PUBLICIDADE
Topo

'Filhas de Eva' celebra mulheres ao escancarar sutis porradas do cotidiano

Zezé (Analu Prestes), Stella (Renata Sorrah), Cléo (Vanessa Giácomo), Dora (Débora Ozório) e Livia (Giovanna Antonelli) em 'Filhas de Eva'
Zezé (Analu Prestes), Stella (Renata Sorrah), Cléo (Vanessa Giácomo), Dora (Débora Ozório) e Livia (Giovanna Antonelli) em 'Filhas de Eva'
Globo/Estevam Avellar

Renata Nogueira

De Splash, em São Paulo

08/03/2021 04h00

"Filhas de Eva" chegaria ao Globoplay em fevereiro, mas a plataforma fez bem em segurar a série um pouquinho mais e guardar sua estreia para o simbólico 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Feminista desde o nome, a série foca menos na militância e mais no cotidiano para fisgar o grande público.

Globo/Estevam Avellar - Globo/Estevam Avellar
Giovanna Antonelli é Livia, Renata Sorrah é Stella e Vanessa Giácomo é Cléo em 'Filhas de Eva'
Imagem: Globo/Estevam Avellar
Continua depois da publicidade

No primeiro episódio, que Splash já viu, Stella, personagem de Renata Sorrah, termina seu casamento de 50 anos durante a festa de bodas de ouro. É o estopim para mudar sua relação com a filha, Livia (Giovanna Antonelli), e a deixa para que as vidas delas cruzem com a de Cléo (Vanessa Giácomo).

Stella é uma mulher que se casou e não pode fazer a faculdade, não trabalhou e depende totalmente do marido. E nesse dia tem a coragem de romper com isso.
Renata Sorrah

Em um primeiro momento, a decisão de Stella parece precipitada, mas, aos poucos, é possível entender a motivação da matriarca de uma bem-sucedida família do Rio de Janeiro. Sutilmente, a série vai mostrando as porradas do cotidiano que aquelas mulheres vão aguentando caladas.

Globo/Estevam Avellar - Globo/Estevam Avellar
Imagem: Globo/Estevam Avellar

Falta de reconhecimento, inveja e ingratidão estão nas atitudes cotidianas de maridos, familiares, conhecidos e até mesmo de outras mulheres, como é o caso de Cléo (Vanessa Giácomo) com sua mãe. Livia também vive uma relação difícil com Stella, e isso se reflete na filha dela, Dora (Débora Ozório).

Continua depois da publicidade
O bacana é que nenhum personagem termina como começou. Todo o mundo passa por uma transformação. Essa é uma mensagem que me atrai muito.
Giovanna Antonelli

Conforme a história se desenvolve, a desconstrução de Stella reflete em quem está a sua volta, um dos pontos que atraiu Giovanna Antonelli para "Filhas de Eva". Livia é uma psicóloga que ajuda casais, mas também uma mulher cheia de padrões e que não quer enxergar o fracasso do próprio casamento.

Uma vai despertando a busca da outra e, de certa forma, elas viram parceiras. São generosas umas com as outras. Acredito que tenham muitas Livias por aí.
Giovanna Antonelli
Globo/João Cotta - Globo/João Cotta
Imagem: Globo/João Cotta

Já Cléo, que odeia o próprio nome, Cleópatra, é uma mulher livre, mas que ainda não se descobriu. Ela se espelha na profissional bem-sucedida que é Livia após conhecê-la em uma situação atípica nas bodas de ouro de Stella, mas acaba trocando de papel com a psicóloga em vários aspectos.

Continua depois da publicidade
Ela [Cléo] está se encontrando, está levando seus tombos. Erra, acerta, mas sempre com muito bom humor. Ela aprende e se transforma em uma outra mulher nesse sentido.
Vanessa Giácomo
Globo/Estevam Avellar - Globo/Estevam Avellar
Imagem: Globo/Estevam Avellar

Renata Sorrah acredita que a série reflete a libertação que parte das mulheres sente ao ouvir vozes ecoantes de outras mulheres e do apoio mútuo.

A tal sororidade.

"Antigamente, as mulheres competiam umas com as outras. Hoje, não. A gente sabe que só é forte se a gente der as mãos umas às outras."

Se fosse há 30 anos, Stella teria continuado nesse casamento, mas, hoje em dia, vozes livres chegaram até ela. A gente está se repensando. Por isso que a humanidade está andando.
Renata Sorrah

"Filhas de Eva" já está disponível para assinantes do Globoplay. Definida pelas próprias atrizes como "uma comédia dramática", a série foi gravada antes da pandemia.