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Ex-cantora gospel Jotta se afirma mulher trans após sofrer na Igreja

Ex-cantora gospel Jotta se afirma mulher trans - Instagram
Ex-cantora gospel Jotta se afirma mulher trans Imagem: Instagram

Daniel Palomares

De Splash, em São Paulo

13/04/2022 04h00

Depois de explodir ainda na infância cantando gospel em um programa de calouros de Raul Gil, Jotta chegou onde muitos artistas sonham: se tornou a mais jovem do mercado gospel latino a ser indicada ao Grammy. Mas o sonho de viver sua verdade a fez largar a música religiosa há 2 anos e tomar um novo passo anunciado nesta semana: ela se afirmou publicamente nas redes sociais como mulher trans.

"Essa sou eu, indo ao cartório para fazer a primeira solicitação de retificação do meu nome de registro", compartilhou Jotta, já mostrando uma foto de seu novo visual. "Demorei muito tempo escolhendo meu nome e cheguei à conclusão de que deveria manter Jotta, apesar de nunca ter sido meu nome de registro, só artístico", continuou.

yhythy - Instagram - Instagram
Jotta mostrou foto de seu primeiro encontro amoroso pós-transição
Imagem: Instagram

Recomeçar não é fácil, mas estou feliz por estar vivendo todo esse processo. Feliz em ter tantas pessoas que me apoiam e acreditam em mim nessa nova etapa!

festejou a cantora no Instagram

Em entrevista a Splash no ano passado, ainda antes da transição, Jotta falou sobre a decisão de se assumir parte da comunidade LGBTQIA+ e também sobre as dificuldades que enfrentou dentro da igreja e do mercado gospel.

Pressão

Depois do sucesso e do reconhecimento, Jotta precisava lidar com os diversos compromissos e exigências que a carreira musical exigia, passando por situações de assédio e cobrança extremas. "É muito difícil estar exposta a tantos olhares em uma fase em que você está se descobrindo, em busca de aceitação. Eram 15 shows por mês, programas de TVs, viagens. Tudo isso vivenciado em um ambiente religioso, cheio de regras e cobranças", relembrou.

Se identificar como LGBTQIA+, porém, já causava transtorno. "Eu era uma das cantoras com mais visibilidade no mercado gospel, mas a culpa só crescia porque o aprendizado que tive dentro da igreja era de que ser homossexual é errado. Eu tinha toda uma estrutura empresarial e familiar que dependia financeiramente do meu trabalho. Como se desfazer de tudo isso quando você sabe que se assumir afetará toda a sua carreira? Você não será aceita da forma que é, e, sim, da maneira que eles querem que você seja", ponderou.

Por dentro, já estava vivendo um processo de autoconhecimento. Meu maior medo era expressar isso e entender como mostrar esse novo trabalho, guardado há tanto tempo dentro de mim.

Violência

Em 2020, Jotta enfim rompeu com a igreja e passou a apostar em uma sonoridade pop para seu trabalho. No ano passado, tornou pública sua bissexualidade e relatou os diversos ataques que sofria nas redes sociais.

Sofro ameaça de morte todo dia, palavras de ódio, racismo, homofobia. Pessoas subestimam meu trabalho.

"Até hoje, enxergo Cristo com um mensageiro de amor para todos, não só para as pessoas que a Igreja prega. Sou grata pela trajetória que tive, mas não sigo nenhuma religião. Só acredito em Deus", pontuou a cantora, na época.

Depois de vencer problemas psicológicos como ansiedade e depressão, ela dizia se sentir pronta para viver como sempre quis. "Hoje, estou mostrando quem realmente sou, podendo assumir minha arte e minha verdade. Tirei das costas um sistema que não me aceitou como sou", concluiu.