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Syndicate

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

16/04/2012 17h40

"Syndicate" era uma série de estratégia, em 1993. Hoje, a franquia retorna com um jogo de tiro, produzido pela Starbreeze, a mesma dos execelentes jogos da série "Chronicles of Riddick".

Para os fãs dos jogos antigos, essa nova versão deve soar como uma ofensa, um título aproveitador que se apega ao nome famoso para tentar vender algumas cópias para nostálgicos desavisados.

Mas, se você nunca ouviu falar de "Syndicate" antes, ou se não é tão apegado às memórias sagradas da sua juventude, não se sinta mal por gostar deste jogo. "Syndicate" é um ótimo game de tiro, com um modo cooperativo caprichado e uma ambientação ciberpunk que, mesmo pouco aproveitada pelo enredo, é envolvente o bastante para você desejar voltar em um próximo jogo.

Introdução

"Syndicate" é um jogo de tiro em primeira pessoa, ambientado em um universo ciberpunk. Seu mundo é dominado por grandes corporações e a maior parte da sociedade é tão alienada que não percebe a truculência com que esses grupos conduzem seus negócios, ameaçando e eliminando quem se opõe aos seus interesses corporativos.

Você é Kilo, Agente de um dos "Sindicatos", um matador profissional equipado com o melhor chip DART disponível no mercado. É graças ao seu implante que você consegue realizar feitos sobre-humanos e até manipular os chips na cabeça de outras pessoas.

É difícil não comparar "Syndicate" e "Deux Ex: Human Revolution", principalmente pela ambientação e os elementos ciberpunks. Porém, enquanto "Deus Ex" preserva tudo o que tornou a série tão cultuada, "Syndicate" deixa a estratégia de lado para entregar um ótimo game de tiro.

Pontos Positivos

Tiroteio de alta qualidade

"Syndicate" oferece muitos momentos de ação, com tiros voando para todos os lados, inclusive através das paredes. É nessas batalhas que o jogo brilha, com armas muito bem feitas, cada uma com suas características individuais, como coice, alcance e precisão.

O design das fases é pensado em como tornar os combates envolventes. Seja ao subir uma escadaria até uma nave de fuga, com soldados vindo de todos os cantos ou ao trocar tiros com inimigos em uma estação de trem, com os civis correndo para fugir, "Syndicate" consegue manter a ação constante e exigir raciocínio e reflexos rápidos do jogador.

As armas são um show a parte. Desde a sempre confiável pistola até um rifle com balas que seguem o alvo atrás da cobertura, o arsenal de "Syndicate" é tão bom que você quase dispensa o uso dos poderes que o chip neural dá ao personagem.

Como muitos inimigos possuem implantes, você consegue realizar alguns truques mentais em "Syndicate". Você pode ordenar que um inimigo se suicide - e exploda, sabe-se lá como, levando outros alvos próximos com ele. Ou pode "persuádi-lo" a mudar de lado, atirando em todos ao redor. Também pode hackear máquinas, como torres de segurança ou elevadores.

Você possui uma série de movimentos especiais em "Syndicate", como usar cobertura, correr, pular, deslizar pelo chão. São úteis nos trechos de plataforma de algumas fases, mas é nas lutas com os chefes que eles se mostram realmente importantes.

Cada estágio oferece uma bela batalha contra algum chefe, que incluem desde naves de combate até outros Agentes super-poderosos, com truques únicos que exigem estratégia para serem derrotados. 'Chefes de fase' empolgantes, que utilizam as mecânicas do jogo ao invés de quebrá-las, são raros nos games atuais, mas "Syndicate" oferece essa combinação de desafio, dificuldade e claro, a sensação de satisfação após destruir os malditos chefões.

Ambientação ciberpunk

O mundo futurista de "Syndicate" é cheio de detalhes. Assim como "Deux Ex" ou filmes como "Matrix", ele compartilha elementos da literatura ciberpunk, de forma convincente e envolvente.

Você vê muita coisa durante as fases do jogo, cenários espaçosos, propagandas. Vê o lado chique e iluminado da vida no futuro e também a miséria dos que não tem dinheiro para aproveitar os benefícios do mundo controlado pelas corporações.

Se tiver paciência para ler as várias informações reveladas pelos colecionáveis que encontra ao longo da campanha, vai descobrir que existe uma enorme cultura por trás de cada corporação, dos seus principais Agentes e da política mundial de "Syndicate".

É o mesmo universo dos games de estratégia, visto em primeira pessoa. E é um cenário que comporta facilmente outros jogos. Mais ainda, é um mundo de ficção para o qual você fica com vontade de voltar, após acabar o jogo.

Gráficos caprichados

A Starbreeze utiliza em "Syndicate" o mesmo motor gráfico de "Chronicles of Riddick: Assault on Dark Athena". O jogo foi lançado em 2009, mas ao ver "Syndicate" em ação, se percebe que o motor envelheceu bem.

Com ótimos efeitos de blur e de iluminação, movimentos suaves e principalmente, armas convincentes - algo fundamental em um jogo em que a arma fica o tempo todo na sua frente - "Syndicate" tem cenários cheios de detalhes, com máquinas, computadores, paredes de vidro e grandes paisagens em movimento do lado de fora.

Uma curiosidade: veteranos de Hollywood, como Rosario Rios e Brian Cox, fazem não só as vozes de personagens de "Syndicate", como emprestam suas feições para estes personagens. É um efeito bem legal e que deveria ser mais frequente nos videogames.

O motor gráfico de "Syndicate" ajuda a compor a identidade do game, diferenciando o jogo da Starbreeze dos incontáveis clones de "Call of Duty" e "Gears of War" disponíveis no mercado.

Multiplayer

Além da campanha solo, "Syndicate" oferece um modo cooperativo online para até 4 jogadores. Assim como nos games de estratégia da série, os jogadores controlam Agentes em missões de apreensão, que invariavelmente terminam em tiroteios e na luta pela sobrevivência.

Durante os combates, é preciso coordenação e trabalho em equipe para cumprir objetivos, encarar grandes ondas de inimigos e manter o grupo vivo. Nessa modalidade, a história fica bastante de lado, em favor da ação desenfreada, e funcionam muito bem para ampliar a vida útil do jogo.

Pontos Negativos

Campanha é muito curta

A campanha solo de "Syndicate" é bem curta. Você acaba o jogo em um dia, jogando na dificuldade média. Além de um final um tanto abrupto, a campanha não aproveita muito da ambientação.

Você vê aquele mundo fantástico ao seu redor, cheio de pequenas histórias acontecendo e fica com vontade de saber mais, de explorar mais. Infelizmente, em "Syndicate" você está vivendo apenas uma dessas histórias e o resto do mundo está lá apenas para compor o cenário.

A aventura se garante com suas batalhas frenéticas, tiroteios dignos de "Matrix". Mas deixa aquele gosto de "quero mais" no final.

Nota: 8 (Ótimo)