a quantidade de personagens. Além deles, há os Grunts, soldados simples, fracos e meio burros - feitos para popular o cenário e dar aos jogadores iniciantes um senso de satisfação - e os Spectres, soldados robóticos que começam a surgir assim que o primeiro Titan entra na partida. O total, teoricamente, chega aos 48 personagens no mapa.

Na prática, nem sempre você tem tantos personagens em campo. Os Grunts são inúteis, exceto para avançar a contagem para liberar os Titans (é fácil eliminar vários em sequência e assim acelerar o processo). Os Spectres são mais interessantes: você pode optar por hackear esses robôs e fazer com que mudem de lado.

A falta de mais Pilotos é o maior problema: áreas mais altas do mapa só são alcançadas por eles, que acabam lutando a longa distância. Os mapas são grandes demais para tão poucos personagens com maior mobilidade.

Arremedo de campanha

A maior aposta da Respawn Entertainment estava na campanha multiplayer, ou melhor, no 'modo campanha': são duas séries de nove mapas que devem ser jogados em sequência, apresentando a história do jogo, as facções e suas motivações.

Primeiro, você joga com a Militia, grupo de descontentes que planeja tomar a Fronteira (como são chamadas as colônias/mapas onde rolam as partidas) e seus recursos. Depois, joga com o IMC, o exército que está lá para impedir que esses recursos sejam conquistados.

Há algumas cenas introdutórias, mas em geral, a trama é contada em arquivos de áudio entre uma partida e outra, enquanto você está mais concentrado em selecionar o arsenal que vai usar no jogo seguinte.

O pior é a sensação de que você está apenas "assistindo" uma história: os Pilotos dos jogadores não são os protagonistas, as ações destes são narradas em cenas estáticas durante as partidas e pouco importa vencer ou perder as partidas. Você vai "passar de fase" independente do resultado.

A campanha não serve sequer como tutorial para o jogo, pois só oferece partidas nos manjados modos Attrition e Hardpoint. Ou seja, ou é um mata-mata frenético ou é conquista de território. Leva umas 4 horas para você terminar tudo e liberar os Titans Stryder e Ogre para usar no resto do game - que é, de fato, onde a diversão se encontra.

Nota: 8 (Ótimo)