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PF proíbe agente "Hipster" de dar entrevista a TVs e de fazer eventos pagos

Lucas Valença em entrevista a Fátima Bernardes - Reprodução/TV Globo
Lucas Valença em entrevista a Fátima Bernardes Imagem: Reprodução/TV Globo
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

27/10/2016 19h57

Enquanto estiver sob investigação interna na PF,  por conta de seus atos midiáticos, o agente Lucas Valença, mais conhecido como o “hipster da federal”, foi aconselhado a parar de ir a programas e entrevistas na TV. E está proibido de aceitar presença em eventos mediante cachê.

Valença, 30 anos, engenheiro, já havia constituído até assessoria de imprensa e começou a trilhar o caminho da fama na semana passada, depois de ser protagonista na prisão do ex-deputado Eduardo Cunha. 
 
Ele foi a programas como o “Encontro com Fátima” e “Programa do Porchat”, deu entrevista a sites e passou a receber convites para participar em eventos. Por esses atos, ele foi admoestado e está sob investigação interna. 
 
Criado pela Lei 4.878/65, o regulamento interno da corporação policial proíbe esse tipo de autopromoção, e Valença já havia sido avisado que estava violando o estatuto da profissão desde que foi ao matinal da Globo.
 
No entanto, foi também ao "Programa do Porchat" e deu entrevistas a vários sites..
 
Segundo a investigação em andamento, o polícial Valença pode ter desrespeitado ao menos quatro regras do artigo 43 do código de conduta da PF. A saber:
 
- Inciso IX: “auferir vantagens e proveitos pessoais de qualquer espécie e, sob qualquer pretexto, em razão das atribuições que exerce”;
 
- Inciso XX: “deixar de cumprir ou de fazer cumprir, na esfera de suas atribuições, as leis e os regulamentos” (como descumprir o inciso anterior, por exemplo)
 
- Inciso XXXIV - atribuir-se a qualidade de representante de qualquer repartição do Departamento Federal de Segurança Pública e da Polícia do Distrito Federal, ou de seus dirigentes, sem estar expressamente autorizado;
 
- Inciso LIII - exercer, a qualquer título, atividade pública ou privada, profissional ou liberal, estranha à de seu cargo; 
 
Se apontado como responsável, Valença pode ser suspenso ou  até mesmo ter de deixar a corporação.
 
Procurado por e-mail, o policial não se manifestou até o momento da publicação desta reportagem. Caso o faça, sua versão será aqui incluída.
 
De férias aparentemente forçadas, o “hipster” postou em seu Instagram declaração pública afirmando que sua participação em programas se deu em razão de sua beleza. 
 
Segundo a coluna apurou, essa também será sua justificativa perante a comissão que analisa seus atos. Resta saber se a comissão aceitará o "argumento do belo".
 
A Polícia Federal não comenta investigações ou sindicâncias internas e ou funcionais.
 
CÓDIGO DE ÉTICA
 
O “hipster” Valença também pode ter ferido item da Resolução nº 004-2015 do CSP-Departamento de Polícia Federal, a respeito do código de ética dos profissionais da corporação.
 
Em seu artigo 4º, inciso I, ele antevê análise em caso de  “conflito de interesses: situação gerada pelo confronto entre interesses públicos e privados, que possa comprometer o interesse público ou influenciar o desempenho imparcial da função pública”.
 
@feltrinoficial

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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