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Bombado entre celebs, Papatinho revela 'segredos' de Anitta e Black Alien

Papatinho
Papatinho
Divulgação / Cadu Andrade

Guilherme Lucio da Rocha

De Splash, em São Paulo

17/12/2020 04h00

O ano de 2020 não foi fácil para ninguém. A pandemia do novo coronavírus deixou o mundo de cabeça para baixo. O produtor Papatinho conseguiu driblar um pouco essa situação e deixou sua marca em vários trabalhos: 49, mais precisamente.

Direto das terras cariocas, ele conversou com Splash sobre como foi fazer música em 2020 e se conseguiu cumprir aquilo que planejou no começo do ano.

Mesmo com todo esse material, Papatinho não estava muito satisfeito. Mas o motivo é nobre: em 2019, o produtor lançou as brabas.

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Papatinho - Divulgação / Wilmore Oliveira - Divulgação / Wilmore Oliveira
Papatinho
Imagem: Divulgação / Wilmore Oliveira

Na verdade, eu vim de um ano muito bom. Lancei meu projeto como artista solo, produzi álbum do Black Alien, da Anitta. 2020 prometia muita coisa. Eu comecei o ano cheio de planos, fiquei assustado um pouco, em março. Mas estou feliz com o que fiz, apesar de tudo.

Papatinho.

E para 2021 o plano é certo: lançar seu primeiro álbum solo, "Workaholic", que ainda não tem previsão para chegar nas pistas.

Produtor das estrelas

A lista de artistas que já passaram pelas mãos do produtor é bem grande. Tem Marcelo D2, Gabriel O Pensador, Criolo e outros.

Mas dois nomes merecem destaque: Anitta e Black Alien.

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A primeira gravou alguns trabalhos, como "Onda Diferente", na pegada do funk 150 BPM, e "Tá com Papato", um trap.

A patroa tem em Papatinho um "escolhido" quando o assunto é funk e/ou trap. Mas o produtor diz que trabalhar com Anitta exige um bom jogo de cintura --que, para ele, nem é um problema.

Ela tem muita visão e gosta de trabalhar com pessoas competentes, não tem paciência para explicar, quer ser surpreendida. A Anitta tem uma visão muito boa do que o público vai gostar. Ela é perfeccionista, quer as coisas na hora, igual a mim (risos). É muito maneiro trabalhar com ela.

No caso de Gustavo Black Alien, a relação é ainda mais próxima. Após passar um período em reabilitação por causa do vício em drogas, o rapper entrou em contato com Papatinho para preparar o terceiro disco da sua carreira.

Depois de "Babylon By Gus - Vol. I" (2004) e "Babylon By Gus - Vol. II" (2015), Gustavo queria um nome diferente, que indicasse um recomeço neste terceiro projeto. Nascia o "Abaixo de Zero", álbum superelogiado pela crítica e vencedor do prêmio Multishow de Álbum do Ano em 2019.

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Não era começar do zero, era abaixo de zero. Ficamos meses no estúdio e foi muito maneiro. Ele tem um método: se tranca, pega todas as folhas de rimas que tem e bota uma página do lado da outra. Vai selecionando, fazendo novas anotação com novas rimas. É um quebra-cabeça.

Selo de qualidade

Papatinho diz que sempre gostou de música —principalmente rap—, mas nunca foi um fissurado. Na escola, ele era "o cara" por fazer as playlists e entregar um CD só com as mais top do momento.

Seu primeiro contato com a produção foi com o grupo Cone Crew Diretoria. Você que foi adolescente na virada para os anos 2010 sabe de quem eu estou falando.

Sou autodidata. Tem gente que pensa: "o Papatinho é filho de pianista, cheio de disco em casa". Pelo contrário, entrei na música de paraquedas. Na Cone éramos seis personalidades diferentes. O estúdio não é só o beat, é toda a forma de lidar com o artista. Essa vivência eu aprendi com a Cone Crew.

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'A tag'

Consolidado no meio musical, ter o nome do Papatinho na produção passou a ser uma etiqueta de qualidade. E para marcar seus trabalhos, o produtor tem um carimbo especial, com a marca só do Snoop Dogg. Tá bom de açúcar?

A princípio fugi disso. Passei a usar o latido do meu cachorro, era algo bem suave, de 2016 a 2019. Minha marca tava ali. Senti a necessidade de ter o meu nome. Não achava nada muito interessante até o Snoop gravar. A galera hoje pede a tag. Ajuda muito os produtores, eu estava errado.

Fase 'empresário'

Papatinho tem o seu próprio estúdio/selo, a Papatunes. Trabalhando com um revelador de novos talentos, ele foi um dos responsáveis pela descoberta do rapper L7NNON, um dos principais nomes da cena atual e que recentemente lançou o álbum "Hip-Hop Rare".

Com a experiência e estrutura que tenho, devo fazer mais pela música, pelos artistas. Trabalho com sonhos. Acredito no artista. Não posso garantir que vai dar certo, mas vou dar o meu melhor. E quando acontece, é gratificante. Quando vejo o L7NNON, por exemplo, é muito legal.